quarta-feira, 28 de setembro de 2011

XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano A)



Leitura do Livro de Isaías
(Is 5,1-7)
Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina. Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, Mas ela só produziu agraços. E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e a minha vinha: Que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito? Quando eu esperava que viesse a dar uvas, porque é que apenas produziu agraços? Agora vos direi o que vou fazer à minha vinha: vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada. Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei-de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva. A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel, e os homens de Judá são a plantação escolhida. Ele esperava rectidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 79 (80)
Refrão: A vinha do Senhor é a casa de Israel.

Arrancastes uma videira do Egipto,
expulsastes as nações para a transplantar.
Estendia até ao mar as suas vergônteas
e até ao rio os seus rebentos.

Porque lhe destruístes a vedação,
de modo que a vindime quem quer que passe pelo caminho?
Devastou-a o javali da selva
e serviu de pasto aos animais do campo.

Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.
Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.

Não mais nos apartaremos de Vós:
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.
Senhor, Deus dos Exércitos, fazei-nos voltar,
iluminai o vosso rosto e seremos salvos.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 4,6-9)
Irmãos: Não vos inquieteis com coisa alguma. Mas, em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor é o que deveis ter no pensamento. O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim é o que deveis praticar. E o Deus da paz estará convosco.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 21,33-43)
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?». Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».


BOA NOTÍCIA
A “trilogia das vinhas” chega ao fim
Depois dos operários da última hora e dos dois filhos chamados ao trabalho, a liturgia do próximo Domingo propõe-nos uma terceira parábola onde a vindima e a vinha são colocadas no centro da atenção. No evangelho do dia 2 de Outubro escutaremos Jesus que conta a história de uma vinha, cujos rendeiros se rebelam e negam ao proprietário a parte dos frutos que lhe pertence. Não satisfeitos, os vinhateiros vão mais longe: agridem os servos do proprietário e matam o seu próprio filho. Para terminar, Jesus lança aos fariseus que O escutam esta pergunta: «Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».

Bem diz a nossa gente que pela boca morre o peixe! Os fariseus não se reconheceram na descrição dos vinhateiros homicidas e por isso, sem suspeitarem, condenaram as próprias acções ao responderem severamente: «é preciso matar esses malvados!». Jesus já sabia quem conspirava para o assassinar… Contou esta parábola na esperança de que os seus inimigos reconhecessem os próprios erros e abandonassem a decisão de O eliminar. Era uma esperança vã? Talvez. No entanto, Deus Pai não abandona a humanidade, não desiste de acreditar e confia na nossa generosidade em partilhar os “frutos da vinha”. No fundo, é a grande questão por detrás desta e de outras páginas do Evangelho: como receberemos o herdeiro do Senhor quando Ele nos visitar? Com frutos abundantes? Ou com paus e pedras…? Bom domingo e bom exame de consciência!

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 28.9.2011




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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano A)


Leitura da Profecia de Ezequiel
(Ez 18,25-28)
Eis o que diz o Senhor: «Vós dizeis: ‘A maneira de proceder do Senhor não é justa’. Escutai, casa de Israel: Será a minha maneira de proceder que não é justa? Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto? Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal o vier a morrer, morrerá por causa do mal cometido. Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida. Se abris os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há-de viver e não morrerá».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 24 (25)
Refrão: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa misericórdia.

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador:
em vós espero sempre.

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Não recordeis as minhas faltas
e os pecados da minha juventude.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.

O Senhor é bom e recto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 2,1-11)
Irmãos: Se há em Cristo alguma consolação, algum conforto na caridade, se existe alguma consolação nos dons do Espírito Santo, alguns sentimentos de ternura e misericórdia, então, completai a minha alegria, tendo entre vós os mesmos sentimentos e a mesma caridade, numa só alma e num só coração. Não façais nada por rivalidade nem por vanglória; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos, sem olhar cada um aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros.Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte, e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem, no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 21,28-32)
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».


BOA NOTÍCIA
Não é um dizer: é um fazer.
Depois de termos escutado, na missa da semana passada, uma parábola que falava de uma vinha, no próximo domingo dia 28, encontramos uma outra onde Jesus conta a história de um homem que tinha pedido aos seus dois filhos que fossem vindimar. O filho que disse «Eu vou!», acabou por não ir e o que tinha dito «Não quero!», mais tarde arrependeu-se e foi. Para terminar, Jesus surpreende-nos com esta afirmação: «Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus».

Obviamente, não se está a querer insinuar que o pecado seja um atalho que nos leva direitinhos às portas do céu! Se os publicanos, os pecadores, as prostitutas e os adúlteros entram antes de muitos no reino de Deus, isso não se deve aos pecados que cometeram, mas sim, ao arrependimento e conversão de vida que mostraram. Esta parábola é como um grito de alerta: ai daquele que acha que basta dizer «Eu sou cristão» para encontrar a salvação! Não há nada mais perigoso do que a ilusão de viver uma vida cristã. Um pecador pode sempre arrepender-se, mudar de vida, caminhar na direcção do amor do Pai. No entanto, uma pessoa que diz a si própria «Estou bem!», nunca irá procurar mais nada. Quem acredita que não precisa de mudar está condenado à imobilidade. E a nossa fé é Caminho! A nossa fé, para usar uma expressão do grande poeta mexicano Octavio Paz, «não é um dizer: é um fazer. É um fazer que é dizer».


P. Carlos Caetano

in LusoJornal 21.09.2011



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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano A)


Leitura do Livro de Isaías
(Is 55,6-9)
Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos. Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele, ao nosso Deus, que é generoso em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –. Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos e acima dos vossos estão os meus pensamentos.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145)
Refrão: O Senhor está perto de quantos O invocam.

Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e digno de todo o louvor,
insondável é a sua grandeza.

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

O Senhor é justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 1,20c-24.27ª)
Irmãos: Cristo será glorificado no meu corpo, quer eu viva quer eu morra. Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Mas, se viver neste corpo mortal é útil para o meu trabalho, não sei o que escolher. Sinto-me constrangido por este dilema: desejaria partir e estar com Cristo, que seria muito melhor; mas é mais necessário para vós que eu permaneça neste corpo mortal. Procurai somente viver de maneira digna do Evangelho de Cristo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 20,1-16ª)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. Saiu a meio da manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’. E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’ Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’. Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’. Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um. Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: ‘Estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor’. Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que eu quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’ Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos».


BOA NOTÍCIA
Mais vale tarde que nunca
Como nos sentiríamos se tivéssemos vindimado um dia inteiro ao Sol e víssemos outros, que apenas trabalharam uma horinha, receberem um salário igual ao nosso? Provavelmente ficávamos de mau humor e até nos sentíamos um pouco injustiçados. Pois bem, no próximo domingo dia 18, escutaremos na missa o que Jesus tem a dizer sobre esta situação e, provavelmente, ficaremos bem surpreendidos com o que Ele diz: «Se o patrão não faltou à palavra com o que vos prometeu, que vos importa se depois decide ser generoso com os outros?». Com esta parábola da vinha, Jesus quer mostrar-nos a nova lógica do Reino de Deus e, para sublinhar o quanto ela é diferente da lógica dos homens, ainda acrescenta: «os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos».

Quem trabalha na vinha (no Reino, na Igreja…) não pode invejar os trabalhadores da última hora! Não pode pensar assim: «se eu soubesse, também só aparecia no final do dia». Isso seria sermos hipócritas, pois um cristão não pode secretamente cobiçar uma vida sem Deus. Ou será que a nossa fé é apenas um peso necessário, que suportamos com fadiga, para que o paraíso não nos escape? Que coisa tão triste…

Trabalhar na vinha do Senhor é um projecto exigente (sem dúvida!) mas é um compromisso que enche o coração, transforma a própria mente e dá sentido às nossas vidas. E quando alguém descobre a beleza da vocação cristã (mesmo que seja à última hora…) não podemos não nos alegrar. É como diz a nossa gente: mais vale tarde que nunca.


P. Carlos Caetano

in LusoJornal 14.09.2011




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sábado, 10 de setembro de 2011

XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano A)


Leitura do Livro de Ben-Sirá
(Sir 27,33-28,9)
O rancor e a ira são coisas detestáveis, e o pecador é mestre nelas. Quem se vinga sofrerá a vingança do Senhor, que pedirá minuciosa conta de seus pecados. Perdoa a ofensa do teu próximo e, quando o pedires, as tuas ofensas serão perdoadas. Um homem guarda rancor contra outro e pede a Deus que o cure? Não tem compaixão do seu semelhante e pede perdão para os seus próprios pecados? Se ele, que é um ser de carne, guarda rancor, quem lhe alcançará o perdão das suas faltas? Lembra-te do teu fim e deixa de ter ódio; pensa na corrupção e na morte, e guarda os mandamentos. Recorda os mandamentos e não tenhas rancor ao próximo; pensa na Aliança do Altíssimo e não repares nas ofensas que te fazem.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 102 (103)
Refrão: O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.

Não está sempre a repreender
nem guarda ressentimento.
Não nos tratou segundo os nossos pecados
nem nos castigou segundo as nossas culpas.

Como a distância da terra aos céus,
assim e grande a sua misericórdia para os que O temem.
Como o oriente dista do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 14,7-9)
Irmãos: Nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor. Portanto, quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. Na verdade, Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos vivos e dos mortos.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 18,21-35)
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não conseguiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».


BOA NOTÍCIA
Setenta vezes sete.
No próximo domingo dia 11 escutaremos na missa mais uma página da “boa notícia”, ou seja, do evangelho escrito por são Mateus. É graças a ele que chegou até nós a famosa resposta dada por Jesus a Pedro, quando este lhe pergunta se devemos perdoar sete vezes a quem nos ofende: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete».

Obviamente, a vontade de Deus não é que façamos as contas e que assinalemos, como limite do perdão, quatrocentas e noventa ofensas. O que Cristo nos quer dizer é que devemos perdoar sempre! No entanto, todos nós sabemos que perdoar uma só vez já é bastante complicado…

Como podemos desculpar alguém que, várias vezes, nos feriu, ofendeu ou traiu a nossa confiança? Aos nossos olhos, Pedro já faz uma grande coisa quando fala em perdoar sete vezes. Ainda assim, Jesus diz-nos que somos salvos na medida em que doamos salvação aos outros; diz-nos que somos perdoados «assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». Contudo, já dizia a minha mãe: «Deus quer que os seus filhos sejam bons, mas não parvos». E se alguém nos enganou, não devemos deixar que esse engano se repita. “Perdoar sempre” não significa viver numa ingenuidade pateta ou deixar-se manipular pelas falsas desculpas de quem vive para ofender. “Perdoar” é não permitir que o rancor e o ódio envenenem a nossa vida. É pedir a Deus que nos ajude a ser sinal do Seu amor e isso também implica rezar por todos, até por aqueles que nos fizeram mal… Para que também eles possam converter-se e encontrar a estrada que conduz à Salvação.

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 7.09.2011



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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano A)


Leitura da Profecia de Ezequiel
(Ez 33,7-9)
Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás-de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».


SALMO 94 (95) – 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8)
Refrão: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 13, 8-10)
Irmãos: Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros, pois, quem ama o próximo, cumpre a lei. De facto, os mandamentos que dizem: «Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás», e todos os outros mandamentos, resumem-se nestas palavras: «Amarás ao próximo como a ti mesmo». A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 18, 15-20)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».


BOA NOTÍCIA
Pague dois. Leve três!
Evangelho é uma palavra de origem grega que significa literalmente “boa notícia”. De facto, ainda hoje se diz que essa é a missão da Igreja: evangelizar, ou seja, anunciar a boa notícia, a boa nova. E como essa notícia corresponde ao relato da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, os próprios livros que contam a Sua história passaram a chamar-se “evangelhos”.

Na missa do próximo domingo, dia 4, escutaremos mais uma página desta “notícia”, escrita por são Mateus. Para além de nos dar algumas instruções sobre como nos devemos comportar quando alguém nos ofende (e são conselhos muitos úteis!), Mateus partilhará connosco a frase de Jesus que mais inquieta quem vive a própria fé de forma isolada e solitária: «onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».

Não é por acaso que Ele fala de «dois ou três». É como se adivinhasse a tendência que muitos teriam (e têm) de tentar viver a própria fé de uma forma exclusivamente privada e sem qualquer contacto com a Igreja. Cristo alerta-nos para esse engano, pois renunciar à dimensão fraterna da fé significa trair os Seus ensinamentos. É verdade que a nossa fé é pessoal, no entanto, não é individual: é comunitária! Acreditar que Deus é Pai significa, automaticamente, crer que todos somos irmãos, somos família, somos Igreja. E como a Igreja não é perfeita (nenhuma família o é…) Jesus deu-nos um pequeno “manual de instruções” com algumas regras de comportamento, para que nos possamos corrigir e ajudar nesta caminhada que todos juntos fazemos em direcção ao Pai.

Bom domingo e bom caminho!

P. Carlos Caetano


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Este comentário ao Evangelho é o primeiro da nova rúbrica “Boa Notícia”, publicado todas as quartas-feiras no semanário LusoJornal.


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