quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA (ano C)


Leitura do Livro de Ben-Sirá
(Sir 3, 3-7.14-17a [gr. 2-6.12-14])
Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra sua mãe. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida e converter-se-á em desconto dos teus pecados.


SALMO RESPONSORIAL Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5
Refrão: Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos.

Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda,
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira,
ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
todos os dias da tua vida.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses
(Col 3, 12-21)
Irmãos: Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 2,41-52)
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.


BOA NOTÍCIA
«Para isso nasci, e para isso vim ao mundo»
No próximo dia 30, a Igreja convida-nos a celebrar a Festa da Sagrada Família e o evangelho dominical descreve o grande susto que Maria e José viveram quando Jesus, com apenas doze anos, desapareceu durante três dias. A chave de leitura deste episódio é a resposta que Ele dá quando finalmente o encontram no templo de Jerusalém: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?».

Maria e José não fizeram uma cena diante desta resposta. Eles, que viram o Messias de Deus gatinhar e dar os seus primeiros passinhos incertos… Eles, que acudiram os choros de noite e se alegraram ao escutar as primeiras palavras do menino... Maria e José, doze anos após o nascimento miraculoso no estábulo de Belém, são agora confrontados com uma verdade que nunca esqueceram; uma verdade que os acompanhou durante este anos de tranquila felicidade: Jesus é o Filho de Deus, o Verbo incarnado, o Messias anunciado. E o Verbo fez-se carne para anunciar ao mundo a Boa Nova e revelar-nos o rosto misericordioso de Deus Pai! Muitos anos mais tarde, diante de Pilatos, Jesus Cristo reafirma esta mesma leitura da sua identidade e da sua missão: «Para isso nasci, e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que é da Verdade ouve a minha voz» (Jo 18,37).

Para além de sublinhar a posição preponderante que o projecto de Deus deve ocupar nas nossas vidas, este episódio ajuda-nos a compreender uma outra realidade importante: que a família (qualquer família) não pode ser um lugar fechado, onde se cresce prisioneiros de horizontes limitados e de relações de doentia dependência. A família é o lugar onde nos abrimos ao mundo e aos outros! É onde cultivamos a liberdade e a maturidade necessárias para um dia deixarmos o “ninho” e procurarmos a nossa estrada e a nossa missão.

P. Carlos Caetano


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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

4º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO (ano C)


Leitura da Profecia de Miqueias
(Miq 5,1-4a)
Eis o que diz o Senhor: «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 79 (80)
Refrão: Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

Pastor de Israel, escutai,
Vós estais sobre os Querubins, aparecei.
Despertai o vosso poder
e vinde em nosso auxílio.

Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha;
protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,
sobre o filho do homem que para Vós criastes.
Nunca mais nos apartaremos de Vós,
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.


Leitura da Epístola aos Hebreus
(Heb 10,5-10)
Irmãos: Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifício nem oblações, mas formaste-Me um corpo. Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’». Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos, segundo a Lei. Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. É em virtude dessa vontade que nós fomos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1,39-47)
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».


BOA NOTÍCIA
Alegrem-se os céus e a terra. Cantemos com alegria…
Faltam poucos dias para o Natal e nas saudações de muitas pessoas já se sente aquela alegria autêntica (e não apenas de fachada) que normalmente acompanha este momento do ano litúrgico. É o mesmo sentimento que encontramos no centro do evangelho do próximo domingo, dia 23: a alegria de Isabel e do irrequieto João Baptista, que acolhem na própria casa a jovem Maria e com ela, Jesus Cristo, salvador do mundo.

«Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

É uma alegria inesperada, pois a chegada de uma prima, ainda solteira e já grávida, deveria criar desassossego no coração de Isabel, mas ela não se deixa enganar pelas aparências e ajudada pela fé e pela graça de Deus, consegue reconhecer naquela jovem o projecto divino de salvação e a presença do Messias esperado.

O Natal é tempo propício para tantos encontros… Abrandado o ritmo frenético do dia-a-dia, amigos e parentes aproveitarão este momento de repouso para visitar-se, trocar prendas e desejar votos de boas festas. Oxalá sejam todos encontros como aquele entre Isabel e Maria, onde, ajudados pela fé, consigamos ir para lá das aparências e da superficialidade, e descubramos em cada pessoa que bate à nossa porta ou entra na nossa casa, a oportunidade de saudar Jesus e de acolhê-Lo na nossa vida.

Um santo Natal a todos!

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 19.12.2012



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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

3º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO (ano C)


Leitura da Profecia de Sofonias
(Sof 3,14-18a)
Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa».


SALMO RESPONSORIAL – Is 12,2-3.4bcd.5-6
Refrão: Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.

Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome;
anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
proclamai a todos que o seu nome é santo.

Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a terra.
Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 4,4-7)
Irmãos: Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 3,10-18)
Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?» Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?» João respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».


BOA NOTÍCIA
Que devemos fazer?
Para ser felizes... para não desperdiçar a própria vida... que devemos fazer? Uma resposta bem comum é esta: «Enriquece; diverte-te; acumula; mima-te com tudo de bom que a vida oferece. Coloca-te ao centro; defende a tua posição; vive para ti; persegue o teu prazer». Muitas pessoas acreditam que esta seja a fórmula mágica para serem felizes! Mas será verdade? São realmente estas as coisas que dão sentido à vida? E se nos enganássemos? Se tivéssemos investido o nosso tempo, a nossa energia (a nossa vida) no projecto errado? E se todas estas coisas (dinheiro, fama, sexo, diversão...) fossem apenas uma distracção, que procura preencher o vazio da nossa vida, mas que não consegue realmente saciar a nossa sede de felicidade?

As multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?» E no evangelho do próximo domingo, dia 16, encontramos a sua resposta, que é de uma simplicidade desarmante: «Partilha o que tens. Não roubes. Não sejas violento». Só isto? É esta a grande sabedoria do profeta do deserto? É tudo tão simples que quase nos desilude... Mas João tem razão: é nas coisas pequenas e simples que se manifesta a força de Deus. É no quotidiano que a salvação se revela e que a felicidade se constrói. A que servem os raros grandes gestos heróicos se, habitualmente, vivemos vidas desinteressadas e egoístas?

Deus Pai não nos pede gestos teatrais e espalhafatosos: pede-nos perseverança, continuidade. Ele convida-nos a acolher o seu filho que dorme na manjedoura de um pequeno estábulo em Belém. E esta criança, tal como todos os recém-nascidos, não quer confusão e barulho… mas precisa diariamente de carinho e cuidados constantes.

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 12.12.2012


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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

2º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO (ano C)


Leitura do Livro de Baruc
(Bar 5,1-9)
Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus. Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno. Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu; Deus te dará para sempre este nome: «Paz da justiça e glória da piedade». Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo, felizes por Deus Se ter lembrado deles. Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis. Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus. Também os bosques e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel, por ordem de Deus, porque Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 125 (126)
Refrão: Grandes maravilhas fez por nós o Senhor: por isso exultamos de alegria.

Quando o Senhor fez regressar os activos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
Da nossa boca brotavam expressões de alegria
e de nossos lábios cânticos de júbilo.

Diziam então os pagãos:
«O Senhor fez por eles grandes coisas».
Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.

À ida, vão a chorar,
levando as sementes
à volta, vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 1,4-6.8-11)
Irmãos: Em todas as minhas orações, peço sempre com alegria por todos vós, recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho, desde o primeiro dia até ao presente. Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há-de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus. Deus é testemunha de que vos amo a todos no coração de Cristo Jesus. Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 3,1-6)
No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério,quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».


BOA NOTÍCIA
Quando, onde e quem
Lucas, o autor do Evangelho que nos acompanhará durante este novo ano litúrgico, era um homem de ciência, médico de profissão. A sua versão da “Boa Notícia”, da história de Jesus, é uma narração obviamente iluminada pela fé na Ressurreição, mas que pretende renunciar a todos os elementos lendários que, ordinariamente, rodeiam as biografias das grandes personagens da antiguidade. No evangelho do próximo domingo, dia 9, encontramos vários exemplos deste seu rigor: «No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto».

Lucas delimita o momento histórico em que João Baptista iniciou a sua actividade profética, nomeando sete contemporâneos célebres (desde o imperador Tibério César, até ao sumo sacerdote Caifás). Com estes dados, o evangelista introduz a história de Jesus e recorda-nos que Ele não é uma lenda, mas sim, uma pessoa real, ligada a um determinado contexto histórico e a uma geografia bem definida.

Em Jesus Cristo, Deus irrompeu na História dos homens, dividiu-a para sempre em duas metades e tornou-se o “Emanuel”, que significa “Deus connosco”. Mas o Senhor do Tempo, não quer apenas entrar genericamente no curso dos acontecimentos da humanidade. Ele é Cristo, “ontem, hoje e sempre” e deseja entrar na vida de cada um de nós, nascer na nossa história pessoal e oferecer o Seu dom de salvação a todos os homens e mulheres do mundo.

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 05.12.2012


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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

1º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO (ano C)


Leitura do Livro de Jeremias
(Jer 33,14-16)
Eis o que diz o Senhor: «Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá: Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra. Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 24 (25)
Refrão: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador.

O Senhor é bom e recto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade
para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.
O Senhor trata com familiaridade os que O temem
e dá-lhes a conhecer a sua aliança.


Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses
(1 Tes 3,12–4,2)
Irmãos: O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco. O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus, nosso Senhor, com todos os santos. Finalmente, irmãos, eis o que vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus: recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais. Conheceis bem as normas que vos demos da parte do Senhor Jesus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 21,25-28.34-36)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela devassidão, a embriaguês e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele sobrevirá sobre todos os que habitam a terra inteira. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para terdes a força de vos livrar de tudo o que vai acontecer e poderdes estar firmes na presença do Filho do homem».


BOA NOTÍCIA
O Mundo não acaba no dia 21!
O evangelho do próximo domingo, dia 3 de Dezembro, quase parece uma profecia sobre o fim do mundo (atenção: quase…): «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima».

O “fim dos tempos” sempre despertou muita curiosidade e várias datas suscitaram alguma ânsia na população mais crédula. Por exemplo: segundo o “profeta” americano, John Ballou Newbrough, o fim do mundo deveria ter sido em 1947. Para o reverendo Sun Myung Moon, líder da Igreja da Unificação, tudo devia de ter acabado em 1967. As Testemunhas de Jeová chegaram a afirmar que o fim do mundo seria em 1914... depois, 1918... depois, 1925... depois, 1975... e claro, no ano 2000. Finalmente chegamos aos nossos dias e a data “da moda” é 21 de Dezembro de 2012.

Há duas semanas atrás falei aqui do género literário apocalíptico e de como estes textos, apesar das imagens espectaculares que frequentemente utilizam, não serem previsões do futuro mas sim, mensagens de esperança! O evangelho de domingo insere-se plenamente nesse filão. Os sinais catastróficos apresentados são imagens tradicionalmente utilizadas pelos profetas antigos para falar do “dia do Senhor”, isto é, da acção de Deus que intervém na história para libertar definitivamente o seu Povo da escravidão. O evangelho é portanto um convite a vigiar, a não desperdiçar tempo com coisas inúteis, a não perder nunca a coragem e a esperança, mesmo nos momentos mais difíceis da nossa vida, porque a «libertação está próxima».

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 28.11.2012


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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

XXXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)


Leitura da Profecia de Daniel
(Dan 7,13-14)
Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino não será destruído.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 92 (93)
Refrão: O Senhor é rei num trono de luz.

O Senhor é rei,
revestiu-Se de majestade,
revestiu-Se e cingiu-Se de poder.

Firmou o universo, que não vacilará.
É firme o vosso trono desde sempre,
Vós existis desde toda a eternidade.

Os vossos testemunhos são dignos de toda a fé,
a santidade habita na vossa casa
por todo o sempre.


Leitura do Apocalipse
(Ap 1,5-8)
Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amen. Ei-l’O que vem entre as nuvens, e todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O trespassaram; e por sua causa hão-de lamentar-se todas as tribos da terra. Sim. Amen. «Eu sou o Alfa e o Ómega», diz o Senhor Deus, «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Senhor do Universo».


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 18,33b-37)
Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: «Tu és o Rei dos judeus?» Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?» Disseram-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?» Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és Rei?» Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».


BOA NOTÍCIA
Viva Cristo Rei!
Daqui a duas semanas começará o novo ano litúrgico e far-nos-á companhia o Evangelho de Lucas com a sua versão da “Boa Notícia”. No próximo domingo, o último com os textos de São Marcos, celebraremos a Festa de Cristo Rei.

É bem estranho este “rei” que somos convidados a celebrar. Um rei sem exércitos, nem castelos, nem armas. Um rei que é algemado e conduzido diante de Pilatos, como um comum criminoso. O governador romano da Judeia conhece bem as acusações que pesam sobre o jovem carpinteiro; acusações de alta traição contra César, apresentadas pelas autoridades judaicas. Porém, diante deste pobre prisioneiro, elas parecem tão descabidas, que Pilatos tem de perguntar: «Tu és Rei?». Sabendo que a pena de morte (e morte de cruz) depende desta resposta, ela torna-se ainda mais surpreendente: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade».

Mas afinal quem é este Rei? E qual é a verdade que Ele testemunha?

A sua realeza é de uma outra ordem: da ordem de Deus. É uma realeza que toca os corações e que, em vez de produzir opressão e morte, produz vida e liberdade. Jesus é Rei e Messias, mas não veio impor a ninguém o seu reinado: veio “apenas” propor, anunciar, testemunhar.

O seu testemunho é a verdade: a verdade de Deus e do amor incondicional e sem medida que Ele derrama sobre o Homem, a fim de o fazer chegar à vida autêntica e definitiva. É esse amor que Jesus testemunha com coragem, mesmo diante das ameaças de morte. É esse amor que constrói, pouco a pouco, o novo Reino. Viva Cristo Rei!

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 21.1.2012




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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)


Leitura da Profecia de Daniel
(Dan 12,1-3)
Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe dos Anjos, que protege os filhos do teu povo. Será um tempo de angústia, como não terá havido até então, desde que existem nações. Mas nesse tempo, virá a salvação para o teu povo, para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus. Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o horror eterno. Os sábios resplandecerão como a luz do firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 15 (16)
Refrão: Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,
está nas vossas mãos o meu destino.
O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei.

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta
e até o meu corpo descansa tranquilo.
Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,
alegria plena em vossa presença,
delícias eternas à vossa direita.


Leitura da Epístola aos Hebreus
(Heb 10,11-14.18)
Todo o sacerdote da antiga aliança se apresenta cada dia para exercer o seu ministério e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca poderão perdoar os pecados. Cristo, ao contrário, tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício, sentou-Se para sempre à direita de Deus, esperando desde então que os seus inimigos sejam postos como escabelo dos seus pés. Porque, com uma única oblação, Ele tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica. Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 13,24-32)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».


BOA NOTÍCIA
«Jurei ter por companheira,
Grândola a tua vontade»
O discurso de Jesus que encontramos no evangelho do próximo domingo é difícil de interpretar e pertence ao género literário “apocalíptico”: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória».

Muitas pessoas acreditam que o termo “apocalipse” seja sinónimo de “cataclismo” ou que esteja a indicar o fim do mundo. Na realidade, “apocalipse” deriva da palavra grega apokalypsis, composta por apó (“separação”) e kalýptein (“escondido”). “Apocalipse” significa literalmente, “retirar algo que esconde”, como quando se tira um véu que cobre qualquer coisa. A melhor tradução para “apocalipse” é portanto, “revelação”.

Hoje em dia é difícil decifrarmos o significado exacto de cada frase, de cada expressão, mas provavelmente acontecerá o mesmo, daqui a muitos anos, às gerações portuguesas que escutarem a música de intervenção, escrita antes do 25 de Abril e da Revolução dos cravos. Era uma música (como no caso da famosa “Grândola Vila Morena”) que utilizava analogias e jogos de palavras para denunciar a opressão da ditadura fascista e dar esperança e ânimo na luta pela liberdade.

Não podemos explicar aqui todos os elementos enigmáticos do discurso de Jesus, mas o significado profundo do evangelho é o seguinte: «não temam, pois o tempo da revolução está para chegar; está para acontecer uma viragem decisiva na História; a velha ordem religiosa e política será derrubada; nascerá um mundo novo, construído de acordo com os critérios e os valores de Deus...».

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 14.11.2012


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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)


Leitura do Primeiro Livro dos Reis
(1 Re 17,10-16)
Naqueles dias, o profeta Elias pôs-se a caminho e foi a Sarepta. Ao chegar às portas da cidade, encontrou uma viúva a apanhar lenha. Chamou-a e disse-lhe: «Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber». Quando ela ia a buscar a água, Elias chamou-a e disse: «Por favor, traz-me também um pedaço de pão». Mas ela respondeu: «Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus, eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na almotolia. Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho. Depois comeremos e esperaremos a morte». Elias disse-lhe: «Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traz-mo aqui. Depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Não se esgotará a panela da farinha, nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’». A mulher foi e fez como Elias lhe mandara; e comeram ele, ela e seu filho. Desde aquele dia, nem a panela da farinha se esgotou, nem se esvaziou a almotolia do azeite, como o Senhor prometera pela boca de Elias.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 145 (146)
Refrão: Ó minha alma, louva o Senhor.

O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.

O Senhor ilumina os olhos do cego,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.

O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.

O Senhor reina eternamente;
o teu Deus, ó Sião,
é rei por todas as gerações.


Leitura da Epístola aos Hebreus
(Heb 9,24-28)
Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor. E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como sumo sacerdote que entra cada ano no Santuário, como sangue alheio; nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes, desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. E, como está determinado que os homens morram uma só vez e a seguir haja o julgamento, assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem a aparência do pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 12,38-44)
Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deixava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».


BOA NOTÍCIA
Doar. Doer.
No dia 4 de Fevereiro de 1994, em Nova Iorque, Madre Teresa de Calcutá encontrou alguns dos mais importantes políticos americanos, entre os quais, o então presidente Bill Clinton e o seu vice-presidente Al Gore. Nesse encontro histórico, Madre Teresa cunhou uma expressão que nos ajuda a compreender o evangelho do próximo domingo: «Doar tem que doer». Se não “dói” quando damos, isso significa que ainda não doámos realmente nada. Demos do que sobrava; partilhámos apenas o que sobejava e a nossa vida não foi minimamente “tocada” por esse gesto. Madre Teresa dizia também que «o importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá», e que «amar significa estar disposto a doar-se até que doa».

No próximo dia 11, o evangelho apresenta-nos dois casos bem distintos: em primeiro lugar é descrito o comportamento dos escribas e dos ricos: sempre sedentos de lucro, não fazem nada sem segundas intenções e exploram tudo e todos (até mesmo uma esmola) em troca de um momento de glória, um aplauso, um elogio. O segundo caso corresponde a uma pobre viúva que depositou na caixa das esmolas do templo tudo o que possuía: duas pequenas moedas. Ninguém reparou no gesto da viúva. Ninguém, excepto Jesus. E para Ele (para Deus) aqueles dois tostões foram o dom mais importante, pois nenhuma outra esmola foi dada com tanta gratuidade, totalidade e sacrifício.

Este evangelho ensina-nos que o verdadeiro cristão não é o que cultiva gestos teatrais e espampanantes, que impressionam as multidões e que são aplaudidos pelos homens. Verdadeiro cristão é quem, no segredo - livremente e gratuitamente - ajuda os irmãos mais pobres e partilha tudo o que tem. Não apenas o que sobeja. Doa a quem doer.

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 07.11.2012



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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

XXXI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)


Leitura do Livro do Deuteronómio (Deut 6,2-6)
Moisés dirigiu-se ao povo, dizendo: «Temerás o Senhor, teu Deus, todos os dias da tua vida, cumprindo todas as suas leis e preceitos que hoje te ordeno, para que tenhas longa vida, tu, os teus filhos e os teus netos. Escuta, Israel, e cuida de pôr em prática o que te vai tornar feliz e multiplicar sem medida na terra onde corre leite e mel, segundo a promessa que te fez o Senhor, Deus de teus pais. Escuta, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Deus. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração».


SALMO RESPONSORIAL Salmo 17 (18), 2-3.4.47.50-51ab (R. 2)
Refrão: Eu Vos amo, Senhor: Vós sois a minha força.

Eu Vos amo, Senhor, minha força,
minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador,
meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,
meu protector, minha defesa e meu salvador.

Invoquei o Senhor - louvado seja Ele –
e fiquei salvo dos meus inimigos.
Viva o Senhor, bendito seja o meu protector;
exaltado seja Deus, meu Salvador.

Senhor, eu Vos louvarei entre os povos
e cantarei salmos ao vosso nome.
O Senhor dá ao seu Rei grandes vitórias
e usa de bondade para com o seu Ungido.


Leitura da Epístola aos Hebreus (Heb 7,23-28)
Os sacerdotes da antiga aliança sucederam-se em grande número, porque a morte os impedia de durar sempre. Mas Jesus, que permanece eternamente, possui um sacerdócio eterno. Por isso pode salvar para sempre aqueles que por seu intermédio se aproximam de Deus, porque vive perpetuamente para interceder por eles. Tal era, na verdade, o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiro pelos seus próprios pecados, depois pelos pecados do povo, porque o fez de uma vez para sempre quando Se ofereceu a Si mesmo. A Lei constitui sumos sacerdotes homens revestidos de fraqueza, mas a palavra do juramento, posterior à Lei, estabeleceu o Filho sumo sacerdote perfeito para sempre.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos (Mc 12,28-34)
Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» Jesus respondeu: «O primeiro é este: 'Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças'. O segundo é este: 'Amarás o teu próximo como a ti mesmo'. Não há nenhum mandamento maior que estes». Disse-Lhe o escriba: «Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes: Deus é único e não há outro além d'Ele. Amá-l'O com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios». Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe: «Não estás longe do reino de Deus». E ninguém mais se atrevia a interrogá-I'O.


BOA NOTÍCIA
A clave musical*
No nosso dia-a-dia quantas são as regras que seguimos? Regras de condução… regras de boa educação… regras de trabalho… e também, regras religiosas. Dois mil anos de história fizeram com que a Igreja acumulasse uma pesada herança de preceitos, proibições e leis. Mas será que, para se ser católico, é necessário conhecer e respeitar os 1752 cânones do Direito Canónico…? Felizmente, no evangelho do próximo domingo, dia 4, Jesus esclarece-nos as ideias e diz-nos que os mandamentos necessários para a vida são apenas dois: «Amarás o Senhor teu Deus e o próximo como a ti mesmo».

No fundo, não são duas regras distintas. “Amar Deus” e “amar os irmãos” são duas faces duma mesma moeda, que Santo Agostinho reformula com esta bonita provocação: «Ama e faz o que quiseres!». Mas se isso é verdade, então para que servem todas as leis da Igreja?

Podemos fazer a seguinte comparação: se numa composição musical é a clave que dá o nome a cada uma das notas na pauta, no caso da fé cristã é o amor a Deus e o amor ao próximo que dão sentido às outras regras. Todos estamos a par das grandes controvérsias por detrás de algumas leis da Igreja. Refiro-me, por exemplo, às normas sobre os contraceptivos, o aborto, ou a questão do divórcio. São temas complexos que suscitam muitas questões e que merecem um debate honesto. Mas atenção! Só teremos uma resposta verdadeiramente cristã, uma resposta que seja realmente Caminho, Verdade e Vida, quando conseguirmos interiorizar a clave musical, ou seja, os dois mandamentos que dão sentido a todos os outros: amar a Deus e amar o próximo.

* Este texto já aqui foi publicado, mas redizer ajuda a aprender!

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 31.10.2012


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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)


Leitura do Livro de Jeremias
(Jer 31,7-9)
Eis o que diz o Senhor: «Soltai brados de alegria por causa de Jacob, enaltecei a primeira das nações. Fazei ouvir os vossos louvores e proclamai: ‘O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel’. Vou trazê-los das terras do Norte e reuni-los dos confins do mundo. Entre eles vêm o cego e o coxo, a mulher que vai ser mãe e a que já deu à luz. É uma grande multidão que regressa. Eles partiram com lágrimas nos olhos e Eu vou trazê-los no meio das consolações. Levá-los-ei às águas correntes, por caminho plano em que não tropecem. Porque Eu sou um Pai para Israel e Efraim é o meu primogénito».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 125 (126)
Refrão: Grandes maravilhas fez por nós o Senhor, por isso exultamos de alegria.

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
Da nossa boca brotavam expressões de alegria
e dos nossos lábios cânticos de júbilo.

Diziam então os pagãos:
«O Senhor fez por eles grandes coisas».
Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.

À ida vão a chorar,
levando as sementes;
à volta vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.


Leitura da Epístola aos Hebreus
(Heb 5,1-6)
Todo o sumo sacerdote, escolhido de entre os homens, é constituído em favor dos homens, nas suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Ele pode ser compreensivo para com os ignorantes e os transviados, porque também ele está revestido de fraqueza; e, por isso, deve oferecer sacrifícios pelos próprios pecados e pelos do seu povo. Ninguém atribui a si próprio esta honra, senão quem foi chamado por Deus, como Abraão. Assim também, não foi Cristo que tomou para Si a glória de Se tornar sumo sacerdote; deu-Lha Aquele que Lhe disse: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei», e como disse ainda noutro lugar: «Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec».


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 10,46-52)
Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-O». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?» O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.


BOA NOTÍCIA
Não desistas. Não te cales.
Alguns mendigos podem ser muito insistentes, mas nenhum supera Bartimeu, o cego mendicante que o evangelho do próximo domingo nos apresentará. O seu local de “trabalho”: a estrada que de Jericó leva a Jerusalém. A sua “ferramenta”: uma cantilena triste, onde implorava uma esmolinha a quem passava. Porém, quando lhe disseram que era Jesus Cristo quem estava a passar, perdeu a cabeça! Parou a usual lengalenga e, inesperadamente, começou a gritar como um louco: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Os apóstolos, ao verem aquele estranho maltrapilho aos gritos, tentaram silenciá-lo e começaram até a ralhar! Mas Bartimeu não desistiu. Gritou, gritou, gritou até ser atendido (e curado) por Jesus.

Impressiona-me muito a tenacidade deste homem. Nunca encontrou Jesus antes, mas certamente ouviu falar dele e dos seus milagres. A possibilidade de mudar de vida, de sair da escuridão, de recuperar a vista dá-lhe força e alento. Bartimeu não sabe se Jesus o escutará, mas tem de tentar; não pode ficar em silêncio.

Nem sempre nas nossas paróquias encontramos pessoas acolhedoras e simpáticas. Por vezes deparamo-nos com “apóstolos” que só sabem ralhar e mandar calar… Diante deste cenário, a tentação de abandonar tudo e desistir é enorme. Mas se a nossa fé é verdadeira; se realmente acreditamos que Jesus Cristo é o único que pode oferecer luz, sentido, vida nova, então temos que seguir o exemplo de Bartimeu e não renunciar à nossa “chance” de encontrar o Senhor. Temos de ser firmes, perseverar e dar o nosso contributo para que a comunidade melhore, cresça e se torne mais autêntica e santa. Não desistas. Não te cales. Tu também és Igreja e a Igreja precisa de ti.

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 24.10.2010



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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)


Leitura do Livro de Isaías
(Is 53,10-11)
Aprouve ao Senhor esmagar o seu Servo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como vítima de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado. Pela sua sabedoria, o Justo, meu Servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33)
Refrão: Desça sobre nós a vossa misericórdia, porque em Vós esperamos, Senhor.

A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.

Leitura da Epístola aos Hebreus
(Heb 4,14-16)
Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 10,35-45)
Naquele tempo, Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir». Jesus respondeu-lhes: «Que quereis que vos faça?» Eles responderam: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». Disse-lhes Jesus: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o baptismo com que Eu vou ser baptizado?» Eles responderam-Lhe: «Podemos». Então Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que Eu vou beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado. Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado». Os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós: Quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».


BOA NOTÍCIA
Quem é o maior? (2º parte)
Há um mês atrás “encontrámos” os apóstolos a discutir sobre quem seria o maior. No evangelho do próximo domingo, dia 21, este tema repropõe-se: João e Tiago pedem a Jesus um lugar de destaque no novo Reino: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». Estes dois irmãos terão de purificar (e muito!) a própria visão do Reino de Deus… mas a História da Igreja reserva-lhes realmente um lugar de destaque. Ora vejamos:

Tiago (mais tarde conhecido como Tiago Maior, Santiago de Compostela, ou São Tiago, o Grande) é um dos primeiros mártires cristãos, condenado à morte por Herodes Agripa I e decapitado em Jerusalém por volta do ano 44.

João (ou São João Evangelista, ou Apóstolo João), depois da morte do seu irmão, viaja para a Ásia menor e guia por muitos anos a importante comunidade cristã de Éfeso. Além de um Evangelho, escreve três epístolas e o livro do Apocalipse. Conhece a prisão, a tortura e o exílio, mas nunca renuncia ao anúncio da Boa Nova.

Por volta do ano 55, na sua carta aos Gálatas, S. Paulo refere-se a Tiago e a João como a duas “colunas” da Igreja. É uma expressão curiosa: será que os irmãos alcançaram o que haviam pedido a Jesus? Mas o relato das suas vidas testemunha que estas “colunas” não eram chefes tiranos e prepotentes. Este dois santos deixaram-se purificar pelo exemplo de Cristo e hoje recordam-nos que a autoridade na Igreja não é determinada pela riqueza ou influência política, mas sim, pela capacidade de dedicar-se aos outros e de testemunhar o Evangelho. Eles recordam-nos que a verdadeira grandeza não está no ser servido, mas sim, no servir os outros.

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 17.10.2012


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