sexta-feira, 29 de maio de 2009

DOMINGO DE PENTECOSTES (ano B)




Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Actos 2, 1-11)
Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».


SALMO RESPONSORIAL - Salmo 103 (104), 1ab e 24ac.29bc-30.31.34

Refrão: Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
A terra está cheia das vossas criaturas.

Se lhes tirais o alento, morrem
e voltam ao pó donde vieram.
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida
e renovais a face da terra.

Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
Grato Lhe seja o meu canto
e eu terei alegria no Senhor.


Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios
(Cor 12, 3b-7.12-13)
Irmãos: Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela acção do Espírito Santo. De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.


SEQUÊNCIA

Vinde, ó santo Espírito,
vinde, Amor ardente,
acendei na terra
vossa luz fulgente.

Vinde, Pai dos pobres:
na dor e aflições,
vinde encher de gozo
nossos corações.

Benfeitor supremo
em todo o momento,
habitando em nós
sois o nosso alento.

Descanso na luta
e na paz encanto,
no calor sois brisa,
conforto no pranto.

Luz de santidade,
que no Céu ardeis,
abrasai as almas
dos vossos fiéis.

Sem a vossa força
e favor clemente,
nada há no homem
que seja inocente.

Lavai nossas manchas,
a aridez regai,
sarai os enfermos
e a todos salvai.

Abrandai durezas
para os caminhantes,
animai os tristes,
guiai os errantes.

Vossos sete dons
concedei à alma
do que em Vós confia:

Virtude na vida,
amparo na morte,
no Céu alegria.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 20,19-23)
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».




(Esta semana o comentário está a cargo dos padres dehonianos)

AMBIENTE
Este texto (lido já no segundo domingo da Páscoa) situa-nos no cenáculo, no próprio dia da ressurreição. Apresenta-nos a comunidade da nova aliança, nascida da acção criadora e vivificadora do messias. No entanto, esta comunidade ainda não se encontrou com Cristo ressuscitado e ainda não tomou consciência das implicações da ressurreição. É uma comunidade fechada, insegura, com medo… Necessita de fazer a experiência do Espírito; só depois, estará preparada para assumir a sua missão no mundo e dar testemunho do projecto libertador de Jesus. Nos “Actos”, Lucas narra a descida do Espírito sobre os discípulos no dia do Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa (sem dúvida por razões teológicas e para fazer coincidir a descida do Espírito com a festa judaica do Pentecostes, a festa do dom da Lei e da constituição do Povo de Deus); mas João situa no anoitecer do dia de Páscoa a recepção do Espírito pelos discípulos.
MENSAGEM
João começa por pôr em relevo a situação da comunidade. O “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo” (vers. 19a): é o quadro que reproduz a situação de uma comunidade desamparada no meio de um ambiente hostil e, portanto, desorientada e insegura. É uma comunidade que perdeu as suas referências e a sua identidade e que não sabe, agora, a que se agarrar. Entretanto, Jesus aparece “no meio deles” (vers. 19b). João indica desta forma que os discípulos, fazendo a experiência do encontro com Jesus ressuscitado, redescobriram o seu centro, o seu ponto de referência, a coordenada fundamental à volta do qual a comunidade se constrói e toma consciência da sua identidade. A comunidade cristã só existe de forma consistente se está centrada em Jesus ressuscitado. Jesus começa por saudá-los, desejando-lhes “a paz” (“shalom”, em hebraico). A “paz” é um dom messiânico; mas, neste contexto, significa sobretudo a transmissão da serenidade, da tranquilidade, da confiança, que permitirão aos discípulos superar o medo e a insegurança: a partir de agora, nem o sofrimento, nem a morte, nem a hostilidade do mundo poderão derrotar os discípulos, porque Jesus ressuscitado está “no meio deles”. Em seguida, Jesus “mostrou-lhes as mãos e o lado”. São os “sinais” que evocam a entrega de Jesus, o amor total expresso na cruz. É nesses “sinais” (na entrega da vida, no amor oferecido até à última gota de sangue) que os discípulos reconhecem Jesus. O facto de esses “sinais” permanecerem no ressuscitado indica que Jesus será, de forma permanente, o Messias cujo amor se derramará sobre os discípulos e cuja entrega alimentará a comunidade. Vem depois a comunicação do Espírito. O gesto de Jesus de soprar sobre os discípulos reproduz o gesto de Deus ao comunicar a vida ao homem de argila (João utiliza, aqui, precisamente o mesmo verbo do texto grego de Gn 2,7). Com o “sopro” de Deus de Gn 2,7, o homem tornou-se um “ser vivente”; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova e faz nascer o Homem Novo. Agora, os discípulos possuem a vida em plenitude e estão capacitados – como Jesus – para fazerem da sua vida um dom de amor aos homens. Animados pelo Espírito, eles formam a comunidade da nova aliança e são chamados a testemunhar – com gestos e com palavras – o amor de Jesus. Finalmente, Jesus explicita qual a missão dos discípulos (ver. 23): a eliminação do pecado. As palavras de Jesus não significam que os discípulos possam ou não – conforme os seus interesses ou a sua disposição – perdoar os pecados. Significam apenas que os discípulos são chamados a testemunhar no mundo essa vida que o Pai quer oferecer a todos os homens. Quem aceitar essa proposta será integrado na comunidade de Jesus; quem não a aceitar continuará a percorrer caminhos de egoísmo e de morte, isto é, de pecado. A comunidade, animada pelo Espírito, será a mediadora desta oferta de salvação.
ACTUALIZAÇÃO
Para a reflexão, considerar as seguintes coordenadas:
¨ A comunidade cristã só existe de forma consistente, se está centrada em Jesus. Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É n’Ele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limitações, para partirmos à aventura de testemunhar a vida nova do Homem Novo. As nossas comunidades são, antes de mais, comunidades que se organizam e estruturam à volta de Jesus? Jesus é o nosso modelo de referência? É com Ele que nos identificamos, ou é num qualquer ídolo de pés de barro que procuramos a nossa identidade?
Se Ele é o centro, a referência fundamental, têm algum sentido as discussões acerca de coisas não essenciais, que às vezes dividem os crentes? ¨ Identificar-se como cristão significa dar testemunho diante do mundo dos “sinais” que definem Jesus: a vida dada, o amor partilhado. É esse o testemunho que damos? Os homens do nosso tempo, olhando para cada cristão ou para cada comunidade cristã, podem dizer que encontram e reconhecem os “sinais” do amor de Jesus? ¨
As comunidades construídas à volta de Jesus são animadas pelo Espírito. O Espírito é esse sopro de vida que transforma o barro inerte numa imagem de Deus, que transforma o egoísmo em amor partilhado, que transforma o orgulho em serviço simples e humilde… É Ele que nos faz vencer os medos, superar as cobardias e fracassos, derrotar o cepticismo e a desilusão, reencontrar a orientação, readquirir a audácia profética, testemunhar o amor, sonhar com um mundo novo. É preciso ter consciência da presença contínua do Espírito em nós e nas nossas comunidades e estar atentos aos seus apelos, às suas indicações, aos seus questionamentos.
(Tenham uma boa semana!)


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sábado, 23 de maio de 2009

ASCENSÃO DO SENHOR (ano B)



Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 1,1-11)
No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, «da Qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 46 (47)

Refrão: Por entre aclamações e ao som da trombeta, ergue-Se Deus, o Senhor.

Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra.

Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios
(Ef 1,17-23)
Irmãos: O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 16,15-20)
Naquele tempo, Jesus apareceu aos Doze e disse-lhes: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados». E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.


FESTA?
A Ascensão é realmente uma festa ou é uma tristeza? No evangelho e na primeira leitura deste Domingo encontramos duas descrições de um único evento que, à primeira vista, não deveria dar azo a grandes celebrações: Cristo regressou ao Pai.

Quem se pode alegrar, se perdemos a presença material, visível de Jesus? Não era melhor se Ele tivesse ficado connosco para sempre? Se ainda hoje pudéssemos escutar a Sua voz ou olhar o Seu sorriso? A alegria proposta na liturgia deste Domingo é uma alegria difícil de entender...

A Ascensão é a última prova de que Deus, em Jesus, assumiu realmente e plenamente a nossa humanidade. Uma humanidade que se caracteriza por uma série de limites, sendo um deles o limite do tempo. Neste mundo ninguém vive para sempre. Uma regra que nem mesmo o mistério da Incarnação pôde quebrar. Jesus vence a morte, mas a sua presença tem de se transformar porque os homens (e Cristo era verdadeiramente homem) podem experimentar a eternidade somente quando juntos a Deus Pai.

Em Cristo, Deus assumiu profundamente a nossa humanidade e por isso não podia negar-se esta última experiência, tipicamente humana, que caracteriza a nossa existência terrena: a experiência da separação, da distância e da saudade.

Mas a Ascensão é verdadeiramente festa! O mistério do “regresso ao Pai” significa a dilatação máxima do Amor de Cristo, sem limites de tempo ou de espaço. Jesus não nos abandonou e nem sequer está longe. Junto a Deus Pai e através da acção do Espirito Santo, Cristo acompanha a Sua Igreja e nunca abandona o Seu rebanho.

E esta presença torna-se visível, palpável, indiscutível se deixamos que o Seu Santo Espírito guie as nossas palavras e gestos: quando vencemos as injustiças e as opressões (“expulsarão os demónios em meu nome”); quando somos mensageiros da paz e do entendimento (“falarão novas línguas”); quando levamos esperança e conforto a todos os que sofrem e que são prisioneiros da doença e do sofrimento (“quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados”).

A presença de Jesus não é uma força mágica. Não o era antes da Ascensão e nem sequer depois. A presenças de Jesus é o Amor que se incarna, que se doa, que se faz relação com os irmãos e que é presente, como dom, no meio de nós. Façamos festa por este grande dom!




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sábado, 16 de maio de 2009

6º DOMINGO DA PÁSCOA (ano B)



Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 10,25-26.34-35.44-48)
Naqueles dias, Pedro chegou a casa de Cornélio. Este veio-lhe ao incontro e prostrou-se a seus pés. Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou um simples homem». Pedro disse-lhe ainda: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável». Ainda Pedro falava, quando o Espírito desceu sobre todos os que estavam a ouvir a palavra. E todos os fiéis convertidos do judaísmo, que tinham vindo com Pedro, ficaram maravilhados ao verem que o Espírito Santo se difundia também sobre os gentios, pois ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a Deus. Pedro então declarou: «Poderá alguém recusar a água do Baptismo aos que receberam o Espírito Santo, como nós?» E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo. Então, pediram-lhe que ficasse alguns dias com eles.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 97 (98)

Refrão : O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.

Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.


Leitura da Primeira Epístola de São João
(1 Jo 4,7-10)
Caríssimos: Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 15,9-17)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, Assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».



ÁGAPE
Pesquisar o termo “amor” na internet produz cerca de 190.000.000 resultados diferentes. Páginas e páginas de definições, textos, imagens, poesias, etc., tão diferentes entre elas que nos ajudam a compreender os mil usos (e abusos) que fazemos desta palavra hoje em dia.

Uma das páginas que encontrei propunha as respostas de um questionário dado a alunos do primeiro ciclo. Uma das perguntas era a seguinte: Porque é que as pessoas se apaixonam? («Why do people fall in love?». O questionário foi feito em inglês; a tradução é minha)

O André, de apenas 6 aninhos, respondeu que: «um menino, por exemplo, tem sardas e por isso, vai à procura de uma menina que tenha sardas também».

A Maria, que já tem 9 anos, disse que: «ninguém sabe explicar muito bem como tudo começa, mas parece que tem alguma coisa a haver com o cheiro das pessoas. É por isso que perfumes e desodorizantes se vendem tão bem».

O Manuel (8 anos) acha que: «é preciso ser atingidos por uma flecha, ou algo de parecido. Mas o resto já não deve doer tanto».

Quando crescemos as coisas não se tornam mais fáceis e o amor continua a ser, para todos nós, um grande mistério.

O grego antigo (a língua em que foi escrito o Evangelho de S. João) possui quatro palavras diferentes que podem ser traduzidas com o termo “amor”.

“Éros” (ερως) designa o amor passional, carregado de desejo sensual e atracção física.
“Phília” (φιλία), significa amizade ou o amor entre amigos e familiares.
“Stórghe” (στοργή), uma palavra utilizada ainda hoje no grego moderno: refere-se principalmente ao afecto natural que se gera, por exemplo, entre os pais e os filhos.

No evangelho deste Domingo, quando encontramos a palavra “amor” estamos a traduzir a seguinte palavra grega: “ágape” (αγάπη).

«É este o meu mandamento: que vos AMEIS uns aos outros, como Eu vos AMEI».

Ágape é um amor diferente, muito especial e que caracteriza a revelação que Jesus Cristo fez de Seu Pai. Ágape é o amor de dilecção, oblativo, gratuito. Um amor que não procura o próprio interesse mas sim o bem do outro. Um amor que não se preocupa em receber, mas que vive para dar. Ágape é o amor que perdura, mesmo quando não obtém resposta; que subsiste ainda que seja ferido ou magoado.

Este é o amor que Jesus testemunhou com a Sua vida. É o amor que somos convidados a viver. O mandamento deste Domingo pode parecer simples, mas não é fácil. É um desafio! É algo que nunca conquistamos por completo, mas que devemos continuar a perseguir sempre, pois apenas este caminho pode levar-nos à alegria e alegria completa!

(Tenham uma boa semana!)



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sábado, 9 de maio de 2009

5º DOMINGO DA PÁSCOA (ano B)



Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 9,26-31)
Naqueles dias, Saulo chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos os temiam, por não acreditarem que fosse discípulo. Então, Barnabé tomou-o consigo, levou-o aos Apóstolos e contou-lhes como Saulo, no caminho, tinha visto o Senhor, que lhe tinha falado, e como em Damasco tinha pregado com firmeza em nome de Jesus. A partir desse dia, Saulo ficou com eles em Jerusalém e falava com firmeza no nome do Senhor. Conversava e discutia também com os helenistas, mas estes procuravam dar-lhe a morte. Ao saberem disto, os irmãos levaram-no para Cesareia e fizeram-no seguir para Tarso. Entretanto, a Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, edificando-se e vivendo no temor do Senhor e ia crescendo com a assistência do Espírito Santo.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 21 (22)

Refrão: Eu Vos louvo, Senhor, na assembleia dos justos.

Cumprirei a minha promessa na presença dos vossos fiéis.
Os pobres hão-de comer e serão saciados,
louvarão o Senhor os que O procuram:
vivam para sempre os seus corações.

Hão-de lembrar-se do Senhor e converter-se a Ele
todos os confins da terra;
e diante d’Ele virão prostrar-se
todas as famílias das nações.

Só a Ele hão-de adorar
todos os grandes do mundo,
diante d’Ele se hão-de prostrar
todos os que descem ao pó da terra.

Para Ele viverá a minha alma,
há-de servi-l’O a minha descendência.
Falar-se-á do Senhor às gerações vindouras
e a sua justiça será revelada ao povo que há-de vir:
«Eis o que fez o Senhor».


Leitura da Primeira Epístola de São João
(1 Jo 3,18-24)
Meus filhos, não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade. Deste modo saberemos que somos da verdade e tranquilizaremos o nosso coração diante de Deus; porque, se o nosso coração nos acusar, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. Caríssimos, se o coração não nos acusa, tenhamos confiança diante de Deus e receberemos d’Ele tudo o que Lhe pedirmos, porque cumprimos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe é agradável. É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou. Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. E sabemos que permanece em nós pelo Espírito que nos concedeu.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 15,1-8)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».



(Esta semana, no lugar do comentário às leituras dominicais, proponho-vos uma outra reflexão.)



As boas notícias nunca chegam às 4 da manhã. Ontem à noite (sexta-feira) quando o telemóvel tocou, pensei de imediato no meu tio. Há já um ano que lutava contra um cancro e a sua situação tinha-se agravado nestes últimos dias.

O quarto iluminou-se com a luz do pequeno ecrã azul e a mensagem que encontrei confirmava os meus receios.

Depois de ler a mensagem, coloquei o telemóvel de novo na cómoda. Rezei. Chorei. Tentei ligar para a minha família.

Enquanto tentava contactar os meus pais veio-me à memória uma entrevista que vi há algum tempo na televisão. Uma famosa actriz americana tinha presenciado a morte de um seu amigo e descrevia ao jornalista como tudo tinha se passado.

Esse amigo estava doente com sida há muito tempo e no momento em que faleceu, várias pessoas estavam presentes pois tinham ido visitá-lo para lhe dar um último adeus. O que impressiona nesta história é que a morte, neste caso, não foi algo de instantâneo, como um interruptor que se apaga. Foi gradual, intermitente, como uma lâmpada que pisca várias vezes antes de se apagar para sempre.

A uma certa altura parecia que tudo tinha terminado: o corpo estava sem vida. Todos no quarto fizeram silêncio.

De repente, o “defunto” abriu os olhos: estava de volta! Ele mesmo parecia surpreendido por estar de novo ali e com entusiasmo disse estas palavras aos amigos que o olhavam incrédulos:

«É tão bonito! É tudo tão bonito!»

Um dos que estavam no quarto pegou-lhe na mão e perguntou:

«O quê?»

Quase todos pensaram que iam ouvir algo sobre uma luz ou um túnel... mas o que ele disse foi:

«É Amor!»

Repetiu mais uma vez:

«É tudo Amor!»

Depois sorriu, fechou os olhos e morreu.




A morte é um momento difícil, doloroso, mas não nos deve assustar, pois esconde no silêncio a promessa de um novo começo. O evangelho de ontem só parecia ter sido escolhido a dedo e nele Jesus dizia(-me) o que eu precisava de ouvir:

«Não se perturbe o vosso coração!
Credes em Deus, crede também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas.
Se não fosse assim, eu vos teria dito,
pois vou preparar-vos um lugar,
e quando eu me for
e vos tiver preparado um lugar,
virei novamente e vos levarei comigo,
a fim de que, onde eu estiver,
estejais vós também».





Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso, entre os esplendores da luz perpétua. Descanse em paz. Ámen.

S. C. Franco
7 VIII 1946 - 8 V 2009


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sábado, 2 de maio de 2009

4º DOMINGO DA PÁSCOA (ano B)



Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 4,8-12)
Naqueles dias, Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: «Chefes do povo e anciãos, já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e o modo como ele foi curado, ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença. Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar-se pedra angular. E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 117 (118)

Refrão: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Mais vale refugiar-se no Senhor,
do que fiar-se nos homens.
Mais vale refugiar-se no Senhor,
do que fiar-se nos poderosos.

Eu Vos darei graças porque me ouvistes
e fostes o meu Salvador.
A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.

Bendito o que vem em nome do Senhor,
da casa do Senhor nós vos bendizemos.
Vós sois o meu Deus: eu Vos darei graças.
Vós sois o meu Deus: eu Vos exaltarei.
Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.


Leitura da Primeira Epístola de São João
(1 Jo 3,1-2)
Caríssimos: Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 10,11-18)
Naquele tempo, disse Jesus. «Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas, logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge, enquanto o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário não se preocupa com as ovelhas. Eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me, do mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; Eu dou a minha vida pelas minhas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. Por isso o Pai Me ama: porque dou a minha vida, para poder retomá-la. Ninguém Ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente. Tenho o poder de a dar e de a retomar: foi este o mandamento que recebi de meu Pai».


“CARNEIRADA”?
Hoje em dia as imagens do rebanho e do pastor perderam um pouco da sua beleza, pois ninguém quer ser ovelha e todos sonham ser pastores; líderes seguidos pelas multidões. Mas é bom que não acreditemos demasiado na nossa autonomia e independência: todos nós temos vários “pastores”, que nos guiam, condicionam e influenciam!

(Mesmo aqueles que não querem pertencer à “carneirada”, acabam inevitavelmente por fazer parte do grande rebanho de todos aqueles que não querem estar no rebanho.... e são guiados por pastores também.)

Podem ser as expectativas das pessoas que nos rodeiam, os modelos sociais que a comunicação social nos propõe, ou simplesmente a educação que recebemos dos nossos pais, mas de alguma forma, todos nós estamos onde estamos (e somos como somos) porque alguém nos conduziu até aqui. Por isso é importante que nos perguntemos: quem andamos a seguir? Quem é o nosso pastor?

No evangelho desta semana Jesus é apresentado como um pastor especial, diferente de todos os outros. Os pastores mercenários guiam o rebanho em troca de algo e procuram o próprio interesse. Cristo é o pastor disposto a dar a vida pelas ovelhas; capaz de tudo pelo bem do seu rebanho. Essa é a grande diferença que caracteriza o bom pastor. Ele não quer vender as suas ideias ou ganhar a nossa admiração, mas apenas procura o nosso bem.

Deus não me ama porque eu sou bom, mas amando-me torna-me bom.
Deus não me ama porque quer a minha adoração. Ama-me porque não consegue não amar-me. Ele é o Amor! Um amor puro, gratuito e doado sem condições.

Fazer parte do rebanho de Cristo não significa renunciar à própria inteligência ou abdicar do próprio poder de decisão. Fazer parte deste rebanho significa escolher. Escolher com consciência, com liberdade, com maturidade! Significa seguir Cristo. Deixar que Ele seja o nosso modelo, o nosso ideal... o nosso pastor.

(Tenham uma boa semana!)


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