quarta-feira, 27 de maio de 2015

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE (ano B)

Leitura do Livro do Deuteronómio
(Deut 4,32-34.39-40)
Moisés falou ao povo, dizendo: «Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante? Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver? Qual foi o deus que formou para si uma nação no seio de outra nação, por meio de provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egipto, diante dos vossos olhos? Considera hoje e medita no teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro. Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33)
Refrão: Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.

A palavra do Senhor criou os céus,
o sopro da sua boca os adornou.
Ele disse e tudo foi feito,
Ele mandou e tudo foi criado.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Romanos 8,14-17)
Irmãos: Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abba, Pai». O próprio Espírito dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus. Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo; se sofrermos com Ele, também com ele seremos glorificados.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 28,16-20)
Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».


BOA NOTÍCIA
O Amante, o Amado e o Amor
No próximo domingo celebraremos a Festa da Santíssima Trindade. Podemos legitimamente perguntar-nos: se para tantas pessoas já é difícil acreditar na existência de Deus, para quê complicar as coisas acrescentando essa fórmula misteriosa de que Ele é “uno e trino”; de que 1+1+1=1? Para além do mais, hoje em dia, várias pessoas renunciariam tranquilamente a essa fórmula trinitária, pois acreditam que assim se poderia dialogar mais facilmente com os judeus e os muçulmanos, cujos credos prevêem um Deus rigidamente único…

A verdade é que não podemos renunciar à Trindade. Porquê? Porque acreditamos que Deus é Amor! Mas não existe um amor vazio, que não seja dirigido a alguém. Deus ama quem, para que possamos defini-l’O “Amor”?

«Deus ama os homens!» Mas os homens existem há apenas alguns milhões de anos, não mais do que isso. Aliás, tudo indica que o próprio universo também só exista há alguns biliões de anos. E antes? Deus amava quem?

Eis então a resposta da revelação cristã: Deus é Amor porque, desde sempre, ama o Filho, o Verbo, com um amor infinito, que é o Espírito Santo. No acto de amar encontramos três realidades: quem ama, quem é amado e o amor que os une. A reflexão teológica serviu-se dos termos “natureza” ou “substância” para indicar em Deus a unidade e do termo “pessoa” para indicar a distinção. Por isso dizemos que a Santíssima Trindade é um único Deus em três pessoas distintas. No entanto, a doutrina trinitária não é um compromisso entre o monoteísmo e o politeísmo. Pelo contrário, é um progresso extraordinário que introduz na nossa concepção de Deus um elemento novo, dinâmico e fundamental: Deus é relação, diálogo, comunhão!

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 27.05.2015



.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

DOMINGO DE PENTECOSTES (ano B)

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Actos 2, 1-11)
Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».


SALMO RESPONSORIAL - Salmo 103 (104), 1ab e 24ac.29bc-30.31.34
Refrão: Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
A terra está cheia das vossas criaturas.

Se lhes tirais o alento, morrem
e voltam ao pó donde vieram.
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida
e renovais a face da terra.

Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
Grato Lhe seja o meu canto
e eu terei alegria no Senhor.


Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios
(Cor 12, 3b-7.12-13)
Irmãos: Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela acção do Espírito Santo. De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 20,19-23)
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».


BOA NOTÍCIA
Parabéns a você, nesta data querida…
Cinquenta dias depois da Páscoa, a Igreja convida-nos para o seu aniversário! No próximo domingo, dia 24, celebramos a solenidade de Pentecostes, que recorda, em primeiro lugar, o dom do Espírito Santo, mas também o “nascimento” da Igreja que, animada pela presença do Paráclito, pode finalmente anunciar ao mundo a boa notícia pascal: Jesus Cristo ressuscitou! E é precisamente Ele, o Ressuscitado, quem encontramos no Evangelho deste domingo, a dar aos seus discípulos as últimas instruções e o dom prometido: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo».

Jesus sopra sobre os seus discípulos! É um gesto que recorda a acção de Deus na Criação, tal como nos foi descrita poeticamente no livro de Génesis, quando Ele «formou o homem do pó da terra, lhe insuflou pelas narinas o sopro da vida e o homem se transformou num ser vivo» (Gn 2,7). Ao soprar sobre os seus discípulos, Jesus diz-nos que o Espírito Santo é o vento divino que dá vida à nova criação, assim como deu vida à primeira. Também o salmo responsorial põe bem em relevo esta realidade, quando nos convida a cantar: «Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra».

Foi no dia de Pentecostes que começou esse grande renovamento! O dom do Espírito Santo inaugurou um novo tempo: o tempo da Igreja, comunidade incoerente e frágil porque formada de homens e mulheres frágeis: eu que escrevo, tu que lês… Não é preciso pensar em outros. Frágeis! Mas capazes de feitos extraordinários (de santidade!) quando escutamos e vivemos o que o Espírito nos sugere.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 20.05.2015



.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

ASCENSÃO DO SENHOR (ano B)

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 1,1-11)
No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, «da Qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 46 (47)
Refrão: Por entre aclamações e ao som da trombeta, ergue-Se Deus, o Senhor.

Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra.

Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios
(Ef 1,17-23)
Irmãos: O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 16,15-20)
Naquele tempo, Jesus apareceu aos Doze e disse-lhes: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados». E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.


BOA NOTÍCIA
Deus tem fé no Homem
A Festa da Ascensão (celebrada em França no dia 14 e em Portugal no dia 17) assinala o fim de um capítulo: terminaram os anos da presença histórica de Jesus Cristo entre nós. Na semana seguinte, com a solenidade de Pentecostes, recordaremos a vinda do Espírito Santo e a entrada definitiva no tempo da Igreja. «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura». Com estas palavras, Jesus confia aos apóstolos a missão de anunciar ao mundo tudo aquilo que Ele revelou.

Não acham estranha esta decisão? Colocar uma missão tão importante nas mãos de pessoas que, durante a Páscoa, demonstraram ser frágeis e incoerentes?

Existe apenas uma explicação: Deus tem fé no Homem! Ele ama-nos e acredita que podemos mudar; que podemos ser a melhor versão possível de nós mesmos. Por incrível que pareça, Ele escolheu-nos (a ti e a mim, querido leitor!) para anunciarmos ao mundo a Palavra. Somos os melhores? Não. Os mais inteligentes e sábios? Não. Os mais bonitos e fascinantes? Não. Somos tal e qual como os apóstolos. Somos Pedro, Tiago, João... e às vezes, até Judas. Uma comunidade, não de gente perfeita, mas de gente perdoada. Uma Igreja em caminho, confortada pelo Espírito e à procura de respostas para as perguntas que a História lhe coloca.

Deus ama-nos e quer que alcancemos a maturidade; que sejamos cristãos adultos. Ama-nos e por isso teve que esconder a sua presença, limitar a sua influência, para que pudéssemos ser livres nas nossas escolhas. Ama-nos! E confia que conseguiremos construir o Reino, purificar a nossa fé e anunciar o Seu amor.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 13.05.2015


N.B. - No que diz respeito às Festas de Guarda, o calendário litúrgico pode apresentar algumas diferenças consoante o país. O blog “Liturgia da Palavra” segue desde a sua criação a agenda prevista pela Conferência Episcopal Portuguesa. Por este motivo, coloco à vossa disposição as leituras da Festa da Ascensão e não aquelas do 7º Domingo da Páscoa.



.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

6º DOMINGO DA PÁSCOA (ano B)

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 10,25-26.34-35.44-48)
Naqueles dias, Pedro chegou a casa de Cornélio. Este veio-lhe ao incontro e prostrou-se a seus pés. Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou um simples homem». Pedro disse-lhe ainda: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável». Ainda Pedro falava, quando o Espírito desceu sobre todos os que estavam a ouvir a palavra. E todos os fiéis convertidos do judaísmo, que tinham vindo com Pedro, ficaram maravilhados ao verem que o Espírito Santo se difundia também sobre os gentios, pois ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a Deus. Pedro então declarou: «Poderá alguém recusar a água do Baptismo aos que receberam o Espírito Santo, como nós?» E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo. Então, pediram-lhe que ficasse alguns dias com eles.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 97 (98)
Refrão : O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.

Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.


Leitura da Primeira Epístola de São João
(1 Jo 4,7-10)
Caríssimos: Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 15,9-17)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, Assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».


BOA NOTÍCIA
Ágape
No Evangelho do próximo domingo, dia 10, encontramos a “lei” fundamental que Jesus nos deixou: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei». Porém, o que significa exactamente “amar”? Pesquisar o termo “amor” na internet produz milhares de resultados diferentes! São páginas e páginas de discordâncias e contradições, que ilustram claramente os mil usos (e abusos) que fazemos desta palavra hoje em dia.

Por sua vez, o grego antigo (a língua em que foi escrito este Evangelho) possui quatro palavras diferentes, que podem ser traduzidas com o termo “amor”. “Éros”, que designa o amor passional, carregado de desejo sensual e atracção física. “Phília”, que significa amizade ou o amor entre amigos e familiares. “Stórghe”, uma palavra utilizada ainda hoje no grego moderno e que se refere principalmente ao afecto natural que se gera, por exemplo, entre pais e filhos.

A última palavra é “ágape”: é este o termo que encontramos no Evangelho desta semana. “Ágape” indica um sentimento diferente, muito especial e que caracteriza a revelação que Jesus Cristo fez de Seu Pai. “Ágape” é o amor de dilecção, oblativo, gratuito. Um amor que não procura o próprio interesse mas sim o bem do outro. Um amor que não se preocupa em receber, mas que vive para dar. “Ágape” é o amor que perdura, mesmo quando não obtém resposta; que subsiste ainda que seja ferido ou magoado. Este é o amor que Jesus testemunhou com a Sua vida. É o amor que somos convidados a viver; é a estrada que somos chamados a percorrer. Bom caminho!

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 06.05.2015



.

ASSINAR ESTE BLOGUE - Follow by Email

Arquivo do blogue