sábado, 28 de fevereiro de 2009

1º DOMINGO DO TEMPO DA QUARESMA (ano B)

Leitura do Livro do Génesis
(Gn 9,8-15)
Deus disse a Noé e a seus filhos: «Estabelecerei a minha aliança convosco, com a vossa descendência e com todos os seres vivos que vos acompanham: as aves, os animais domésticos, os animais selvagens que estão convosco, todos quantos saíram da arca e agora vivem na terra. Estabelecerei convosco a minha aliança: de hoje em diante nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio e nunca mais um dilúvio devastará a terra». Deus disse ainda: «Este é o sinal da aliança que estabeleço convosco e com todos os animais que vivem entre vós, por todas as gerações futuras: farei aparecer o meu arco sobre as nuvens e aparecer nas nuvens o arco, recordarei a minha aliança convosco e com todos os seres vivos e nunca mais as águas formarão um dilúvio para destruir todas as criaturas».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 24 (25)
Refrão: Todos os vossos caminhos, Senhor, são amor e verdade para os que são fiéis à vossa aliança.

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador.

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.

O Senhor é bom e recto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer a sua aliança.


Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
(1 Pe 3,18-22)
Caríssimos: Cristo morreu uma só vez pelos pecados – o Justo pelos injustos – para vos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito. Foi por este Espírito que Ele foi pregar aos espíritos que estavam na prisão da morte e tinham sido outrora rebeldes, quando, nos dias de Noé, Deus esperava com paciência, enquanto se construía a arca, na qual poucas pessoas, oito apenas, se salvaram através da água.


Evangelho de Nosso senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 1,12-15)
Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».


40
Terminou o carnaval e entrámos no tempo litúrgico da Quaresma, o período, tal como o próprio nome sugere, dos quarenta dias que antecedem e nos preparam para a Páscoa.

O número quarenta não foi escolhido por acaso e não se explica apenas com a referência, que encontramos no Evangelho deste Domingo, ao tempo que Jesus passou no deserto. No Antigo Testamento este número aparece muitas vezes, sempre carregado de um profundo simbolismo e associado a momentos excepcionais de purificação, conversão e preparação para uma nova realidade, um novo estilo de vida.

Podemos recordar por exemplo:
os quarenta dias do dilúvio universal (Génesis 7,4.12.17;8,6);
os quarentas dias passados por Moisés no monte Sinai (Êxodo 24,18; Deuteronómio 9,9.11.18.25;10,10);
os quarenta anos que o povo de Israel caminhou no deserto (Deuteronómio 2,7);
os quarenta dias em que os exploradores hebreus estudaram a terra de Canaã antes que todo o povo entrasse (Números 13,25);
os quarenta dias de caminho que o profeta Elias demorou para alcançar o monte Horeb (1Reis 19,8);
e enfim, os quarenta dias, que na pregação de Jonas, Deus deu à cidade de Nínive como prazo antes da sua destruição (Jonas 3,4).

Cada um destes episódios recorda um momento crucial e decisivo que alterou e reformou profundamente a vida de uma pessoa, de uma cidade ou de um povo. O perigo que corremos hoje é que, no período de Quaresma, abandonadas as máscaras que alegraram o nosso carnaval, coloquemos uma outra máscara que disfarça a nossa realidade pessoal: a máscara do penitente.

A Quaresma é o tempo da verdade! O momento em que somos capazes de chamar as coisas pelo seu próprio nome e de reconhecer quem somos e o que estamos a fazer com a nossa vida. Não queremos continuar a fingir. Não é um momento para falsas tristezas ou renúncias inúteis. Renúncias que esquecemos e abandonamos assim que chega o Domingo de Páscoa! (Serviram a alguma coisa?)

Quaresma é o momento da “ascese”, que em grego significa “treino”. É o momento da preparação para o encontro com o Senhor e do início de um novo estilo de vida. Não precisamos de “inventar” mais tristezas e sobrecarregar um cristianismo já tão “tristemente” corrompido e falsificado. O que precisamos é de uma fé corajosa e verdadeira, que seja capaz de decidir mudanças, que se treinam durante 40 dias, mas que depois duram para a vida inteira.

Boa Quaresma!



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sábado, 21 de fevereiro de 2009

VII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)



Leitura do Livro de Isaías
(Is 43,18-19.21-22.24b-25)
Eis o que diz o Senhor: «Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados, não presteis atenção às coisas antigas. Eu vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não o vedes? Vou abrir um caminho no deserto, fazer brotar rios na terra árida. O povo que formei para Mim proclamará os meus louvores. Mas tu não Me chamaste, Jacob, não te preocupaste Comigo, Israel. Pelo contrário, obrigaste-Me a suportar os teus pecados, cansaste-Me com as tuas iniquidades. Sou Eu, sou Eu que, em atenção a Mim, tenho de apagar as tuas transgressões e não mais recordar as tuas faltas».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 40 (41)
Refrão: Salvai-me, Senhor, porque pequei contra Vós.

Feliz daquele que pensa no pobre:
no dia da desgraça o Senhor o salvará.
O Senhor lhe concederá protecção e vida, fá-lo-á ditoso na terra
e não o abandonará ao ódio dos seus inimigos.

No leito do sofrimento o Senhor o assistirá
e na doença o aliviará.
Eu digo: Senhor, tende piedade de mim,
curai-me, pois pequei contra Vós.

Vós me conservareis são e salvo
e em vossa presença me estabelecereis para sempre.
Bendito seja o Senhor, Deus de Israel,
desde agora e para sempre. Amen.


Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
2 Cor 1,18-22
Irmãos: Deus é testemunha fiel de que a nossa linguagem convosco não é sim e não. Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, que nós pregamos entre vós – eu, Silvano e Timóteo – não foi sim e não, mas foi sempre um sim. Todas as promessas de Deus são um sim em seu Filho. É por Ele que nós dizemos ‘Amen’ a Deus para sua glória. Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus. Foi Ele que nos concedeu a unção, nos marcou com o seu sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 2,1-12)
Quando Jesus entrou de novo em Cafarnaum e se soube que Ele estava em casa, juntaram-se tantas pessoas que já não cabiam sequer em frente da porta; e Jesus começou a pregar-lhes a palavra. Trouxeram-Lhe um paralítico, transportado por quatro homens; e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão, descobriram o tecto por cima do lugar onde Ele Se encontrava e, feita assim uma abertura, desceram a enxerga em que jazia o paralítico. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados». Estavam ali sentados alguns escribas, que assim discorriam em seus corações: «Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar. Não é só Deus que pode perdoar os pecados?» Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, perguntou-lhes: «Porque pensais assim nos vossos corações? Que é mais fácil? Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou dizer ‘Levanta-te, toma a tua enxerga e anda’? Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, ‘Eu to ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa’». O homem levantou-se, tomou a enxerga e saiu diante de toda a gente, de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim».



CONFESSAR O QUÊ?
Cada vez menos pessoas celebram o sacramento da reconciliação. Por vezes esta tendência é associada ao individualismo difuso nas nossas sociedades que, a nível religioso, se declinou numa confissão-absolvição directa e pessoal com Deus, sem a necessidade dos “interlocutores incómodos” que são os sacerdotes. Parece-me no entanto que a causa do declínio deste sacramento também possa ser outra. Basta que nos perguntemos: no mundo moderno ainda há alguém que peque?

Hoje em dia, aparentemente, já quase ninguém peca. Que bom! Ou não? Para que uma pessoa se considere um pecador é preciso, no mínimo, que tenha violado ou assassinado alguém. E mesmo nesses casos, é preciso ver se não há atenuantes. Provavelmente tudo isto é uma reacção a uma antiga forma de pregação que privilegiava exageradamente o tema do pecado e da culpa. O que é certo, é que passámos do «quase tudo é pecado» a uma nova mentalidade onde «quase nada é pecado».

Tudo se desculpa com: o meu temperamento... o meu “ser assim”... os outros que me provocam... alguns maus hábitos... algumas “inocentes” transgressões... e todas aquelas coisas que me perdoo instantaneamente com as fórmulas mágicas do «todos fazem isto» ou então, «mas o que é que isso tem de mal?». O pecado hoje em dia só existe nos outros, porque pessoalmente perdoamo-nos, justificamo-nos e absolvemo-nos tão depressa que até Nosso Senhor Jesus Cristo já começa a invejar o nosso “coração misericordioso”...

Que pena que toda esta misericórdia e compreensão só “funcionem” quando os culpados somos nós!

Não podemos viver uma vida inteira a comparar-nos com os piores, ou a desculpar-nos com frases infantis. A realidade do pecado não é a transgressão de regras impostas por um Deus severo que limita a nossa liberdade. O pecado é tudo aquilo que na minha vida me impede de ser a obra-prima que posso ser, que Deus quer que eu seja. O pecado é mau, porque é mau para mim, porque me limita, deforma-me, paralisa-me, impede-me de ser tudo aquilo de bom que posso ser, que posso construir com a minha vida.

Temos de desejar a salvação, de procurá-la. Acreditar que podemos ser mais. Confessar que queremos ser mais. Então também nós escutaremos a voz de Cristo que nos diz: «levanta-te, toma a tua enxerga e começa a caminhar».

Bom caminho!



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sábado, 14 de fevereiro de 2009

VI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)



Leitura do Livro do Levítico
(Lev 13,1-2.44-46)
O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo: «Quando um homem tiver na sua pele algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada, que possa transformar-se em chaga de lepra, devem levá-lo ao sacerdote Aarão ou a algum dos sacerdotes, seus filhos. O leproso com a doença declarada usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’ Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 31 (32)
Refrão: Sois o meu refúgio, Senhor; dai-me a alegria da vossa salvação.

Feliz daquele a quem foi perdoada a culpa
e absolvido o pecado.
Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade
e em cujo espírito não há engano.

Confessei-vos o meu pecado
e não escondi a minha culpa.
Disse: Vou confessar ao Senhor a minha falta
e logo me perdoastes a culpa do pecado.

Vós sois o meu refúgio, defendei-me dos perigos,
fazei que à minha volta só haja hinos de vitória.
Alegrai-vos, justos, e regozijai-vos no Senhor,
exultai, vós todos os que sois rectos de coração.


Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
(1 Cor 10,31-11,1)
Irmãos: Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus. Fazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se. Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 1,40-45)
Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante a lepra deixou-o e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.




O SEGREDO
«Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: Não digas nada a ninguém». Estas palavras não podem deixar de nos surpreender. Há dois mil anos atrás, curar um leproso era quase como ressuscitar um morto! O milagre realizado por Jesus é uma prova extraordinária, quase irrefutável da sua potência e divindade. Então, porquê pedir que se mantenha tudo em segredo?

E este não é um caso isolado. No Evangelho de Marcos podemos encontrar muitos outros exemplos de episódios em que Jesus pede que se faça silêncio sobre as suas obras. Por exemplo:

«curou muitos que estavam oprimidos de diversas doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não lhes permitia falar, porque o conheciam» (Mc 1,34)

«imediatamente a menina levantou-se e pôs-se a caminhar. Eles ficaram assombrados. Jesus ordenou-lhes severamente que ninguém o soubesse»(Mc 5,42-43)

«os ouvidos abriram-se, a prisão da língua desfez-se e ele falava perfeitamente. Proibiu-lhes que o dissessem a alguém. Mas quanto mais lhes proibia, tanto mais o publicavam» (Mc 7, 35,36)

É realmente difícil entender esta atitude constante de Jesus. Não teria tido muitos mais seguidores se estes milagres tivessem sido explorados e publicitados ao máximo? Porquê todo este segredo?

Em primeiro lugar, Jesus Cristo não quer iludir o povo. Na Palestina ocupada pelo Império Romano, a “febre messiânica” assumia contornos profundamente políticos e nacionalistas. Jesus sabe que o seu messianismo não passa por um trono político (como sonhavam as multidões), mas pelo escândalo e sofrimento da cruz.

Um outro perigo que Ele quer evitar é que a atenção das pessoas recaia toda sobre os seus milagres e não sobre a sua mensagem. Os milagres de Jesus são sinais que revelam a Sua verdadeira identidade. São como um dedo que indica na direcção de uma estrela. Mas imaginem que tristeza se as pessoas se deixassem encantar pela imagem do dedo de quem aponta e nunca erguessem os olhos para o céu...


(Tenham uma boa semana!)


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sábado, 7 de fevereiro de 2009

V DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)



Leitura do Livro de Job
(Job 7,1-4.6-7)
Job tomou a palavra, dizendo: «Não vive o homem sobre a terra como um soldado? Não são os seus dias como os de um mercenário? Como o escravo que suspira pela sombra e o trabalhador que espera pelo seu salário, assim eu recebi em herança meses de desilusão e couberam-me em sorte noites de amargura. Se me deito, digo: ‘Quando é que me levanto?’ Se me levanto: ‘Quando chegará a noite?’ E agito-me angustiado até ao crepúsculo. Os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear e desvanecem-se sem esperança. – Recordai-Vos que a minha vida não passa de um sopro e que os meus olhos nunca mais verão a felicidade».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 146 (147)
Refrão: Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

Louvai o Senhor, porque é bom cantar,
é agradável e justo celebrar o seu louvor.
O Senhor edificou Jerusalém,
congregou os dispersos de Israel.

Sarou os corações dilacerados
e ligou as suas feridas.
Fixou o número das estrelas
e deu a cada uma o seu nome.

Grande é o nosso Deus e todo-poderoso,
é sem limites a sua sabedoria.
O Senhor conforta os humildes
e abate os ímpios até ao chão.


Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
(1 Cor 9,16-19.22-23)
Irmãos: Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória, é uma obrigação que me foi imposta. Ai de mim se não anunciar o Evangelho! Se o fizesse por minha iniciativa, teria direito a recompensa. Mas, como não o faço por minha iniciativa, desempenho apenas um cargo que me está confiado. Em que consiste, então, a minha recompensa? Em anunciar gratuitamente o Evangelho, sem fazer valer os direitos que o Evangelho me confere. Livre como sou em relação a todos, de todos me fiz escravo, para ganhar o maior número possível. Com os fracos tornei-me fraco, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo. E tudo faço por causa do Evangelho, para me tornar participante dos seus bens.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 1,29-39)
Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam qual Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.


BUSCOPAN E VOLTAREN*
Nem de propósito, depois de uma semana em que as dores de rins não me deixaram em paz, a liturgia da palavra deste Domingo convida-nos a reflectir sobre o significado do sofrimento humano.

Na primeira leitura encontramos Job, um homem cuja vida aparentemente perfeita é alterada repentinamente por várias tragédias e uma terrível doença que o submergem num sofrimento atroz. O livro de Job é um convite a repensar o “dogma” da retribuição que vê em Deus um juiz, bem definido e previsível, recompensando ou punindo consoante o cálculo da soma das boas e más acções de cada um.

A história de Job põe em causa esta interpretação do sofrimento. Ele é um homem inocente e justo, mas a dor, as doenças e a própria morte fazem parte da nossa condição humana. Não somos deuses. Não somos o Criador. Somos criaturas e por isso mesmo, limitados, finitos e frágeis.

No Evangelho deste Domingo, Jesus cura os males físicos dos habitantes de Cafarnaum. É um sinal necessário para que a Sua identidade messiânica emerja, mas não deve no entanto ofuscar a Sua verdadeira missão. O rosto de Deus que Cristo quer revelar não é o de um “santo milagreiro”, mas sim o rosto de um Pai que deseja que os seus filhos sejam felizes e que essa felicidade seja plena, profunda e real.

Ninguém quer sofrer. Certamente, Deus não quer que o homem sofra. Mas à luz da revelação até mesmo o sofrimento pode assumir um papel importante nesse longo caminho de descoberta do significado da nossa existência. Se o sentido da vida é descobrir o amor e aprender a amar, nem mesmo a dor ou a doença podem impedir que alcancemos a felicidade. Aliás, podem até ser redimidas em Jesus Cristo e transformadas por Ele em instrumento de salvação e ocasiões de graça.

Pode parecer incrível, mas muitas vezes é nos momentos mais difíceis e dolorosos de uma vida, que se descobre o real valor das pessoas e coisas que nos rodeiam. A aliança no monte Sinai teria sido possível sem a escravidão do Egipto ou a aridez do deserto? A fé de Simão Pedro teria tido a mesma robustez sem a experiência da prisão de Jesus e a vergonha de O ter negado?

Ninguém quer sofrer, mas até mesmo o sofrimento pode tornar-se ocasião de graça, de descoberta, de crescimento e de salvação.

(Tenham uma boa semana!)

* Buscopan e Voltaren são os dois medicamentos que ando a tomar para aliviar a cólica renal...



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