sábado, 26 de dezembro de 2009

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA (ano C)

Leitura do Livro de Ben-Sirá
(Sir 3, 3-7.14-17a [gr. 2-6.12-14])
Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra sua mãe. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida e converter-se-á em desconto dos teus pecados


SALMO RESPONSORIAL Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5
Refrão: Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos.

Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda,
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira,
ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
todos os dias da tua vida.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses
(Col 3, 12-21)
Irmãos: Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 2,41-52)
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.


26 de DEZEMBRO
Um dos riscos que nós cristãos corremos é que, depois de 4 longas semanas de Advento, em que nos preparámos para o Natal (6 semanas, segundo o rito ambrosiano), tudo termine demasiado depressa e na manhã do dia 26, o único vestígio do “espírito natalício” sejam os resto de comida no frigorífico que sobraram do almoço e jantar de Natal.

O tempo do Natal não terminou: acabou de começar! Liturgicamente falando, termina apenas no dia 10 de Janeiro com a Festa do Baptismo do Senhor. Mas o mistério do Natal é algo que nos deve acompanhar durante todo o ano.

«Quando de manhã acordas com o desejo de amar o Senhor e os teus irmãos,
nesse dia é Natal!

Quando encontras alguém que sofre e és generoso, com palavras, conforto e ajuda,
naquele momento é Natal!

Quando visitas alguém doente e te colocas ao seu serviço,
esse gesto é Natal!

Quando renuncias a alguma coisa, para doá-la aos mais necessitados, e ensinas outros a fazer o mesmo,
essa lição é Natal!

Quando sentes remorso pelo dinheiro mal gasto e quando financias gestos concretos de solidariedade fraterna,
esse investimento é Natal!

Quando percebes que a aridez da vida, (culpa do sofrimento, dos rancores e da violência), pode diminuir graças ao teu amor,
exulta, porque no teu coração entrou o Natal!»*



(Um Santo Natal a todos!)
*excerto de uma meditação, escrita originalmente em italiano pelo padre Beniamino Rossi.



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sábado, 19 de dezembro de 2009

4º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO (ano C)



Leitura da Profecia de Miqueias
(Miq 5,1-4a)
Eis o que diz o Senhor: «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 79 (80)
Refrão: Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

Pastor de Israel, escutai,
Vós estais sobre os Querubins, aparecei.
Despertai o vosso poder
e vinde em nosso auxílio.

Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha;
protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,
sobre o filho do homem que para Vós criastes.
Nunca mais nos apartaremos de Vós,
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.


Leitura da Epístola aos Hebreus
(Heb 10,5-10)
Irmãos: Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifício nem oblações, mas formaste-Me um corpo. Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’». Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos, segundo a Lei. Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. É em virtude dessa vontade que nós fomos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1,39-47)
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».


VISITAÇÃO
Em Milão a tradição ambrosiana prevê que durante o tempo do Advento os sacerdotes visitem todas as casas da própria paróquia e celebrem, com as pessoas que encontram, um breve momento de oração e a benção natalícia. É o meu terceiro Natal na Paróquia do Carmo e posso dizer, com alguma segurança que, pelo menos uma vez, entrei em todos os prédios, em todas as lojas, subi e desci todas as escadas e toquei à campainha de todas as portas da minha paróquia.

Encontrei muitas pessoas. Algumas eram rostos familiares; pessoas que frequentam regularmente a igreja e que conheço por nome. Tantos eram perfeitos desconhecidos. Homens e mulheres que não renunciaram à própria fé, mas que perderam há muito tempo qualquer contacto com a comunidade paroquial. Nem sempre fui bem recebido. Nem sempre me abriram a porta, mas a maior parte dos milaneses ainda acolhe com alegria o sacerdote que os visita e traz a benção de Natal.

É essa alegria que encontramos ao centro do Evangelho de hoje: a alegria de Isabel e do irrequieto João Baptista que acolhem na própria casa a jovem Maria e com ela, Jesus Cristo, salvador do mundo. É uma alegria inesperada, pois a chegada de uma prima, ainda solteira e já grávida, deveria criar desassossego no coração de Isabel, mas ela não se deixa enganar pelas aparências e ajudada pela fé e pela graça de Deus, consegue reconhecer naquela jovem o projecto divino de salvação e a presença do Messias esperado.

O Natal é tempo propício para tantos encontros. Abrandado o ritmo frenético do dia-a-dia, amigos e parentes aproveitarão deste momento de repouso para visitar-se, trocar prendas e desejar votos de boas festas. Oxalá sejam todos encontros como aquele entre Isabel e Maria, onde, ajudados pela fé, consigamos ir para lá das aparências e da superficialidade, e descubramos em cada pessoa que bate à nossa porta ou entra na nossa casa, a oportunidade de saudar Jesus e de acolhê-Lo na nossa vida.


(Uma boa semana e um Santo Natal.)



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sábado, 12 de dezembro de 2009

3º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO (ano C)



Leitura da Profecia de Sofonias
(Sof 3,14-18a)
Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa».


SALMO RESPONSORIAL – Is 12,2-3.4bcd.5-6
Refrão: Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.

Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome;
anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
proclamai a todos que o seu nome é santo.

Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a terra.
Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 4,4-7)
Irmãos: Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 3,10-18)
Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?» Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?» João respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».


QUE DEVEMOS FAZER?
Para ser felizes... para não desperdiçar a própria vida... que devemos fazer? É uma pergunta que, mais cedo ou mais tarde, todos nos colocamos. A resposta mais comum, mais “normal”, é aquela já escutada no tempo de Jesus e que ainda hoje não passou de moda: «Enriquece; diverte-te; acumula; mima-te com tudo de bom que a vida oferece. Coloca-te ao centro; defende a tua posição; vive para ti; persegue o teu prazer».

Muitas pessoas acreditam que esta seja a fórmula mágica para ser felizes; a receita que devemos seguir para uma vida de sucesso; uma vida que valha a pena ser vivida. Mas será verdade? São realmente estas as coisas que nos tornam felizes; que dão sentido à nossa vida? E se nos enganássemos? Se tivéssemos investido o nosso tempo, a nossa energia (a nossa vida) no projecto errado? E se todas estas coisas (dinheiro, fama, sexo, diversão...) fossem apenas uma distracção; um diversivo que procura esconder o vazio da nossa vida, mas que não consegue realmente saciar a nossa sede de felicidade?

É esta hipótese que leva as pessoas a interrogar João Baptista e a sua resposta é de uma simplicidade desarmante: «Partilha o que tens. Não roubes. Não sejas violento». Só isto? São estes os "grandes conselhos" do profeta do deserto? É tudo tão simples que quase nos desilude... Mas João tem razão: é nas coisas pequenas e simples que se manifesta a força de Deus. É no quotidiano, no dia-a-dia que a salvação se revela e que a felicidade se constrói. A que servem os raros grandes gestos heróicos se, habitualmente, vivemos vidas desinteressadas e egoístas? A que serve um mês de retiro em silêncio nalgum convento se normalmente nem cinco minutos encontramos para a oração?

Deus Pai não nos pede grandes gestos teatrais e espalhafatosos. Pede-nos perseverança; continuidade. Convida-nos a acolher o seu filho que dorme na manjedoura de um pequeno estábulo em Belém. E esta criança, tal como todos os recém-nascidos, não quer confusão e barulho, mas precisa diariamente de carinho e cuidados constantes.

(Tenham uma boa semana!)


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sábado, 5 de dezembro de 2009

2º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO (ano C)



Leitura do Livro de Baruc
(Bar 5,1-9)
Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus. Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno. Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu; Deus te dará para sempre este nome: «Paz da justiça e glória da piedade». Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo, felizes por Deus Se ter lembrado deles. Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis. Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus. Também os bosques e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel, por ordem de Deus, porque Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 125 (126)
Refrão: Grandes maravilhas fez por nós o Senhor: por isso exultamos de alegria.

Quando o Senhor fez regressar os activos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
Da nossa boca brotavam expressões de alegria
e de nossos lábios cânticos de júbilo.

Diziam então os pagãos:
«O Senhor fez por eles grandes coisas».
Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.

À ida, vão a chorar,
levando as sementes
à volta, vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 1,4-6.8-11)
Irmãos: Em todas as minhas orações, peço sempre com alegria por todos vós, recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho, desde o primeiro dia até ao presente. Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há-de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus. Deus é testemunha de que vos amo a todos no coração de Cristo Jesus. Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 3,1-6)
No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério,quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».


ANO ZERO
O Evangelho de Lucas inicia da seguinte maneira: «Visto que muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram, como no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram "Servidores da Palavra", resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído».

Lucas, um homem de ciência, médico de profissão, compromete-se «depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem», a contar uma nova versão da história de Jesus, o Nazareno. A sua é uma narração obviamente iluminada pela fé na Ressureição, mas que pretende renunciar a todos os elementos lendários e fabulescos que, ordinariamente, rodeiam as biografias das grandes personagens da antiguidade. No Evangelho de hoje encontramos vários exemplos deste seu rigor.

Lucas começa por enquadrar o momento histórico e o espaço geográfico em que João Baptista iniciou a sua actividade profética: nomeia sete contemporâneos célebres de João (desde o imperador Tibério César, até ao sumo sacerdote Caifás) e diz-nos que ele pregava em «toda a zona do rio Jordão», uma região bastante povoada, sobretudo depois das construções de Herodes e de Arquelau. Com estes dados, Lucas recorda-nos que Jesus Cristo não é uma lenda, mas sim, uma pessoa real, ligada a um determinado momento histórico e a uma geografia bem definida.

Quem nasce na gruta de Belém não é um deus distante, imutável e inalcançável. Em Jesus Cristo, Deus irrompe na História dos homens, divide-a para sempre em duas metades e torna-se o “Emanu-El”: Deus connosco. Mas o Senhor da História, não quer apenas entrar genericamente no curso dos acontecimentos da humanidade. Ele é Cristo, “ontem, hoje e sempre” e deseja entrar na vida de cada um de nós, nascer na nossa história pessoal e oferecer o dom da salvação a todos os homens e mulheres do mundo.

O Natal que celebraremos daqui a poucos dias poderá ser o nosso “ano zero”, o momento em que acolheremos Cristo nas nossas vidas, mas para que isso aconteça é necessário preparar os seus caminhos. João Baptista recorda-nos que não basta enfeitar a árvore, montar o presépio ou saudar os amigos dizendo «Bom Natal!»: ocorre a conversão do coração; uma transformação tão profunda e radical quanto o esforço humano de altear um vale ou de abater uma colina.

Ânimo! O Natal está próximo, mas ainda temos muito que fazer.


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