sexta-feira, 30 de setembro de 2016

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano C)

Leitura da Profecia de Habacuc
(Hab 1,2-3; 2,2-4)
«Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não Me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça? Diante de mim está a opressão e a violência, levantam-se contendas e reina a discórdia?» O Senhor respondeu-me: «Põe por escrito esta visão e grava-as em tábuas com toda a clareza, de modo que a possam ler facilmente. Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há-de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há-de vir e não tardará. Vede como sucumbe aquele que não tem alma recta; mas o justo viverá pela sua fidelidade».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 94 (95)
Refrão: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
O Senhor é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».


Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo
(2 Tim 1,6-8.13-14)
Caríssimo: Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação. Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus. Toma como norma as sãs palavras que me ouviste, segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo. Guarda a boa doutrina que nos foi confiada, com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 17,5-10)
Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele volta do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu. Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».


BOA NOTÍCIA
Somos inúteis?
Nas últimas seis semanas, o Evangelho sublinhou várias vezes as exigências do caminho que devemos percorrer para alcançar o “Reino”. Jesus falou-nos da necessidade de liberdade em relação aos bens materiais (26º e 25º domingo); da exigência de testemunhar sempre a misericórdia e o perdão, (24º domingo); do dever de renunciar a tudo o que possa ser obstáculo à missão (23º domingo); da importância de converter o nosso coração à humildade (22º domingo). Ficámos também a saber que a «porta é estreita» (21º domingo) e tudo isto acabou por suscitar nos Apóstolos (e em nós também) o pedido preocupado que abre o Evangelho do próximo domingo: «Senhor, aumenta a nossa fé!».

Esta súplica explica-se porque muitos acreditavam que a Salvação dependesse exclusivamente dos méritos do homem: se alguém cumpria os mandamentos, Deus não teria outro remédio senão salvá-lo. Deus seria apenas um “contabilista” empenhado em fazer contas, para ver se temos - ou não - direito à Salvação…

Para nos ajudar a superar esta visão “contratual” da fé, Jesus propôs a parábola do servo inútil, onde é descrita a atitude que o homem deve assumir diante de Deus: «quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’». Assim, a atitude do verdadeiro discípulo frente a Deus não deve ser a atitude de quem sente que Deus lhe deve algo, mas sim a de quem cumpre o seu papel com humildade, sentindo-se um servo que apenas fez o que lhe competia. “Inúteis”, não porque sejamos incapazes, mas porque a salvação não resulta dos nossos esforços: é gratuita e procede da bondade do Pai.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2016.09.28



quarta-feira, 21 de setembro de 2016

26º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano C)

Leitura da Profecia de Amós
(Am 6,1a.4-7)
Eis o que diz o Senhor omnipotente: «Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria. Deitados em leitos de marfim, estendidos nos seus divãs, comem os cordeiros do rebanho e os vitelos do estábulo. Improvisam ao som da lira e cantam como David as suas próprias melodias. Bebem o vinho em grandes taças e perfumam-se com finos unguentos, mas não os aflige a ruína de José. Por isso, agora partirão para o exílio à frente dos deportados e acabará esse bando de voluptuosos».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 145 (146)
Refrão: Ó minha alma, louva o Senhor.

O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.

O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.

O Senhor reina eternamente.
O teu Deus, ó Sião,
é Rei por todas as gerações.


Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo
(1 Tim 6,11-16)
Caríssimo: Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e sobre a qual fizeste tão bela profissão de fé perante numerosas testemunhas. Ordeno-te na presença de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu testemunho da verdade diante de Pôncio Pilatos: guarda este mandamento sem mancha e acima de toda a censura, até à aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a qual manifestará a seu tempo o venturoso e único soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade e habita uma luz inacessível, que nenhum homem viu nem pode ver. A Ele a honra e o poder eterno. Amen.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 16,19-31)
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’. O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas. Que os oiçam’. Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão’.


BOA NOTÍCIA
O Abismo
No Evangelho do próximo Domingo, dia 25, encontramos uma parábola difícil… São-nos apresentadas duas personagens: o pobre Lázaro e um homem rico que permanece anónimo. Os dois morrem e descobrimos que um está destinado ao “banquete do Reino” e outro aos “tormentos”. Nada sabemos das acções (boas ou más) praticadas neste mundo pelas duas personagens e as únicas pistas de interpretação parecem relacionar-se com a riqueza e a pobreza que os distinguiam.

Qual é a lição desta parábola? Que ser rico equivale a ser mau e portanto, a estar destinado aos “tormentos”? Atenção a não cair em leituras demasiado superficiais do Evangelho… Sem sombra de dúvida, estamos diante de uma crítica à opulência, mas se o homem rico é condenado, não o é tanto pela riqueza que possui, quanto pela indiferença que caracterizou a sua vida.

Na lógica do Evangelho, os bens terrenos não pertencem a ninguém em particular (nem sequer àqueles que trabalharam duramente e honestamente para os conquistar), mas são dons de Deus, postos à disposição para serem partilhados e assegurarem uma vida digna a todos. Quem usa os bens para ter uma vida luxuosa, esquecendo-se das necessidades dos outros, está a defraudar o projecto de Deus e os seus irmãos mais pobres.

A parábola diz-nos que entre o banquete do Reino e o “tormento” do homem rico existe um abismo, mas essa realidade não vem de Deus: somos nós que “cavamos” esse fosso cada vez que olhamos em frente e tentamos não cruzar os olhos do pobre que nos suplica uma esmola. O fosso é algo que escolhemos e por isso, apenas nós podemos enchê-lo e eliminá-lo. Como? Colmatando-o com sentimentos de compaixão e obras de misericórdia.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2013.09.21





quarta-feira, 14 de setembro de 2016

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano C)

Leitura da Profecia de Amos
(Am 8,4-7)
Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra. Vós dizeis: «Quando passará a lua nova, para podermos vender o nosso grão? Quando chegará o fim de sábado, para podermos abrir os celeiros de trigo? Faremos a medida mais pequena, aumentaremos o preço, arranjaremos balanças falsas. Compraremos os necessitados por dinheiro e os indigentes por um par de sandálias. Venderemos até as cascas do nosso trigo». Mas o Senhor jurou pela glória de Jacob: «Nunca esquecerei nenhuma das suas obras».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 112 (113)
Refrão: Louvai o Senhor, que levanta os fracos.

Louvai, servos do Senhor,
louvai o nome do Senhor.
Bendito seja o nome do Senhor,
agora e para sempre.

O Senhor domina sobre todos os povos,
a sua glória está acima dos céus.
Quem se compara ao Senhor nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas
e Se inclina lá do alto a olhar o céu e a terra.

Levanta do pó o indigente
e tira o pobre da miséria,
para o fazer sentar com os grandes,
com os grandes do seu povo.


Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo
(1 Tim 2,1-8)
Caríssimo: Recomendo, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e acções de graças por todos os homens, pelos reis e por todas as autoridades, para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isto é bom e agradável aos olhos de Deus, nosso Salvador; Ele quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que Se entregou à morte pela redenção de todos. Tal é o testemunho que foi dado a seu tempo e do qual fui constituído arauto e apóstolo – digo a verdade, não minto – mestre dos gentios na fé e na verdade. Quero, portanto, que os homens rezem em toda a parte, erguendo para o Céu as mãos santas, sem ira nem contenda.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 16,1-13)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas, também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».


BOA NOTÍCIA
Felizes os aldrabões?
A parábola do administrador sagaz que encontramos no Evangelho do próximo domingo não é nada fácil de entender…

«‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’».

No tempo de Jesus, o administrador de uma propriedade não recebia um salário fixo: vivia graças a uma taxa que cobrava aos devedores do verdadeiro proprietário. O administrador da parábola (que intuiu que será despedido…) começou a renunciar ao lucro que lhe era devido, a fim de assegurar a gratidão dos devedores.

«O senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza».

Este administrador, se é chamado “desonesto”, não o é pelo gesto de abater as dívidas, mas sim, por actos anteriores, que até levaram o patrão a despedi-lo. O senhor louva-o, não pelas suas aldrabices, mas pela sua sagacidade em renunciar à sua taxa: o dinheiro tem um valor relativo e ele troca-o por outros valores mais importantes, tais como a amizade e a gratidão.

«Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas».

Esta frase, que conclui a parábola do administrador sagaz, revela-nos a verdadeira lição que devemos aprender: os bens deste mundo são passageiros e devem ser utilizados, não como um fim em si mesmos, mas como instrumentos para ajudar os outros e socorrer os mais necessitados. E o bem que fizermos testemunhará/confirmará a nossa escolha por Cristo, pois não podemos “comprar” a salvação, mas tal como diz São Tiago: «a fé sem obras está completamente morta. (...) Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé».

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2016.09.14






quarta-feira, 7 de setembro de 2016

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano C)

Leitura do Livro do Êxodo
(Ex 32, 7-11.13-14)
Naqueles dias, o Senhor falou a Moisés, dizendo: «Desce depressa, porque o teu povo, que tiraste da terra do Egipto, corrompeu-se. Não tardaram em desviar-se do caminho que lhes tracei. Fizeram um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele, ofereceram-lhe sacrifícios e disseram: ‘Este é o teu Deus, Israel, que te fez sair da terra do Egipto’». O Senhor disse ainda a Moisés: «Tenho observado este povo: é um povo de dura cerviz. Agora deixa que a minha indignação se inflame contra eles e os destrua. De ti farei uma grande nação». Então Moisés procurou aplacar o Senhor seu Deus, dizendo: «Por que razão, Senhor, se há-de inflamar a vossa indignação contra o vosso povo, que libertastes da terra do Egipto com tão grande força e mão tão poderosa? Lembrai-Vos dos vossos servos Abraão, Isaac e Israel, a quem jurastes pelo vosso nome, dizendo: ‘Farei a vossa descendência tão numerosa como as estrelas do céu e dar-lhe-ei para sempre em herança toda a terra que vos prometi’». Então o Senhor desistiu do mal com que tinha ameaçado o seu povo.


SALMO RESPONSORIAL Salmo 50 (51), 3-4.12-13.17.19
Refrão: Vou partir e vou ter com meu pai.

Compadecei-Vos de mim, ó Deus,
pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia,
apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas.

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

Abri, Senhor, os meus lábios
e a minha boca anunciará o vosso louvor.
Sacrifício agradável a Deus
é um espírito arrependido:
não desprezeis, Senhor,
um espírito humilhado e contrito.


Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo
(1 Tim 1, 12-17)
Caríssimo: Dou graças Àquele que me deu força, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que me julgou digno de confiança e me chamou ao seu serviço, a mim que tinha sido blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia, porque agi por ignorância, quando ainda era descrente. A graça de Nosso Senhor superabundou em mim, com a fé e a caridade que temos em Cristo Jesus. É digna de fé esta palavra e merecedora de toda a aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores e eu sou o primeiro deles. Mas alcancei misericórdia, para que, em mim primeiramente, Jesus Cristo manifestasse toda a sua magnanimidade, como exemplo para os que hão-de acreditar n’Ele, para a vida eterna. Ao Rei dos séculos, Deus imortal, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amen.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 15,1-32)
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximaram-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um pecador que se arrependa». Jesus disse-lhes ainda: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: Enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».


BOA NOTÍCIA
Quem é pródigo?
No próximo domingo, dia 11, seremos convidados a meditar a famosa parábola do filho pródigo e as três concepções de Deus que ela nos propõe.

O filho mais novo (que pede a herança e a esbanja num país distante) pensa que o Pai seja apenas um concorrente, um adversário que o impede de realizar-se plenamente. Para ele, Deus é um censor, um crítico asfixiante que sufoca a nossa liberdade.

Para o filho mais velho (incapaz de alegrar-se com o regresso a casa do irmão), Deus é um “patrão” a quem temos de obedecer seguindo muitos ritos e regras. O seu ressentimento é natural: o Pai é injusto, pois organiza uma festa para um subordinado indisciplinado e desobediente. O dever cancelou o amor e o filho mais velho vê relações contratuais em vez de laços familiares.

Ambos os filhos protagonistas desta parábola têm uma ideia errada de Deus: um está perdido na distância, outro na proximidade. Um na desobediência, outro no dever.

Porém, é no Pai misericordioso que Jesus revela o verdadeiro rosto de Deus. O Pai que deixa partir o filho mais novo, mesmo temendo que ele possa arruinar-se… que todos os dias vigia o horizonte… que corre na direcção do filho que regressa derrotado… que o abraça sem recriminações... que sai de casa, ao encontro do filho mais velho, para rogar-lhe que perdoe e aceite de novo o seu irmão…

Se “pródigo” é sinónimo de “esbanjador”, então esta parábola ensina-nos que é o Pai (e não o filho mais novo) a merecer esse adjectivo. Apesar do nosso pecado, dos nossos limites e defeitos, Deus ama-nos de uma forma abundante, generosa, pródiga! E a sua misericórdia é realmente infinita.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2016.09.07








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