quarta-feira, 31 de maio de 2017

SOLENIDADE DE PENTECOSTES (ano A)

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 2,1-11)
Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 103 (104)
Refrão: Mandai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a terra.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
A terra está cheia das vossas criaturas.

Se lhes tirais o alento, morrem
e voltam ao pó donde vieram.
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida
e renovais a face da terra.

Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
Grato Lhe seja o meu canto
e eu terei alegria no Senhor.


Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
(1 Cor 12,3b-7.12-13)
Irmãos: Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela acção do Espírito Santo. De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós - judeus e gregos, escravos e homens livres - fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 20,19-23)
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».


BOA NOTÍCIA
União na diversidade
Entre o evento de Pentecostes (ocorrido cinquenta dias após a Páscoa) e a história da torre de Babel (contada no livro de Génesis) há uma estreita relação. O episódio de Babel descreve como Deus criou as várias línguas e dispersou os homens pelos continentes da Terra. É a maneira escolhida pela Bíblia para explicar as dificuldades que os povos têm em entender-se, devido às diferentes línguas e tradições. À luz da revelação de Cristo, este episódio propõe-nos uma bonita catequese sobre a diversidade: se Deus interveio (criando as várias línguas) foi para ajudar a Humanidade a superar a tentação da uniformidade. Como se Ele nos dissesse: «Meus filhos, procurais a estrada da união e isso é bom. Mas não vos enganeis: a união não está na uniformidade. A verdadeira união de Amor pede e respeita a diversidade».

O evento de Pentecostes (que celebraremos no próximo domingo) completa esta catequese. A primeira leitura da Missa, escolhida do livro dos Actos dos Apóstolos, descreve desta forma o anúncio da Boa Nova após a chegada do Espírito Santo: «a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia [os discípulos] falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: “Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua?”».

Na torre de Babel a humanidade descobriu a sua própria variedade; no dia de Pentecostes ela aprendeu o caminho da união na diversidade. E dali em diante, os povos «de todas as nações que há debaixo do céu» ouviram proclamar nas várias línguas do mundo, «as maravilhas do Senhor».

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2017.05.31




quarta-feira, 24 de maio de 2017

7º DOMINGO DE PÁSCOA (ano A)

NOTA: Excepcionalmente, esta semana seguimos o calendário litúrgico francês (onde a Solenidade da Ascensão é celebrada à quinta-feira) e publicamos as leituras do 7º domingo do tempo pascal.
Os leitores que nos seguem de Portugal, podem encontrar a liturgia da Palavra da Ascensão clicando neste link.


Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Actos 1, 12-14)
Depois de Jesus ter subido ao Céu, os Apóstolos voltaram para Jerusalém, descendo o monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, à distância de uma caminhada de sábado. Quando chegaram à cidade, subiram para a sala de cima, onde se encontravam habitualmente. Estavam lá Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zeloso, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 26 (27), 1.4.7-8a
Espero contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos.

O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei-de temer?
O Senhor é protector da minha vida:
de quem hei-de ter medo?

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da bondade do Senhor
e visitar o seu santuário.

Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,
tende compaixão de mim e atendei-me.
Diz-me o coração: «Procurai a sua face».
A vossa face, Senhor, eu procuro.


Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
(1 Pedro 4, 13-16)
Caríssimos: Alegrai-vos, na medida em que participais nos sofrimentos de Cristo, a fim de que possais também alegrar-vos e exultar no dia em que se manifestar a sua glória. Felizes de vós, se sois ultrajados pelo nome de Cristo, porque o Espírito de glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vós. Nenhum de vós tenha de sofrer por ser ladrão ou assassino ou malfeitor ou difamador. Se, porém, sofre por ser cristão, não se envergonhe, mas antes dê glória a Deus por ter esse nome.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 17, 1-11a)
Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho Te glorifique, e, pelo poder que Lhe deste sobre toda a criatura, Ele dê a vida eterna a todos os que Lhe confiaste. É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu glorifiquei-Te sobre a terra, consumando a obra que Me encarregaste de realizar. E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo com a glória que tinha em Ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo Me deste. Eram teus e Tu mos deste, e eles guardam a tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de Ti, porque lhes comuniquei as palavras que Me confiaste e eles receberam-nas: reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e acreditaram que Me enviaste. É por eles que Eu rogo; não pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu; e neles sou glorificado. Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para Ti».


BOA NOTÍCIA
Uma página "inédita"
Nos países onde a Festa da Ascensão é celebrada ao domingo (é o caso de Portugal, mas não da França) as comunidades paroquiais podem permanecer anos sem escutar e meditar o Evangelho previsto para esse dia, pois as leituras da missa são anualmente substituídas pelas desta solenidade. E é uma pena...

É pena porque na liturgia da Palavra do 7º domingo do tempo Pascal encontramos o início do 17º capítulo do Evangelho de São João. Podemos considerar esse texto a última parte do testamento de Jesus e uma das Suas orações mais íntimas: é a prece do Filho ao Pai; é a oração de um irmão que não esquece aqueles que ama; é a leitura que nos revela o desejo de alargar a comunhão de amor, entre o Pai e o Filho, a todos os homens e mulheres.

Nesta página encontramos também a resposta à pergunta que certamente formulámos no início do Evangelho, quando, durante a narração das bodas de Caná, Jesus afirmou: «Ainda não chegou a minha hora».

Se aquela não era a “hora”, então qual seria? Quando é que, para São João, chega finalmente a hora de Jesus? É precisamente neste 17º capítulo (o capítulo que precede o relato da Paixão, morte e Ressurreição) que o evangelista sacia a curiosidade dos seus leitores e coloca estas palavras na boca do Messias: «Pai, chegou a hora! Manifesta a glória do teu Filho, de modo que o Filho manifeste a tua glória, segundo o poder que lhe deste sobre toda a Humanidade, a fim de que dê a vida eterna a todos os que lhe entregaste».

Caro amigo(a), fica aqui o convite: pega na tua Bíblia e lê este capítulo. 
É o testamento de Jesus! 
É a Sua oração de despedida! 
E, provavelmente, é uma leitura que ainda não conheces.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2017.05.24







quarta-feira, 17 de maio de 2017

6º DOMINGO DE PÁSCOA (ano A)

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 8,5-8.14-17)
Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia. De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. E houve muita alegria naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus enviaram-lhes Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 65 (66)
Refrão: A terra inteira aclame o Senhor.

Aclamai a Deus, terra inteira,
cantai a glória do seu nome,
celebrai os seus louvores,
dizei a Deus: «Maravilhosas são as vossas obras».

«A terra inteira Vos adore e celebre,
entoe hinos ao vosso nome».
Vinde contemplar as obras de Deus,
admirável na sua acção pelos homens.

Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi,
vou narrar-vos quanto Ele fez por mim.
Bendito seja Deus que não rejeitou a minha prece,
nem me retirou a sua misericórdia.


Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
(1 Pe 3,15-18)
Caríssimos: Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder, a quem quer que seja, sobre a razão da vossa esperança. Mas seja com brandura e respeito, conservando uma boa consciência, para que, naquilo mesmo em que fordes caluniados, sejam confundidos os que dizem mal do vosso bom procedimento em Cristo. Mais vale padecer por fazer o bem, se for essa a vontade de Deus, do que por fazer o mal. Na verdade, Cristo morreu uma só vez pelos nossos pecados, o Justo pelos injustos, para nos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 14,15-21)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Defensor, para estar sempre convosco: o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós. Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós. Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis. Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós. Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele».


BOA NOTÍCIA
«Não vos deixarei órfãos»
Quando nasceu a Igreja? Será que surgiu em Belém, quando os pastores e os reis adoraram o Menino na manjedoura? Ou talvez, quando Jesus chamou os primeiros discípulos? Ou possivelmente, na última ceia, quando Ele consagrou e partilhou o pão (corpo) e o vinho (sangue)?

Em toda a narrativa da salvação, desde Génesis até aos Evangelhos, encontramos sinais (autênticas sementes) que indicam a presença germinal da futura comunidade cristã. Mas é na solenidade de Pentecostes, celebrada cinquenta dias após a Páscoa, que a Igreja nasce definitivamente, acolhe o dom do Espírito Santo e inicia a sua missão de anúncio e testemunho.

É em vista dessa grande celebração que a liturgia do próximo domingo nos propõe um trecho do “testamento” de Jesus: numa noite de quinta-feira do ano trinta, na véspera da Sua morte na cruz, Jesus reuniu-Se com os seus discípulos numa ceia. No decurso dessa ceia, Ele despediu-Se e convidou-os a seguir o Seu caminho de entrega a Deus e de amor radical aos irmãos. Mas os discípulos estão inquietos: como manterão a comunhão com Jesus e como receberão d’Ele a força para doar, dia após dia, a própria vida?

Jesus promete que não (n)os deixará órfãos: «Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Defensor, para estar sempre convosco: o Espírito da verdade».

Irmãos e irmãs, a grande solenidade de Pentecostes aproxima-se. Peçamos a Deus que nos ajude a eliminar da nossa vida, todos os obstáculos que impedem a acção do Espírito Santo, para que possamos ser testemunhas credíveis, missionários corajosos e membros dignos da família de Deus: a Igreja una, santa, católica e apostólica.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2017.05.17





quarta-feira, 10 de maio de 2017

5º DOMINGO DE PÁSCOA (ano A)

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 6,1-7)
Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deu para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e submetia-se à fé também grande número de sacerdotes.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33)
Refrão: Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.

Justos, aclamai o Senhor,
os corações rectos devem louvá-1’O.
Louvai o Senhor com a cítara,
Cantai-Lhe salmos ao som da harpa.

A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.


Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
(1 Pe 2,4-9)
Caríssimos: Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso se lê na Escritura: «Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido» Honra, portanto, a vós que acreditais. Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular», «pedra de tropeço e pedra de escândalo». Tropeçaram por não acreditarem na palavra, à qual foram destinados. Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores» d’Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 14,1-12)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos um lugar e virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho? Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores que estas, porque Eu vou para o Pai».


BOA NOTÍCIA
Ou é ou não é.
Para muitos, Jesus é apenas (mais) um homem sábio. O Evangelho do próximo domingo recorda-nos que negar a divindade de Jesus sem renunciar à doutrina é possível, mas apenas se permanecemos a um nível superficial da Sua mensagem: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida». Sócrates, Aristóteles e Ghandi eram sem dúvida homens sábios, porém nenhum deles ousou uma tal declaração!

EU SOU. Já esta expressão (“egô eimi”) é em si uma identificação que nos leva ao nome revelado por Deus a Moisés no livro do Êxodo: «Assim dirás aos filhos de Israel: “Eu Sou” enviou-me a vós!» (Ex 3,14). Jesus não pretende ser “mais um profeta”, mas arroga-Se a condição de Filho de Deus: «Quem Me vê, vê o Pai» (Jo 14,9).

O CAMINHO. O Evangelho diz-nos que seguir Jesus não é apenas seguir um guia que indica uma estrada. Ele não só caminha connosco, mas é o Caminho em si: «Ninguém vai ao Pai senão por Mim» (Jo 14,6).

A VERDADE. Revelando Deus Pai, Jesus não diz apenas a verdade, mas é a verdade incarnada «e a verdade vos libertará» (Jo 8,32).

E A VIDA. Ninguém é a causa da própria existência; todos somos contingentes, criaturas, que não possuem a vida em sim. Deus, no entanto, é (como se diz em filosofia) a causa primeira, o Ser necessário, a vida com “V” maiúsculo. Jesus identifica-se com a fonte da vida: «assim como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, também o Filho faz viver aqueles que quer» (Jo 5,21).

Como podemos conciliar estas afirmações com a visão de um mero homem sábio e sensato? Tal como dizia o grande físico e matemático francês Blaise Pascal, cada um deve arriscar uma posição clara: se aceitamos Jesus na nossa vida, aceitamo-Lo na totalidade. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2015.05.10




quarta-feira, 3 de maio de 2017

4º DOMINGO DE PÁSCOA (ano A)

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 2,14a.36-41)
No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» Pedro respondeu lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo, e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 22 (23)
Refrão: O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.


Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
(1 Pe 2,20b-25)
Caríssimos: Se vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência, isto é uma graça aos olhos de Deus. Para isto é que fostes chamados, porque Cristo sofreu também por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos. Ele não cometeu pecado algum e na sua boca não se encontrou mentira. Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-Se Àquele que julga com justiça. Ele suportou os nossos pecados no seu Corpo, no madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados. Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 10,1-10)
Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».


BOA NOTÍCIA
A voz do Pastor
Há uma coerência extraordinária entre as leituras que escutaremos na missa do próximo Domingo, dia 7. Seja o salmo, a segunda leitura ou o Evangelho, os três textos convidam-nos a meditar as tradicionais dinâmicas entre um pastor e as suas ovelhas e transportam-nos até um ambiente campestre e rural.

O salmo compara a relação entre Deus e Israel com o cuidado e a atenção dados por uma pastor ao seu rebanho: «O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados».

Na segunda leitura, São Pedro compara os homens sem fé às ovelhas perdidas: «Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas».

E no Evangelho de São João, Jesus desenvolve o Seu longo discurso sobre o Bom Pastor: «Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora (...) e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz».

No Evangelho encontramos ainda uma outra imagem que Jesus aplica a si mesmo: « Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo». É uma outra maneira de afirmar que Ele é o Messias, o Salvador. Graças a Ele o rebanho alcançará a verdadeira vida:

Mas a lição que me parece mais importante é a seguinte: Jesus explica que as ovelhas seguem o Pastor porque conhecem a Sua voz. Por detrás desta imagem pastoral encontramos uma importante realidade da nossa vida de fé: para seguir o Messias é necessário conhecer a Sua voz, a Sua Palavra.

Que tal se terminarmos com um pequeno exame de consciência?
Caro amigo(a), a tua Bíblia tem tido algum uso, ou está numa prateleira a encher-se de pó?

Coragem!
Vamos ler mais a Palavra do Senhor!
Vamos dar tempo, na nossa vida, à Sua Voz!

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2017.05.03





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