quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR (ano C)

Leitura do Livro de Isaías
(Is 60,1-6)
Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senior e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 71 (72)
Refrão: Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,
os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.
Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,
todos os povos o hão-de servir.

Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios
(Ef 3,2-3a.5-6)
Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.


Leitura de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 2,1-12)
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.


BOA NOTÍCIA
outro Caminho
No próximo domingo celebramos a solenidade da Epifania (palavra de origem grega que significa “manifestação”) e o Evangelho descreve-nos três reacções, bem distintas, à notícia do nascimento de Jesus Cristo: a de Herodes, a dos escribas e a dos magos.

A atitude de Herodes é a mais violenta: para ele, a única coisa importante é poder continuar pela sua estrada e viver como sempre viveu. Entre a sua vontade e a de Deus, ele escolheu a primeira e procura silenciar a segunda.

Quando Herodes pergunta aos seus escribas o lugar onde o Messias deveria nascer, estes não hesitam e dão imediatamente a resposta certa: Belém! No entanto, para nossa surpresa, eles não partem ao encontro do Menino... Conseguem indicar o Caminho aos outros, mas não estão dispostos a segui-lo. É uma atitude muito comum hoje em dia: conhecemos o Evangelho, mas falta-nos a coragem de viver a sua radicalidade e portanto, permanecemos numa vida que pouco ou nada se distingue das vidas de quem não tem fé.

A última reacção é a dos magos que, sem perder tempo, se lançam à estrada e deixam para trás o conforto e a segurança das próprias casas. Têm sede de Deus e por isso colocam-se a Caminho, prontos a abandonar tudo o que conheciam. E são sempre eles, os magos, que nos dão esta última indicação preciosa: «avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho». O encontro com Cristo muda-nos e obriga-nos a viajar por uma nova estrada, pois esse encontro (se for verdadeiro, se for autêntico) determinará uma profunda conversão e uma mudança radical de direcção nas nossas vidas.

P. Carlos Caetano




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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA (ano C)

Leitura do Livro de Ben-Sirá
(Sir 3, 3-7.14-17a [gr. 2-6.12-14])
Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra sua mãe. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida e converter-se-á em desconto dos teus pecados.


SALMO RESPONSORIAL Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5
Refrão: Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos.

Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem.

Tua esposa será como videira fecunda,
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira,
ao redor da tua mesa.

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
todos os dias da tua vida.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses
(Col 3, 12-21)
Irmãos: Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 2,41-52)
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.


BOA NOTÍCIA
«Para isso nasci, e para isso vim ao mundo»
No próximo domingo, a Igreja convida-nos a celebrar a Festa da Sagrada Família e o Evangelho descreve o grande susto que Maria e José viveram quando Jesus, com apenas doze anos, desapareceu durante três dias. A chave de leitura deste episódio é a resposta que Ele dá quando finalmente o encontram no templo de Jerusalém: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?».

Maria e José não fizeram uma cena diante desta resposta. Eles, que viram o Messias gatinhar e dar os seus primeiros passinhos incertos… Eles, que acudiram os choros de noite e se alegraram ao escutar as primeiras palavras do menino... Maria e José são agora confrontados com a verdade que nunca esqueceram: Jesus é o Filho de Deus, o Verbo incarnado, o Messias anunciado. E o Verbo fez-se carne para anunciar ao mundo a Boa Nova e revelar-nos o rosto misericordioso de Deus Pai! Muitos anos mais tarde, diante de Pilatos, Jesus Cristo reafirma esta mesma leitura da sua identidade e da sua missão: «Para isso nasci, e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que é da Verdade ouve a minha voz» (Jo 18,37).

Para além de sublinhar a posição preponderante que o projecto de Deus deve ocupar nas nossas vidas, este episódio ajuda-nos a compreender uma outra realidade importante: que a família (qualquer família) não pode ser um lugar fechado, onde se cresce prisioneiros de horizontes limitados e de relações de doentia dependência. A família é o lugar onde nos abrimos ao mundo e aos outros! É onde cultivamos a liberdade e a maturidade necessárias para um dia deixarmos o “ninho” e procurarmos a nossa estrada e a nossa missão.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 23.12.2015
 
 
 
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

4º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO (ano C)

Leitura da Profecia de Miqueias
(Miq 5,1-4a)
Eis o que diz o Senhor: «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 79 (80)
Refrão: Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

Pastor de Israel, escutai,
Vós estais sobre os Querubins, aparecei.
Despertai o vosso poder
e vinde em nosso auxílio.

Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha;
protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,
sobre o filho do homem que para Vós criastes.
Nunca mais nos apartaremos de Vós,
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.


Leitura da Epístola aos Hebreus
(Heb 10,5-10)
Irmãos: Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifício nem oblações, mas formaste-Me um corpo. Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’». Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos, segundo a Lei. Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. É em virtude dessa vontade que nós fomos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1,39-47)
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».


BOA NOTÍCIA
Alegrem-se os céus e a terra. Cantemos com alegria…
Faltam poucos dias para o Natal e nas saudações de muitas pessoas já se sente aquela alegria autêntica (e não apenas de fachada) que normalmente acompanha este momento do ano litúrgico. É o mesmo sentimento que encontramos no centro do Evangelho do próximo domingo, dia 20: a alegria de Isabel e do irrequieto João Baptista, que acolhem na própria casa a jovem Maria e com ela, Jesus Cristo, salvador do mundo.

«Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

É uma alegria inesperada, pois a chegada de uma prima, ainda solteira e já grávida, deveria criar desassossego no coração de Isabel, mas ela não se deixa enganar pelas aparências e ajudada pela fé e pela graça de Deus, consegue reconhecer naquela jovem o projecto divino de salvação e a presença do Messias esperado.

O Natal é tempo propício para tantos encontros… Abrandado o ritmo frenético do dia-a-dia, amigos e parentes aproveitarão este momento de repouso para visitar-se, trocar prendas e desejar votos de boas festas. Oxalá sejam todos encontros como aquele entre Isabel e Maria, onde, ajudados pela fé, consigamos ir para lá das aparências e da superficialidade, e descubramos em cada pessoa que bate à nossa porta ou entra na nossa casa, a oportunidade de saudar Jesus e de acolhê-Lo na nossa vida.

Um santo Natal a todos!

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2015.12.16




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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

3º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO (ano C)

Leitura da Profecia de Sofonias
(Sof 3,14-18a)
Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa».


SALMO RESPONSORIAL – Is 12,2-3.4bcd.5-6
Refrão: Exultai de alegria, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

Deus é o meu Salvador,
tenho confiança e nada temo.
O Senhor é a minha força e o meu louvor.
Ele é a minha salvação.

Tirareis água com alegria das fontes da salvação.
Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome;
anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
proclamai a todos que o seu nome é santo.

Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,
anunciai-as em toda a terra.
Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,
porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 4,4-7)
Irmãos: Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 3,10-18)
Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?» Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?» João respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».


BOA NOTÍCIA
Que devemos fazer?
Para ser felizes... para não desperdiçar a própria vida... que devemos fazer? Uma resposta bem comum é esta: «Enriquece; diverte-te; acumula; mima-te com tudo de bom que a vida oferece. Coloca-te ao centro; defende a tua posição; vive para ti; persegue o teu prazer». Muitas pessoas acreditam que esta seja a fórmula mágica para serem felizes! Mas será verdade? São realmente estas as coisas que dão sentido à vida? E se nos enganássemos? Se tivéssemos investido o nosso tempo, a nossa energia (a nossa vida) no projecto errado? E se todas estas coisas (dinheiro, fama, sexo, diversão...) fossem apenas uma distracção, que procura preencher o vazio da nossa vida, mas que não consegue realmente saciar a nossa sede de felicidade?

As multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?» E no evangelho do próximo domingo, dia 13, encontramos a sua resposta, que é de uma simplicidade desarmante: «Partilha o que tens. Não roubes. Não sejas violento». Só isto? É esta a grande sabedoria do profeta do deserto? É tudo tão simples que quase nos desilude... Mas João tem razão: é nas coisas pequenas e simples que se manifesta a força de Deus. É no quotidiano que a salvação se revela e que a felicidade se constrói. A que servem os raros grandes gestos heróicos se, habitualmente, vivemos vidas desinteressadas e egoístas?

Deus Pai não nos pede gestos teatrais e espalhafatosos: pede-nos perseverança, continuidade. Ele convida-nos a acolher o seu filho que dorme na manjedoura de um pequeno estábulo em Belém. E esta criança, tal como todos os recém-nascidos, não quer confusão e barulho… mas precisa diariamente de carinho e cuidados constantes.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2015.12.09



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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

2º DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO (ano C)

Leitura do Livro de Baruc
(Bar 5,1-9)
Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus. Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno. Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu; Deus te dará para sempre este nome: «Paz da justiça e glória da piedade». Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo, felizes por Deus Se ter lembrado deles. Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis. Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus. Também os bosques e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel, por ordem de Deus, porque Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 125 (126)
Refrão: Grandes maravilhas fez por nós o Senhor: por isso exultamos de alegria.

Quando o Senhor fez regressar os activos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
Da nossa boca brotavam expressões de alegria
e de nossos lábios cânticos de júbilo.

Diziam então os pagãos:
«O Senhor fez por eles grandes coisas».
Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.

À ida, vão a chorar,
levando as sementes
à volta, vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 1,4-6.8-11)
Irmãos: Em todas as minhas orações, peço sempre com alegria por todos vós, recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho, desde o primeiro dia até ao presente. Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há-de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus. Deus é testemunha de que vos amo a todos no coração de Cristo Jesus. Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 3,1-6)
No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério,quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».


BOA NOTÍCIA
Quando, onde e quem
Lucas, o autor do Evangelho que nos acompanhará durante este novo ano litúrgico, era um homem de ciência, médico de profissão. A sua versão da “Boa Notícia”, da história de Jesus, é uma narração obviamente iluminada pela fé na Ressurreição, mas que pretende renunciar a todos os elementos lendários que, ordinariamente, rodeiam as biografias das grandes personagens da antiguidade. No Evangelho do próximo domingo, dia 6, encontramos vários exemplos deste seu rigor: «No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto».

Lucas delimita o momento histórico em que João Baptista iniciou a sua actividade profética, nomeando sete contemporâneos célebres (desde o imperador Tibério César, até ao sumo sacerdote Caifás). Com estes dados, o evangelista introduz a história de Jesus e recorda-nos que Ele não é uma lenda, mas sim, uma pessoa real, ligada a um determinado contexto histórico e a uma geografia bem definida.

Em Jesus Cristo, Deus irrompeu na História dos homens, dividiu-a para sempre em duas metades e tornou-se o “Emanuel”, que significa “Deus connosco”. Mas o Senhor do Tempo, não quer apenas entrar genericamente no curso dos acontecimentos da humanidade. Ele é Cristo, “ontem, hoje e sempre” e deseja entrar na vida de cada um de nós, nascer na nossa história pessoal e oferecer o Seu dom de salvação a todos os homens e mulheres do mundo.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2015.12.02


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