quarta-feira, 27 de junho de 2012

XIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)


Leitura do Livro da Sabedoria
(Sab 1, 13-15; 2,23-24)
Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele Se alegra com a perdição dos vivos. Pela criação deu o ser a todas as coisas, e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a terra, porque a justiça é imortal. Deus criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem da sua própria natureza. Foi pela inveja do demónio que a morte entrou no mundo, e experimentam-na aqueles que lhe pertencem.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 29 (30)
Refrão: Eu Vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.

Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes
e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.
Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,
vivificastes-me para não descer ao túmulo.

Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,
e dai graças ao seu nome santo.
A sua ira dura apenas um momento
e a sua benevolência a vida inteira.
Ao cair da noite vêm as lágrimas
e ao amanhecer volta a alegria.

Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,
Senhor, sede Vós o meu auxílio.
Vós convertestes em júbilo o meu pranto:
Senhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.


Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
(2 Cor 8,7.9.13-15)
Irmãos: Já que sobressaís em tudo – na fé, na eloquência, na ciência, em toda a espécie de atenções e na caridade que vos ensinámos – deveis também sobressair nesta obra de generosidade. Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa, para vos enriquecer pela sua pobreza. Não se trata de vos sobrecarregar para aliviar os outros, mas sim de procurar a igualdade. Nas circunstâncias presentes, aliviai com a vossa abundância a sua indigência para que um dia eles aliviem a vossa indigência com a sua abundância. E assim haverá igualdade, como está escrito: «A quem tinha colhido muito não sobrou e a quem tinha colhido pouco não faltou».


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 5,21-43)
Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se grande multidão à sua volta, e Ele deteve-Se à beira-mar. Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus foi com ele, seguido por grande multidão, que O apertava de todos os lados. Ora, certa mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais, tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-Lhe por detrás no manto, dizendo consigo: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada». No mesmo instante estancou o fluxo de sangue e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. Jesus notou logo que saíra uma força de Si mesmo. Voltou-Se para a multidão e perguntou: «Quem tocou nas minhas vestes?» Os discípulos responderam-Lhe: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: ‘Quem Me tocou?’» Mas Jesus olhou em volta, para ver quem O tinha tocado. A mulher, assustada e a tremer, por saber o que lhe tinha acontecido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade. Jesus respondeu-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou». Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?» Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé». E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga, Jesus encontrou grande alvoroço, com gente que chorava e gritava. Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com Ele, entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talitha Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina.


BOA NOTÍCIA
«Não temas!»
Depois de termos celebrado, no domingo passado, a alegria do nascimento de um filho (Festa de S. João), esta semana a liturgia propõe-nos o desespero de um pai que recebeu a notícia da morte da própria filha. Jesus comove-Se diante deste homem. Toma uma decisão, mas sabe que o seu gesto poderá confundir o povo e, por isso, tenta “esconder” o milagre que está para realizar. Em primeiro lugar, Jesus consegue que o menor grupo possível de pessoas presencie o prodígio: «(...) não deixou que ninguém O acompanhasse». Em seguida, tenta “desarmar” a situação; minimizar o episódio: «A menina não morreu; está a dormir». Por fim, faz um último pedido: «(...) recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso (...)». Como se fosse possível esconder uma ressurreição! Como se fosse possível conter a alegria daquele pai! Mas porque tenta Jesus ocultar um evento tão extraordinário?

Infelizmente, Ele sabe a facilidade com que muitos reduzem a própria fé a um “mendigar” milagres. Não é essa a vontade de Deus! Jesus “vergou” momentaneamente a ordem natural da vida mas, inevitavelmente, a jovem ressuscitada voltará a experimentar o abraço da morte, como todos nós. Então, o que é que mudou? O que é que Jesus ofereceu à humanidade?

Amigos, o medo de morrer é mais cruel do que a própria morte: viver com medo é morrer em vida! Depois do encontro com Jesus; depois de reconhecermos a presença do Deus vivo, que é Amor e Misericórdia, nada nos pode assustar. Nem a doença, nem a morte. Sabemos que não estamos sozinhos. Sabemos que a morte não tem a última palavra. Podemos finalmente sorrir, amar e Viver!

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 27.06.2012



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quarta-feira, 20 de junho de 2012

NASCIMENTO DE S. JOÃO BAPTISTA (ano B)


Leitura do Livro de Isaías
(Is 49,1-6)
Terras de Além-Mar, escutai-me; povos de longe, prestai atenção. O Senhor chamou-me desde o ventre materno, disse o meu nome desde o seio de minha mãe. Fez da minha boca uma espada afiada, abrigou-me à sombra da sua mão. Tornou-me semelhante a uma seta aguçada, guardou-me na sua aljava. E disse-me: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». E eu dizia: «Cansei-me inutilmente, em vão e por nada gastei as minhas forças». Mas o meu direito está no Senhor e a minha recompensa está no meu Deus. E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe restaurar as tribos de Jacob e reconduzir os sobreviventes de Israel. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Farei de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 138
Refrão: Eu Vos dou graças, Senhor, porque maravilhosamente me criastes.

Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser:
sabeis quando me sento e quando me levanto.
De longe penetrais o meu pensamento:
Vós me vedes quando caminho e quando descanso,
Vós observais todos os meus passos.

Vós formastes as entranhas do meu corpo
e me criastes no seio de minha mãe.
Eu Vos dou graças
por me terdes feito tão maravilhosamente:
admiráveis são as vossas obras.

Vós conhecíeis já a minha alma
e nada do meu ser Vos era oculto,
quando secretamente era formado,
modelado nas profundidades da terra.


Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Actos 13,22-26)
Naqueles dias, Paulo falou deste modo: «Deus concedeu aos filhos de Israel David como rei, de quem deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade’. Da sua descendência, como prometera, Deus fez nascer Jesus, o Salvador de Israel. João tinha proclamado, antes da sua vinda, um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’. Irmãos, descendentes de Abraão e todos vós que temeis a Deus: a nós é que foi dirigida esta palavra de salvação».


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1,57-66.80)
Naquele tempo, chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício e congratularam-se com ela. Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e deram-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas a mãe interveio e disse: «Não, Ele vai chamar-se João». Disseram-lhe: «Não há ninguém da tua família que tenha esse nome». Perguntaram então ao pai, por meio de sinais, como queria que o menino se chamasse. O pai pediu uma tábua e escreveu: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados. Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. Todos os vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judeia se divulgaram estes factos. Quantos os ouviam contar guardavam-nos em seu coração e diziam: «Quem virá a ser este menino?» Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel.


BOA NOTÍCIA
Viva São João!
No próximo domingo, dia 24 de Junho, celebramos uma festa católica bem popular: a Festa de S. João! É uma solenidade que transborda da liturgia das igrejas à animação das ruas (principalmente na cidade do Porto) mas cuja alegria não pode reduzir-se apenas aos “martelinhos”, arraiais e fogos-de-artifício, pois isso seria diminuí-la a um bem simplório «estou feliz porque estou contente»... Mas afinal, o que festejamos na Festa de S. João?

Seis meses antes do Natal de Jesus, a liturgia católica convida-nos a celebrar o nascimento de S. João Baptista e a alegria extraordinária dessa gravidez e desse parto, pode facilmente ser compreendida pelos casais que viveram (e vivem) o sofrimento da esterilidade. O nascimento de um filho é sempre motivo de festa, mas imaginem o júbilo de um casal que durante anos não conseguiu engravidar e que subitamente redescobre, no Outono da própria idade, a esperança de poder gerar uma vida nova! Isabel e Zacarias viviam há vários anos a resignação serena de quem sabe que o tempo da fecundidade passou. O nascimento deste filho é uma alegria tão inesperada que, tal como escutaremos no evangelho do próximo domingo, determina o nome que os pais escolhem para a criança: «O seu nome é João», que em hebraico significa literalmente «o Senhor concede graça». Isabel e Zacarias não têm dúvidas: o menino é um dom de Deus. Mas não só. Este nome é uma profecia, pois a criança que nasceu é um dom, não apenas para os seus pais, mas para todos nós: ele é o profeta que prepara e anuncia a chegada do Senhor! Boa festa a todos e viva S. João!

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 10.06.2012


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quarta-feira, 13 de junho de 2012

XI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)

Leitura da profecia de Ezequiel
(Ez 17,22-24)
Eis o que diz o Senhor Deus: «Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto. Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. E todas as árvores do campo hão-de saber que Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço».


SALMO RESPONSORIAL Salmo 91 (92), 2-3.13-14.15-16
Refrão: É bom louvar-Vos, Senhor.

É bom louvar o Senhor
e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,
proclamar pela manhã a vossa bondade
e durante a noite a vossa fidelidade.

O justo florescerá como a palmeira,
crescerá como o cedro do Líbano;
plantado na casa do Senhor,
florescerá nos átrios do nosso Deus.

Mesmo na velhice dará o seu fruto,
cheio de seiva e de vigor,
para proclamar que o Senhor é justo:
n’Ele, que é o meu refúgio, não há iniquidade.


Leitura da Segunda Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios
(2 Cor 5,6-10)
Irmãos: Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido, enquanto esteve no corpo, quer o bem, quer o mal.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 4,26-34)
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.


BOA NOTÍCIA
As árvores do futuro estão nas sementes de hoje
“Parábola” vem do grego “parabolé”, que significa “comparação” e é o termo que utilizamos para definir aquelas pequenas histórias, geralmente extraídas da vida quotidiana, onde, por meio de uma comparação, o ouvinte é convidado a descobrir uma verdade ou razão moral. «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar?» É com esta pergunta (que encontramos no evangelho do próximo domingo, dia 17) que Jesus introduz duas das suas parábolas mais famosas.

A primeira é a do grão que germina e cresce por si só. A questão essencial não é o que o agricultor faz, mas o dinamismo vital da semente. Jesus ensina-nos que o Reino de Deus (a semente) é uma iniciativa divina e que o resultado final não depende (só) dos esforços ou da habilidade do homem.

A segunda parábola é a do grão de mostarda, onde Jesus propõe o contraste entre a pequenez da semente (um diâmetro aproximado de 1,6 milímetros) e a grandeza da árvore (pode atingir uma altura de 4 metros). Esta comparação sugere-nos que a semente do Reino (que pode parecer uma realidade pequena e insignificante) está destinada a crescer e a alcançar todos os cantos do mundo.

Estas parábolas propõem-nos ainda uma outra reflexão: Deus serve-Se de algo que é pequeno e insignificante aos olhos do mundo para concretizar os seus projectos de salvação e de graça em favor dos homens. As duas parábolas são um convite à esperança, à confiança e à paciência. Nos factos aparentemente irrelevantes, na simplicidade e normalidade de cada dia, na insignificância dos meios… é aí que se esconde o dinamismo de Deus!

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 13.06.2012



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terça-feira, 5 de junho de 2012

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO (ano B)


Leitura do Livro do Êxodo
(Ex 24, 3-8)
Naqueles dias, Moisés veio comunicar ao povo todas as palavras do Senhor e todas as suas leis. O povo inteiro respondeu numa só voz: «Faremos tudo o que o Senhor ordenou». Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. No dia seguinte, levantou-se muito cedo, construiu um altar no sopé do monte e ergueu doze pedras pelas doze tribos de Israel. Depois mandou que alguns jovens israelitas oferecessem holocaustos e imolassem novilhos, como sacrifícios pacíficos ao Senhor. Moisés recolheu metade do sangue, deitou-o em vasilhas e derramou a outra metade sobre o altar. Depois, tomou o Livro da Aliança e leu-o em voz alta ao povo, que respondeu: «Faremos quanto o Senhor disse e em tudo obedeceremos». Então, Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, dizendo: «Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco, mediante todas estas palavras».


SALMO RESPONSORIAL Salmo 115 (116), 12-13.15.16bc.17-18 (R.13)
Refrão: Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor.

Como agradecerei ao Senhor
tudo quanto Ele me deu?
Elevarei o cálice da salvação,
invocando o nome do Senhor.

É preciosa aos olhos do Senhor
a morte dos seus fiéis.
Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:
quebrastes as minhas cadeias.

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,
invocando, Senhor, o vosso nome.
Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,
na presença de todo o povo.


Leitura da Epístola aos Hebreus
(Hebr 9, 11-15)
Irmãos: Cristo veio como sumo sacerdote dos bens futuros. Atravessou o tabernáculo maior e mais perfeito, que não foi feito por mãos humanas, nem pertence a este mundo, e entrou de uma vez para sempre no Santuário. Não derramou sangue de cabritos e novilhos, mas o seu próprio Sangue, e alcançou-nos uma redenção eterna. Na verdade, se o sangue de cabritos e de toiros e a cinza de vitela, aspergidos sobre os que estão impuros, os santificam em ordem à pureza legal, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Deus como vítima sem mancha, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! Por isso, Ele é mediador de uma nova aliança, para que, intervindo a sua morte para remissão das transgressões cometidas durante a primeira aliança, os que são chamados recebam a herança eterna prometida.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 14, 12-16.22-26)
No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?». Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: «O Mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?». Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: «Tomai: isto é o meu Corpo». Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. Disse Jesus: «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus». Cantaram os salmos e saíram para o monte das Oliveiras.


BOA NOTÍCIA
Somos aquilo que comemos
Em 1264, um sacerdote chamado Pietro da Praga celebrava a eucaristia na igreja de Santa Cristina, na cidade de Bolsena em Itália. A tradição diz-nos que ele atravessava uma grande crise espiritual e duvidava da presença de Cristo no pão e vinho consagrados. Durante a missa, padre Pietro testemunhou um prodígio que, inicialmente, o assustou e confundiu profundamente: a hóstia que segurava entre as mãos transformou-se em carne humana de onde escorria sangue. A hóstia e o corporal de linho (manchado de sangue) foram então levados até à cidade de Orvieto, onde se encontrava o Papa Urbano IV, que pouco depois promulgava a festa que celebraremos amanhã, em Portugal e no próximo domingo, em França: a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, mais conhecida por “Corpo de Deus”.

Mas esta festa é muito mais que uma mera recordação daqueles factos milagrosos: é um convite a reflectir sobre o sentido da Eucarística nas nossas vidas. Ela recorda-nos que, no pão e vinho consagrados, Jesus está presente não como uma “coisa”, mas como uma pessoa, como um “eu” que se doa a um “tu”. Trata-se de um verdadeiro encontro com alguém e portanto, de uma possibilidade concreta de comunhão entre pessoas. Nessa comunhão Jesus faz-se presente e pede que essa presença se manifeste na nossa vida: eis a Eucaristia! Ludwig Feuerbach, um famoso materialista ateu, escreveu que «o homem é aquilo que come». Sem sabê-lo, este filósofo alemão deu-nos uma óptima definição da Eucaristia: graças a ela o homem pode converter-se naquilo de que se nutre, ou seja, torna-se membro da Igreja; torna-se porção do corpo de Cristo!

P. Carlos Caetano

in LusoJornal 07.06.2012



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