sábado, 17 de Outubro de 2009

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)


Leitura do Livro de Isaías
(Is 53,10-11)
Aprouve ao Senhor esmagar o seu Servo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como vítima de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado. Pela sua sabedoria, o Justo, meu Servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33)
Refrão: Desça sobre nós a vossa misericórdia, porque em Vós esperamos, Senhor.

A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.

Leitura da Epístola aos Hebreus
(Heb 4,14-16)
Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 10,35-45)
Naquele tempo, Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir». Jesus respondeu-lhes: «Que quereis que vos faça?» Eles responderam: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». Disse-lhes Jesus: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o baptismo com que Eu vou ser baptizado?» Eles responderam-Lhe: «Podemos». Então Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que Eu vou beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado. Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado». Os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós: Quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».


BIS
Há um mês atrás falávamos dos apóstolos que discutiam sobre quem seria o maior. Quatro semanas depois, o tema do poder repete-se novamente: João e Tiago pedem a Jesus um lugar de destaque no novo reino: pretendem ser “vices” na presidência da nova realidade política que (sonham) nascerá com Cristo. Os outros discípulos indignam-se com o pedido dos dois irmãos, mas esta reacção dificilmente demonstra maior “maturidade evangélica”: provavelmente zangam-se porque tinham as mesmas pretensões... também queriam ser chefes!

Neste momento, o pedido dos dois irmãos é ditado pela ingenuidade: «Não sabeis o que pedis». Todavia, antes de repetir a lição da autoridade como serviço, Jesus indaga sobre a fé que anima aquele pedido tão arrojado. No contexto bíblico, “beber o mesmo cálice” significa partilhar o destino de Jesus; “receber o mesmo baptismo” exprime participação na Sua paixão e morte. João e Tiago terão de purificar (e muito!) a própria visão do Reino de Deus, mas Jesus sabe que a coragem, integridade e firmeza dos dois irmãos destina-lhes um lugar de destaque na história da Igreja.
Ora vejamos:

Tiago (também conhecido como Tiago Maior, Santiago de Compostela, ou São Tiago, o Grande) será um dos primeiros mártires da Igreja, condenado à morte por Herodes Agripa I e decapitado em Jerusalém por volta do ano 44 (cf. At 12,2).

João (o mais novo dos Doze, mais tarde conhecido como São João Evangelista ou Apóstolo João), depois da morte do seu irmão, viajou para a Ásia menor, onde guiou por muitos anos a importante comunidade cristã de Éfeso. Além do “Evangelho segundo João”, também escreveu as três epístolas de João e o livro do Apocalipse. Conheceu a prisão, a tortura e o exílio, mas nunca renunciou ao anúncio entusiasta do Evangelho.

Por volta do ano 55, S. Paulo na sua carta aos Gálatas (Gal 2,9) refere-se a Tiago e a João como “colunas” da Igreja. É uma expressão curiosa: até parece que os dois irmãos alcançaram o que haviam pedido a Jesus; mas o relato das duas vidas testemunha que estas “colunas”, estes dois “chefes”, não eram déspotas ou tiranos prepotentes sedentos de poder. A história dos filhos de Zebedeu recorda-nos que a autoridade na Igreja não é (não deve ser) determinada pela riqueza, prestígio social, ou influência política, mas sim, pela capacidade de dedicar-se aos outros, de sacrificar-se pela causa do Reino, de testemunhar Jesus até ao fim, custe o que custar. Tal como Tiago e João se deixaram “purificar” pelo exemplo de doação e entrega de Cristo, também nós somos convidados a descobrir que a verdadeira grandeza não está no ser servido, mas sim, no servir os outros.

(Tenham uma boa semana!)


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