sexta-feira, 25 de agosto de 2017

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano A)

Leitura do Livro de Isaías
(Is 22,19-23)
Eis o que diz o Senhor a Chebna, administrador do palácio: «Vou expulsar-te do teu cargo, remover-te-ei do teu posto. E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Elcias. Hei-de revesti-lo com a tua túnica, hei-de pôr-lhe à cintura a tua faixa, entregar-lhe nas mãos os teus poderes. E ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei aos seus ombros a chave da casa de David: há-de abrir, sem que ninguém possa fechar; há-de fechar, sem que ninguém possa abrir. Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme e ele será um trono de glória para a casa de seu pai».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 137 (138)
Refrão: Senhor, a vossa misericórdia é eterna: não abandoneis a obra das vossas mãos.

De todo o coração, senhor, eu Vos dou graças
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar
e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
Quando Vos invoquei, me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma.

O Senhor é excelso e olha para o humilde,
ao soberbo conhece-o de longe.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos.


Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 11,33-36)
Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis os seus desígnios e incompreensíveis os seus caminhos! Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro? Quem Lhe deu primeiro, para que tenha de receber retribuição? D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Deus para sempre. Amen.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 16,13-20)
Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus». Então, Jesus ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias.

BOA NOTÍCIA
Deus sim. Igreja não?
Não seria nada estranho se, após a proclamação do Evangelho deste domingo, a homilia começasse com esta pergunta: «Quem é Cristo para ti?» De facto, a primeira parte do texto, de carácter mais cristológico, centra-se precisamente em Jesus e na definição da sua identidade. No entanto, prefiro abordar a segunda metade do Evangelho, de carácter mais eclesiológico, e lançar uma outra questão, também ela difícil de responder: «O que é a Igreja para ti?»

O que vos digo agora não se aplica obviamente a todos os jovens, mas acreditem que tenho encontrado muitos que, basicamente, vivem a própria fé segundo este “credo”: Deus sim. Igreja não. No entanto, ninguém pode ignorar este Evangelho, que nos diz claramente que é Jesus quem convoca a Igreja à volta de Pedro. Aliás, o uso de sinais eclesiais tão eloquentes (a pedra, as chaves, os verbos “ligar” e “desligar”) recorda uma verdade reafirmada pelo Concílio Vaticano II no documento Lumen Gentium: «aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente» (n.9). Não se exclui que Deus possa salvar sem a Igreja, porém, “aprouve”, agradou, conveio ao Senhor privilegiar esta estrada acima de qualquer outra. Ainda assim, permanece a dificuldade de tantos em aceitar a Igreja. Mas porquê?

Antes de resolvermos esta questão, procuremos a resposta a uma outra pergunta: porque foi que os judeus decidiram matar Jesus? Qual a razão que os impedia de O aceitar como Messias, como Filho de Deus? A resposta obviamente é muito complexa, mas podemos responder brevemente dizendo o seguinte: os fariseus, sacerdotes e escribas não podiam aceitar o rosto (demasiado) humano de Jesus. Não podiam aceitar que Deus se tivesse incarnado num pobre galileu. Ainda se fosse um príncipe! Ou um grande general! Mas um carpinteiro de uma pequena aldeia, que ninguém conhecia, chamada Nazaré…? Não! É demasiado humano este suposto messias! Demasiado banal!

A razão que, hoje em dia, leva muitos a rejeitar a Igreja não está longe dos sentimentos que animaram a condenação de Jesus. A Igreja tem um rosto demasiado humano! É frágil, imperfeita e pecadora. E todos queriam que fosse irrepreensível, pura e sem mácula! Ainda assim, esta é a Igreja escolhida por Jesus. Pedro não era o mais corajoso, o mais coerente ou o mais erudito dos Doze apóstolos. Mas Jesus ama a humanidade (a de Pedro e a nossa também) e confia que a Igreja, apesar dos limites, possa anunciar o Evangelho e testemunhar o Amor. E nós devemos confiar também.

É por isso que te digo: não abandones a vinha, não rejeites a Igreja, não repudies a comunidade. Pois sem ti ela fica mais pobre e o caminho de conversão (o teu e o dela) torna-se bem mais difícil.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2017.08.25





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