Leitura do Livro de Ben-Sirá
(Sir 15, 16-21
[15-20])
Se quiseres,
guardarás os mandamentos: ser-lhe fiel depende da tua vontade. Deus pôs diante
de ti o fogo e a água: estenderás a mão para o que desejares. Diante do homem
estão a vida e a morte: o que ele escolher, isso lhe será dado. Porque é grande
a sabedoria do Senhor, Ele é forte e poderoso e vê todas as coisas. Seus olhos
estão sobre aqueles que O temem, Ele conhece todas as coisas do homem. Não
mandou a ninguém fazer o mal, nem deu licença a ninguém de cometer o pecado.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 118 (119)
Refrão: Ditoso o
que anda na lei do Senhor.
Felizes os que
seguem o caminho perfeito
e andam na lei
do Senhor.
Felizes os que
observam as suas ordens
e O procuram de
todo o coração.
Promulgastes os
vossos preceitos
para se
cumprirem fielmente.
Oxalá meus
caminhos sejam firmes
na observância
dos vossos decretos.
Fazei bem ao
vosso servo:
viverei e
cumprirei a vossa palavra.
Abri, Senhor, os
meus olhos
para ver as
maravilhas da vossa Lei.
Ensinai-me,
Senhor, o caminho dos vossos decretos
para ser fiel
até ao fim.
Dai-me
entendimento para guardar a vossa lei
e para a cumprir
de todo o coração.
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
(1 Cor 2, 6-10)
Irmãos: Nós
falamos de sabedoria entre os perfeitos, mas de uma sabedoria que não é deste
mundo, nem dos príncipes deste mundo, que vão ser destruídos. Falamos da
sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que já antes dos séculos Deus tinha
destinado para a nossa glória. Nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu;
porque se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas,
como está escrito, «nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais
passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam».
Mas a nós Deus o revelou por meio do Espírito Santo, porque o Espírito Santo
penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5,17-37)
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os
Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem
o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno
sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes
mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o
menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no
reino dos Céus. Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos
escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus. Ouvistes que foi dito aos
antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém,
digo-vos: Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a
julgamento. Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem
lhe chamar louco será submetido à geena de fogo. Portanto, se fores apresentar
a tua oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa
contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te
com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta. Reconcilia-te com o teu
adversário, enquanto vais com ele a caminho, não seja caso que te entregue ao
juiz, o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. Em verdade te digo: Não
sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo. Ouvistes que foi dito:
‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que olhar para uma
mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o teu olho
é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, pois é
melhor perder-se um dos teus membros do que todo o corpo ser lançado na geena.
E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para
longe de ti, porque é melhor que se perca um dos teus membros, do que todo o
corpo ser lançado na geena. Também foi dito: ‘Quem repudiar sua mulher dê-lhe
certidão de repúdio’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que repudiar sua mulher,
salvo em caso de união ilegal, fá-la cometer adultério. Ouvistes que foi dito
aos antigos: ‘Não faltarás ao que tiveres jurado, mas cumprirás os teus
juramentos para com o Senhor’. Eu, porém, digo-vos que não jureis em caso
algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus; nem pela terra, que é o escabelo
dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. Também não jures
pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo. A vossa
linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno».
BOA NOTÍCIA
«Não vim revogar, mas completar»
No Evangelho do
próximo domingo, dia 15, Jesus recorda-nos que a Lei de Moisés proíbe o
homicídio e o adultério; prevê a possibilidade de divórcio e obriga que sejam
respeitados apenas os compromissos selados com um juramento.
Matar, trair,
repudiar, jurar… «Eu, porém, digo-vos!»
Com esta expressão Jesus introduz quatro novos ensinamentos que completam a
antiga Lei e que podemos muito brevemente sintetizar da seguinte maneira:
1) Não basta
“não matar”: é necessário cultivar o respeito absoluto pela vida e pela
dignidade de cada pessoa.
2) Não basta uma
fidelidade sexual, mas devemos também esforçarmo-nos por purificar o nosso
coração e os nossos pensamentos.
3) Apesar dos
nossos limites e fragilidades, é preciso continuar a acreditar no matrimónio
cristão: não nos podemos simplesmente render à “solução” do divórcio.
4) A necessidade
de jurar implica a existência de um clima de desconfiança que é incompatível
com o “Reino”. Entre os discípulos deve haver um tal clima de sinceridade e
confiança que os simples “sim” e “não” são suficientes.
São quatro
ensinamentos que concretizam e revelam a lição mais importante: um verdadeiro
caminho de fé não pode reduzir-se à observância de algumas regras, mas implica
uma autêntica conversão do coração! Mas se estes mandamentos indicam o Caminho
que conduz à vida plena, não podemos no entanto aplicá-los fanaticamente (tal
como faziam os escribas e fariseus) e nem condenar cegamente quem os quebra,
pois isso seria trair o espírito cristão que deve animar a nossa doutrina. A
lei não é um ídolo e a justiça de Deus não é cega, pois Ele vê e ama cada um de
nós.
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.02.14
Leitura do Livro do profeta
Isaías
(Is 58, 7-10)
Eis o que diz o Senhor: «Reparte o teu pão com o
faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir
e não voltes as costas ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a
aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justice e
seguir-te-á a glória do Senhor. Então, se chamares, o Senhor responderá, se O
invocares, dir-te-á: “Aqui estou”. Se tirares do meio de ti a opressão, os
gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e
matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será
como o meio-dia».
SALMO RESPONSORIAL – Salmo
111 (112)
Refrão: Para o homem recto nascerá uma luz no meio
das trevas.
Brilha aos homens rectos, como luz nas trevas,
o homem misericordioso, compassivo e justo.
Ditoso o homem que se compadece e empresta
e dispõe das suas coisas com justiça.
Este jamais será
abalado;
o justo deixará memória eterna.
Ele não receia más notícias:
seu coração está firme, confiado no Senhor.
O seu coração é inabalável, nada teme;
reparte com largueza pelos pobres,
a sua generosidade permanece para sempre
e pode levantar a cabeça com altivez.
Leitura da Primeira Epístola
do apóstolo São Paulo aos Coríntios
(1 Cor 2, 1-5)
Quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei
com sublimidade de linguagem ou de sabedoria a anunciar-vos o mistério de Deus.
Pensei que, entre vós, não devia saber nada senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo
crucificado. Apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor e a
tremer deveras. A minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem
convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação do Espírito
Santo, para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de
Deus.
Evangelho de Nosso Senhor
Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5, 13-16)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se?
Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós
sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o
candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a
vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem
o vosso Pai que está nos Céus».
BOA NOTÍCIA
Salgados ou insonsos?
No Evangelho do próximo domingo, dia 8, Jesus
compara-nos ao sal e até eu (que não sou um grande cozinheiro) sei que com o
sal não é preciso exagerar. Ninguém quer comida insonsa, mas os pratos que já
não conseguimos “corrigir” sãos os que ficaram demasiado salgados.
«Vós sois o sal da terra.
Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não
serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens». Com esta analogia, Jesus define a missão
dos discípulos no mundo e o tipo de presença que a Igreja deve testemunhar. Ele
diz-nos que o mais importante não é sermos muitos, sermos maioria, sermos
numerosos. O sal nunca é adicionado às mãos-cheias! O importante é “salgar” o
mundo. Por vezes deprimimo-nos quando vemos que a uma actividade aderiram
poucos paroquianos, no entanto o sucesso de uma iniciativa não depende (apenas)
do número de participantes. Podemos ser muitos, mas insonsos! Podemos ser
poucos… mas o importante é que sejamos sal!
Porém, “ser sal” não significa ostentar a própria
fé ou perseguir lugares de visibilidade para que as massas nos admirem e
aplaudam. A nossa missão é “dar sabor” ao mundo, questioná-lo, provocá-lo,
testemunhar o Reino e ser uma interpelação profética. O nosso drama (pelo menos
no Ocidente) é sermos muitas vezes um cristianismo sem Cristo, uma religião sem
fé, um rito sem celebração. Um cristianismo cultural que se reduza a hábitos e
tradições é incapaz de dar sabor à vida e serve apenas para «ser lançado fora»…
Abandonemos a nossa insipidez! Sejamos sal para o
mundo!
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.02.07
Leitura da Profecia de Sofonias
(Sof 2, 3; 3, 12-13)
Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra,
que obedeceis aos seus mandamentos. Procurai a justiça, procurai a humildade;
talvez encontreis protecção no dia da ira do Senhor. Só deixarei ficar no meio
de ti um povo pobre e humilde, que buscará refúgio no nome do Senhor. O resto
de Israel não voltará a cometer injustiças, não tornará a dizer mentiras, nem
mais se encontrará na sua boca uma língua enganadora. Por isso, terão pastagem
e repouso, sem ninguém que os perturbe.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 145 (146),
7.8-9a.9bc-10
Refrão: Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus.
O Senhor faz justiça aos oprimidos,
dá pão aos que têm fome
e a liberdade aos cativos.
O Senhor ilumina os olhos dos cegos,
o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos.
O Senhor protege os peregrinos,
ampara o órfão e a viúva
e entrava o caminho aos pecadores.
O Senhor reina eternamente.
O teu Deus, ó Sião,
é Rei por todas as gerações.
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo
aos Coríntios
(1 Cor 1, 26-31)
Irmãos: Vede quem sois vós, os que Deus chamou:
não há muitos sábios, naturalmente falando, nem muitos influentes, nem muitos
bem-nascidos. Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir
os sábios; escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do
mundo, para reduzir a nada aquilo que vale, a fim de que nenhuma criatura se
possa gloriar diante de Deus. É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual
Se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção. Deste
modo, conforme está escrito, «quem se gloria deve gloriar-se no Senhor».
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São
Mateus
(Mt 5,1-12)
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao
monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los,
dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados.
Bem-aventurados os humildes,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor
da justiça,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,
vos insultarem, vos perseguirem
e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai,
porque é grande nos Céus a vossa recompensa».
BOA NOTÍCIA
Felizes!
Apesar das nossas diferenças, todos procuramos o
mesmo: ser felizes. No entanto, se perguntarmos às pessoas onde estão a
procurar a felicidade, as respostas serão, certamente, muito diferentes. Alguns
dirão que o segredo está numa vida familiar harmoniosa; outros falarão de saúde
e trabalho; vários indicarão a estrada da diversão e do lazer; muitos dirão que
a resposta está no dinheiro e na fama.
No próximo domingo, dia 1, Jesus troca-nos as
voltas com o seu "Sermão da montanha" e ensina-nos que a felicidade
será alcançada pelos pobres de espírito,
os humildes, os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os
misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os perseguidos por
amor da justiça e insultados por causa do Seu nome (cf. Mt 5,1-12).
Estas bem-aventuranças são o âmago (o centro) da Boa
Nova proclamada por Jesus. Revelam-nos um outro olhar e uma outra lógica. Do
alto da montanha, o Filho de Deus olhou para a multidão, viu pobres, aflitos,
doentes e toda uma série de situações que não correspondiam à ideia mundana de
felicidade. Jesus ensinou-nos que estas experiências não são sem esperança.
Aliás: são caminhos que podem conduzir à felicidade se, iluminados pela palavra
de Deus, nos disponibilizarmos a acolher e a construir o Seu Reino. Tal como
dizia São Paulo: «Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a
angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? (...) nem a
morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro
(...) poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus,
Nosso Senhor» (cf. Rom 8,35-39).
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.01.31
Leitura do Livro de Isaías
(Is 8,23b-9,3)
Assim como no tempo passado foi humilhada a terra
de Zabulão e de Neftali, também no futuro será coberto de glória o caminho do
mar, o Além do Jordão, a Galileia dos gentios. O povo que andava nas trevas viu
uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se
levantou. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento.
Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como
exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo
que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros
e o bastão do opressor.
SALMO REPONSORIAL – Salmo 26 (27)
Refrão: O Senhor é minha luz e salvação.
O Senhor é minha lua e salvação:
a quem hei-de temer?
O Senhor é protector da minha vida:
de quem hei-de ter medo?
Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha
vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.
Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem confiança e confia no Senhor.
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo
aos Coríntios
(1 Cor 1,10-13.17)
Irmãos: Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus
Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós,
permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir. Eu soube, meus
irmãos, pela gente de Cloé, que há divisões entre vós, que há entre vós quem
diga: «Eu sou de Paulo», «eu de Apolo», «eu de Pedro», «eu de Cristo». Estará
Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi em nome de Paulo
que recebeste o Baptismo? Na verdade, Cristo não me enviou para baptizar, mas
para anunciar o Evangelho; não, porém, com sabedoria de palavras, a fim de não
desvirtuar a cruz de Cristo.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São
Mateus
(Mt 4,12-23)
Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora
preso, retirou-se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum,
terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o
profeta Isaías anunciara, ao dizer: «Terra de Zabulão e terra de Neftali,
estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos Gentios: o povo que vivia nas trevas
viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma
luz se levantou». Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque
o reino de Deus está próximo». Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois
irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar,
pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me e farei de vós
pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco
mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão
João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as
redes. Jesus chamou-os e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O. Depois
começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o
Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.
BOA NOTÍCIA
Contigo encontrei outro mar
Depois de uma longa introdução que nos ocupou
durante o Advento, Natal e as duas primeiras semanas do tempo comum, o
evangelista Mateus encerra a narração da preparação de Jesus para a missão e
abre finalmente os capítulos do anúncio do Reino. No próximo domingo, dia 25, o
Evangelho descreve-nos o momento em que Jesus chama os seus primeiros
discípulos: «Vinde e segui-Me e farei de
vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O.
Que não hajam ilusões: este Evangelho não “fala”
apenas a (e de) alguns cristãos. Enganam-se se acreditam que a mensagem deste
domingo seja apenas para padres, freiras e consagrados. Todos somos convidados
a ser discípulos! Todos somos reunidos neste convite comum e pessoal:
«Segue-me!».
É verdade que existem vocações diferentes e várias
maneiras de viver a fé cristã, mas “seguir Jesus” e testemunhar/anunciar o
Evangelho devem ser prioridades na vida de qualquer baptizado. Casados ou
solteiros, idosos ou jovens, saudáveis ou doentes, cada um de nós é chamado, na
própria condição de vida, a ser discípulo e pescador de “humanidade”, capaz de
suscitar nos outros o santo desassossego de querer seguir Jesus também.
A todos nós Jesus pede “conversão” e esse conceito
não muda, quer sejamos padres ou leigos. Implica despir-se do egoísmo que
impede de estar atento às necessidades dos irmãos; implica a renúncia ao
comodismo, que impede o compromisso com os valores do Evangelho; implica o sair
do isolamento e da auto-suficiência, para estabelecer relações e para fazer da
vida um dom e um serviço aos outros.
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.01.24
Leitura do Livro de Isaías
(Is 49,3.5-6)
Disse-me o Senhor: «Tu és o meu servo, Israel, por
quem manifestarei a minha glória». E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou
desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de lhe reconduzir
Jacob e reunir Israel junto d’Ele. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e
Deus é a minha força. Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para
restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Vou
fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins
da terra».
SALMO RESPONSORIAL – Salmo
39(40)
Refrão: Eu venho, Senhor, para fazer a vossa
vontade.
Esperei no senhor com toda a confiança
e Ele atendeu-me.
Pôs em meus lábios um cântico novo,
um hino de louvor ao nosso Deus.
Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,
mas abristes-me os ouvidos;
não pedistes holocaustos nem expiações,
então clamei: «Aqui estou».
«De mim está escrito no livro da Lei
que faça a vossa vontade.
Assim o quero, ó meu Deus,
a vossa lei está no meu coração».
Proclamei a justiça na grande assembleia,
não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.
Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,
proclamei a vossa fidelidade e salvação.
Início da primeira Epístola
do apóstolo São Paulo aos Coríntios
(1 Cor 1,1-3)
Irmãos: Paulo, por vontade de Deus escolhido para
Apóstolo de Cristo Jesus e o irmão Sóstenes, à Igreja de Deus que está em
Corinto, aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados à santidade, com
todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Senhor deles e nosso: A graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus
Cristo estejam convosco.
Evangelho de Nosso Senhor
Jesus Cristo segundo São João
(Jo 1,29-34)
Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha
ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do
mundo. Era d’Ele que eu dizia: “Depois de mim virá um homem, que passou à minha
frente, porque existia antes de mim”. Eu não O conhecia, mas para Ele Se
manifestar a Israel é que eu vim baptizar em água». João deu mais este
testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e repousar
sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou a baptizar em água é que me
disse: “Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e repousar é que
baptiza no Espírito Santo”. Ora eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de
Deus».
BOA NOTÍCIA
Ele tira o pecado do mundo
Na semana passada celebrámos a Festa do Baptismo de
Jesus e no próximo domingo, dia 18, o Evangelho propõe-nos o testemunho que
João Baptista dá desse encontro com o jovem carpinteiro da Galileia: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como
uma pomba e permanecer sobre Ele. (…) Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é
o Filho de Deus».
João diz também que Jesus é «o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo»… e esta afirmação
pode facilmente baralhar-nos. Se a missão de Jesus era eliminar o pecado do
mundo e todos podemos constatar que o mundo permanece impregnado de crimes e
injustiças… então, Jesus falhou? Como podemos conciliar a afirmação de João
Baptista com o triste quadro de guerras, egoísmo e corrupção que vemos
diariamente?
Jesus veio para tirar (eliminar) o pecado do
mundo. A palavra “pecado” aparece, aqui, no singular: não designa os “pecados”
dos homens, mas um “Pecado” único que oprime a humanidade inteira. Esse pecado
é a ignorância do verdadeiro rosto misericordioso do Pai, aliada à elaboração
de horrendas caricaturas (de Deus, da Igreja, da felicidade) que afastam os
homens da Verdade.
Deus propõe aos homens um Caminho de salvação, mas
não impõe nada e respeita a liberdade das nossas opções. É preciso termos
consciência de que a nossa humanidade implica um quadro de fragilidade e de
limitação e que, portanto, o pecado vai fazer sempre parte da nossa experiência
histórica. Mas a libertação plena e definitiva do pecado não é um sonho ingénuo
pois, tal como nos ensina São Paulo: «Agora vemos em espelho e de maneira
confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado,
mas depois conhecerei como sou conhecido».
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.01.17
Leitura do Livro de Isaías
(Is 42,1-4.6-7)
Diz o Senhor: «Eis o meu servo, a quem Eu protejo,
o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para
que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará
ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda
fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto
não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam.
Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te
e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos
cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas
trevas».
SALMO RESPONSORIAL – Salmo
28 (29)
Refrão: O Senhor abençoará o seu povo na paz.
Tributai ao Senhor, filhos de Deus,
tributai ao Senhor glória e poder.
Tributai ao Senhor a glória do seu nome,
adorai o Senhor com ornamentos sagrados.
A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,
o Senhor está sobre a vastidão das águas.
A voz do Senhor é poderosa,
a voz do Senhor é majestosa.
A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão
e no seu templo todos clamam: Glória!
Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,
o Senhor senta-Se como Rei eterno.
Leitura dos Actos dos
Apóstolos
(Actos 10,34-38)
Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Na
verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer
nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. Ele enviou a sua
palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor
de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia,
depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a
Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos
pelo Demónio, porque Deus estava com Ele».
Evangelho de Nosso Senhor
Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 3,13-17)
Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter
com João Baptista ao Jordão, para ser baptizado por ele. Mas João opunha-se,
dizendo: «Eu é que preciso de ser baptizado por Ti, e Tu vens ter comigo?».
Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a
justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. Logo que Jesus foi
baptizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de
Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia:
«Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».
BOA NOTÍCIA
O silêncio é de ouro
No próximo domingo celebraremos a Festa do
Baptismo do Senhor. Em pouco mais de quinze dias, fomos convidados a meditar o
nascimento de Jesus em Belém, a visita dos reis magos e a fuga da Sagrada
Família para o Egipto. Os relatos evangélicos da infância de Jesus incluem
ainda o famoso episódio, de quando Ele aos doze anos, após ter estado
desaparecido durante três dias, foi reencontrado pelos seus pais, no templo de
Jerusalém. No entanto, no Evangelho do dia 11, é um Jesus adulto (com cerca
trinta anos de idade) que se apresenta diante de João para receber o baptismo.
Naturalmente, a curiosidade suscita em todos nós a mesma pergunta: como foram
passadas as primeiras três décadas da vida de Jesus?
Podemos apenas fazer hipóteses e suposições… mas o
silêncio bíblico que envolve aqueles anos acaba por ser o elemento mais
importante a incluir nos nossos palpites: a falta de relatos leva-nos a supor
que não houvesse nada de extraordinário para relatar. A vida de Jesus até ao
momento do baptismo no rio Jordão (excluindo os eventos ligados ao Seu
nascimento) provavelmente não era muito distinta da vida dos Seus
contemporâneos: uma vida anónima, trabalhando como carpinteiro numa pequena
aldeia da Galileia. A Palavra fez-se carne e durante trinta anos permaneceu num
silêncio frutífero: escutando, aprendendo, meditando.
Se o exemplo de Jesus deve iluminar a nossa vida,
também este período de "mutismo" tem algo para nos ensinar (e concluo
com este bom conselho…). Se Deus nos deu uma boca e dois ouvidos, é para que os
usemos nessa proporção: nesta vida é sensato falar menos e ouvir mais!
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.01.10
Leitura do Livro de Isaías
(Is 60,1-6)
Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou
a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e
a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senior e a sua glória te
ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora.
Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão
chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires
ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os
tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma
multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá,
trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo
71 (72)
Refrão: Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos
da terra.
Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.
Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.
Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,
os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.
Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,
todos os povos o hão-de servir.
Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.
Leitura da Epístola do
apóstolo São Paulo aos Efésios
(Ef 3,2-3a.5-6)
Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que
Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o
mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos
filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos
apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus,
pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por
meio do Evangelho.
Evangelho de Nosso Senhor
Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 2,1-12)
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias
do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde
está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua
estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes
ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os
príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer
o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito
pelo profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as
principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de
Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e
pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a
estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos
cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que
também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a
estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar
onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na
casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele,
adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro,
incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes,
regressaram à sua terra por outro caminho.
BOA NOTÍCIA
«Viram o Menino e,
prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O»
No dia em que a Igreja celebra a solenidade da
Epifania (do grego επιφάνεια que significa “manifestação”) normalmente é
anunciada, durante a missa e de forma solene, a data da próxima Páscoa, que em
2026 se celebrará no dia 5 de Abril. Poderá parecer estranho anunciar a data
que recorda a cruz, quando nas nossas igrejas ainda podemos contemplar a imagem
do presépio, mas se na Epifania celebramos a manifestação de Deus ao mundo, é
na Páscoa e no crucifixo que essa revelação atinge a plenitude. No entanto,
é-nos já dada, nesta celebração, a possibilidade de intuir a verdadeira
identidade de Jesus e os presentes oferecidos pelos magos fornecem-nos algumas
“pistas” que não podemos ignorar…
Ouro: uma prenda digna de um monarca. A criança
que nasce no estábulo de Belém é o Messias, o Cristo Rei.
Incenso: a resina perfumada normalmente oferecida
e queimada nas grandes celebrações religiosas. Jesus é Deus; o Verbo feito
carne; o Filho do Altíssimo.
Mirra: quase uma prenda de “mau gosto” para se dar
a um recém-nascido, se consideramos que é um ingrediente utilizado na
embalsamação dos cadáveres. No entanto é um presente que nos recorda que Jesus
Cristo é o cordeiro de Deus que dá a vida; é o Crucificado.
A página do Evangelho de Mateus descreve-nos
também algumas das reacções possíveis que podemos assumir diante da notícia do
nascimento de Jesus Cristo, nomeadamente podemos reflectir sobre três atitude
bem distintas: a de Herodes, a dos escribas e a dos magos.
A Bíblia diz-nos que Herodes «ao ouvir tal notícia (…) ficou perturbado». Imediatamente convocou
à sua presença os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, mas não por
desejar conhecer a Verdade. Entre a sua vontade e a de Deus, Herodes escolheu a
primeira e procura silenciar a segunda. Não lhe interessa que a criança seja o
Messias. Para Herodes a única coisa importante é poder continuar a viver como
sempre viveu.
Quando Herodes pergunta aos sacerdotes e escribas
o lugar onde o Messias deveria nascer, estes não hesitam e dão imediatamente a
resposta certa: «Em Belém da Judeia».
No entanto, para nossa surpresa, eles não partem com os magos para Belém.
Conseguem indicar a estrada justa aos outros, mas não estão dispostos a segui-la.
Tal como a atitude de Herodes, também esta reacção é muito comum hoje em dia.
Conhecemos a mensagem de Jesus e conseguimos até explicá-la ao mundo, mas
falta-nos a coragem de viver a radicalidade do Evangelho e, portanto,
permanecemos numa vida que pouco ou nada se distingue das vidas de quem não tem
fé.
A última reacção é a dos magos que nos catequizam,
não tanto com as palavras que dizem, mas sim, com os gestos que fazem. Sem
perder tempo, lançam-se à estrada e deixam para trás o conforto e a segurança
das próprias casas. Têm sede de Deus e por isso colocam-se em Caminho, prontos
a abandonar tudo o que conheciam, tudo o que sabiam. E são sempre eles, os
magos, que nos dão esta última indicação preciosa: «avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes,
regressaram à sua terra por outro caminho». O encontro com Cristo muda-nos
e obriga-nos a viajar por uma nova estrada. Não podemos voltar a percorrer os
velhos caminhos, pois esse encontro (se for verdadeiro, se for autêntico)
determinará uma profunda conversão e uma mudança radical de direcção nas nossas
vidas.
Um bom domingo a todos e um feliz 2026!
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.01.03