sábado, 4 de julho de 2026

14º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura da Profecia de Zacarias
(Zac 9,9-10)
Eis o que diz o Senhor: “Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145)
Refrão: Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei.
 
Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei,
e bendizer o vosso nome para sempre.
Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
 
O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.
 
Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.
 
O Senhor é fiel à sua palavra
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor ampara os que vacilam
e levanta todos os oprimidos.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 8,9.11-13)
Irmãos: Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. Assim, irmãos, não somos devedores à carne, para vivermos segundo a carne. Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 11,25-30)
Naquele tempo, Jesus exclamou: “Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Tudo me foi dado por meu Pai. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.
 
 
BOA NOTÍCIA
Jugo ou libertação?
O Evangelho do próximo domingo, dia 5, propõe-nos uma oração («Eu Te bendigo, ó Pai…»), uma declaração («Tudo me foi dado por meu Pai…») e um convite («Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos…»). Ao escutar o último trecho (a convocação de Jesus) é difícil não recordar o famoso soneto de Emma Lazarus, “The New Colossus”, cujos versos foram gravados em 1903, numa laje de bronze, no interior da Estátua da Liberdade, como que a sugerir que ela mesma os declamasse, ao saudar os milhões de emigrantes que desembarcavam, naqueles anos, nos portos do estado de Nova Iorque: Give me your tired, your poor, / Your huddled masses yearning to breathe free, (Dai-me os vossos cansados, os vossos pobres, / As vossas multidões que anseiam por um ar de liberdade).
 
É bem possível que o Evangelho tenha inspirado estes versos; no fundo, ambos os textos evocam o mesmo desejo de liberdade. No caso de Jesus, o cansaço e a opressão de que Ele promete libertar-nos são o fruto de uma interpretação idolátrica da Lei: muitos crentes, incapazes de respeitar diariamente os 613 mandamentos da Lei judaica, sentiam-se indignos e condenados. A Lei aprisionava, em lugar de libertar e afastava os homens de Deus, em lugar de os conduzir à Salvação. Jesus anuncia que veio libertar o Homem da escravidão da Lei!
 
Mas hoje, os pobres e os marginalizados continuam a encontrar nas nossas comunidades essa promessa de liberdade e emancipação? Ou será que perdemos de vista a novidade cristã e caímos de novo no erro de absolutizar a Lei? Vemos o Evangelho como um jugo pesado ou como uma alegre libertação? As respostas que dermos serão o “termómetro” da nossa fé…
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.07.04



 
 
 

sábado, 27 de junho de 2026

13° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Segundo Livro dos Reis
(2 Reis 4, 8-11.14-16a)
Certo dia, o profeta Eliseu passou por Sunam. Vivia lá uma distinta senhora, que o convidou com insistência a comer em sua casa. A partir de então, sempre que por ali passava, era em sua casa que ia tomar a refeição. A senhora disse ao marido: «Estou convencida de que este homem, que passa frequentemente pela nossa casa, é um santo homem de Deus. Mandemos-lhe fazer no terraço um pequeno quarto com paredes de tijolo, com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada. Quando ele vier a nossa casa, poderá lá ficar». Um dia, chegou Eliseu e recolheu-se ao quarto para descansar. Depois perguntou ao seu servo Giezi: «Que podemos fazer por esta senhora?». Giezi respondeu: «Na verdade, ela não tem filhos e o seu marido é de idade avançada». «Chama-a» – disse Eliseu. O servo foi chamá-la e ela apareceu à porta. Disse-lhe o profeta: «No próximo ano, por esta época, terás um filho nos braços».
 
 
Salmo 88 (89), 2-3.16-17.18-19 (R. 2a)
Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.
 
Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
e para sempre proclamarei a sua fidelidade.
Vós dissestes:
«A bondade está estabelecida para sempre»,
no céu permanece firme a vossa fidelidade. Refrão
 
Feliz do povo que sabe aclamar-Vos
e caminha, Senhor, à luz do vosso rosto.
Todos os dias aclama o vosso nome
e se gloria com a vossa justiça. Refrão
 
Vós sois a sua força,
com o vosso favor se exalta a nossa valentia.
Do Senhor é o nosso escudo
e do Santo de Israel o nosso rei. Refrão
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 6, 3-4.8-11)
Irmãos: Todos nós que fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos; sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele. Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida, é uma vida para Deus. Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 37-42)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: Não perderá a sua recompensa».
 
 
BOA NOTÍCIA
Missionários full-time
No Evangelho do próximo Domingo escutaremos a parte final do “discurso da missão” (já iniciado na semana passada). Neste texto o evangelista Mateus recolheu uma série de “ditos” de Jesus sobre os temas do envio e da missão: podemos quase considerá-lo uma espécie de “manual do missionário cristão”.
 
«Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la».
 
Entre os vários ensinamentos propostos, esta página recorda-nos que uma preocupação exagerada em proteger os próprios esquemas e interesses pode fechar-nos num egoísmo estéril e afastar-nos definitivamente da vida verdadeira, que é abertura, relação e dom de si. Aliás, a “missão” não deve ser compreendida apenas na perspectiva clássica (mas limitada) do deixar tudo e partir para evangelizar uma terra distante. A Missão é um estilo de vida; é uma relação de amor cultivada diariamente com Cristo, que se deve traduzir no reconhecimento da fraternidade que nos une e no testemunho generoso do amor e misericórdia de Deus Pai.
 
Este ideal de vida é muito belo, mas também é muito exigente. O Evangelho não admite “meias-tintas” e o verdadeiro discípulo de Jesus é apresentado sem descontos: é alguém que percebe e aceita que a Missão é "a" prioridade e que devemos dedicar-lhe, não apenas o tempo que sobra, mas uma boa parte do nosso dia, da nossa semana, do nosso mês... enfim, da nossa vida!
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.06.27



 
 

sábado, 20 de junho de 2026

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro do profeta Jeremias
(Jer 20, 10-13)
Disse Jeremias: «Eu ouvia as invectivas da multidão: ‘Terror por toda a parte! Denunciai-o, vamos denunciá-lo!’. Todos os meus amigos esperavam que eu desse um passo em falso: ‘Talvez ele se deixe enganar e assim o poderemos dominar e nos vingaremos dele’. Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos. Ficarão cheios de vergonha pelo seu fracasso, ignomínia eterna que não será esquecida. Senhor do Universo, que sondais o justo e perscrutais os rins e o coração, possa eu ver o castigo que dareis a essa gente, pois a Vós confiei a minha causa. Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, que salvou a vida do pobre das mãos dos perversos».
 
 
SALMO RESPONSORIAL - Salmo 68 (69), 8-10.14.17. 33-35
Refrão: Pela vossa grande misericórdia, atendei-me, Senhor.
 
Por Vós tenho suportado afrontas,
cobrindo-se meu rosto de confusão.
Tornei-me um estranho para os meus irmãos,
um desconhecido para a minha família.
Devorou-me o zelo pela vossa casa
e recaíram sobre mim os insultos contra Vós. Refrão
 
A Vós, Senhor, elevo a minha súplica,
no momento propício, meu Deus.
Pela vossa grande bondade, respondei-me,
em prova da vossa salvação.
Tirai-me do lamaçal, para que não me afunde,
livrai-me dos que me odeiam e do abismo das águas. Refrão
 
Vós, humildes, olhai e alegrai-vos,
buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará.
O Senhor ouve os pobres
e não despreza os cativos.
Louvem-n’O o céu e a terra,
os mares e quanto neles se move. Refrão
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 5, 12-15)
Irmãos: Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei. Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado por uma transgressão à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir. Mas o dom gratuito não é como a falta. Se pelo pecado de um só todos pereceram, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a todos os homens.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 26-33)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus».
 
 
BOA NOTÍCIA
Deus não se esquece de ninguém
Depois de eleger os Doze apóstolos, Jesus deu aos seus discípulos uma série de instruções, antes de enviá-los a proclamar a Boa Nova. O Evangelho que escutaremos no próximo domingo é um trecho desse "discurso missionário", onde o tema central é sugerido pela expressão «Não temais!», que se repete por três vezes ao longo do texto:
 
«Não tenhais medo dos homens (...) Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma (...) Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais».
 
O Evangelho convida-nos a não nos deixarmos paralisar pelo medo. Jesus não promete aos seus discípulos uma vida sem oposições, incompreensões ou feridas. Promete algo ainda maior: Deus não se esquece de ninguém. Se o Pai vela por «todos os passarinhos», vela ainda mais por nós.
 
«Não tenhais medo»: não é um convite à arrogância, mas à confiança. O cristão não é alguém que nunca treme: é alguém que, mesmo tremendo, sabe que está nas mãos de Deus. Peçamos ao Senhor um coração que não se esconda por trás do medo, mas que saiba confiar no Pai e testemunhar Cristo com humildade, coragem e amor.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.06.20



 
 

sábado, 13 de junho de 2026

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro do Êxodo
(Ex 19, 2-6a)
Naqueles dias, os filhos de Israel partiram de Refidim e chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam, em frente da montanha. Moisés subiu à presença de Deus. O Senhor chamou-o da montanha e disse-lhe: «Assim falarás à casa de Jacob, isto dirás aos filhos de Israel: ‘Vistes o que Eu fiz ao Egito, como vos transportei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim. Agora, se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos. Porque toda a terra Me pertence; mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa’».
 
 
SALMO RESPONSORIAL Salmo 99 (100), 2.3.5 (R. 3c)
Refrão: Nós somos o povo de Deus, as ovelhas do seu rebanho.
 
Aclamai o Senhor, terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo. Refrão
 
Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho. Refrão
Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração. Refrão
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 5, 6-11)
Irmãos: Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. E agora, que fomos justificados pelo seu sangue, com muito mais razão seremos por Ele salvos da ira divina. Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, depois de reconci­liados, seremos salvos pela sua vida. Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 9, 36 – 10, 8)
Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça».
 
 
BOA NOTÍCIA
A missão nasce da oração
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos». Diante da imensidão das necessidades humanas, Jesus não diz primeiro “fazei”, mas “orai”. Não apela, antes de tudo, a que nos organizemos melhor, multipliquemos atividades ou enchamos ainda mais as nossas agendas. Cristo convida à oração: «Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores».
 
É um convite que purifica a nossa ideia de missão. Por vezes pensamos que o Reino de Deus depende apenas das nossas forças, da nossa generosidade, da nossa eficiência. Mas os trabalhadores do Evangelho não se fabricam em laboratório e não se escolhem só porque há muito para fazer. São um dom de Deus. Nascem de um coração chamado, moldado, convertido. Nascem da oração.
 
Rezar pelos «trabalhadores da seara» significa reconhecer que a missão pertence, acima de tudo, ao Senhor. A colheita é Sua. A Igreja é Sua. O mundo ferido que espera consolo é Seu. Nós somos enviados, não proprietários; servos, não senhores; instrumentos, não protagonistas. Por isso, a oração não é uma pausa na missão: é a sua fonte. Peçamos, então, ao Senhor da seara que não nos deixe prisioneiros da ânsia de fazer, mas que nos eduque na confiança da oração.
 
P. Carlos Caetano, cs
in LusoJornal 2026.06.13



 
 

sábado, 6 de junho de 2026

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO – ANO A

NB: Tradicionalmente a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo celebra-se na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade. Todavia, nalgumas nações, tais como França e Itália, onde foi eliminado o feriado nacional, esta solenidade é adiada para o domingo sucessivo.
 
Leitura do Livro do Deuteronómio
(Deut 8, 2-3.14b-16a)
Moisés falou ao povo, dizendo: «Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa de escravidão, e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».
 
 
SALMO RESPONSORIAL - Salmo 147, 12-13.14-15.19-20
Refrão: Jerusalém, louva o teu Senhor.
 
Glorifica, Jerusalém, o Senhor,
louva, Sião, o teu Deus.
Ele reforçou as tuas portas
e abençoou os teus filhos.
 
Estabeleceu a paz nas tuas fronteiras
e saciou-te com a flor da farinha.
Envia à terra a sua palavra,
corre veloz a sua mensagem.
 
Revelou a sua palavra a Jacob,
suas leis e preceitos a Israel.
Não fez assim com nenhum outro povo,
a nenhum outro manifestou os seus juízos.
 
 
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios
(1 Cor 10, 16-17)
Irmãos: Não é o cálice de bênção que abençoamos a comunhão com o Sangue de Cristo? Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo? Visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do mesmo pão.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 6, 51-58)
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo». Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?». Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».
 
 
BOA NOTÍCIA
O sabor da eternidade
«Quem comer este pão viverá eternamente». No dia do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, estas palavras lembram-nos que a Eucaristia não é um ritual a cumprir, mas uma vida a receber. Cristo não nos oferece uma ideia, um símbolo vazio, um consolo passageiro: Ele dá-nos a si mesmo. O Pão eucarístico é a forma humilde e concreta com que Deus entra na nossa fome mais profunda: fome de sentido, de perdão, de amor, de eternidade.
 
Comer este Pão significa deixar-se transformar por Cristo. Não podemos aproximar-nos do altar e ficar fechados em nós mesmos; não podemos receber o Corpo do Senhor e ignorar o corpo ferido dos nossos irmãos. A Eucaristia faz de nós Igreja, educa-nos para a comunhão, empurra-nos para fora de todo o egoísmo.
 
«Viverá para sempre» não significa apenas viver depois da morte. Significa começar já agora uma vida nova, habitada por Deus, mais forte do que o medo, maior do que o pecado, mais tenaz do que a morte. Hoje adoramos o Corpo de Cristo, mas deixamos também que Ele molde o nosso corpo, as nossas mãos, as nossas palavras, as nossas escolhas. Quem come este Pão leva ao mundo o sabor da eternidade.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.06.06



 
 

domingo, 31 de maio de 2026

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE – ANO A

Leitura do Livro do Êxodo
(Ex 34,4b-6.8-9)
Naqueles dias, Moisés levantou-se muito cedo e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe ordenara, levando nas mãos as tábuas de pedra. O Senhor desceu na nuvem, ficou junto de Moisés, que invocou o nome do Senhor. O Senhor passou diante de Moisés e proclamou: «O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade». Moisés caiu de joelhos e prostrou-se em adoração. Depois disse: «Se encontrei, Senhor, aceitação a vossos olhos, digne-Se o Senhor caminhar no meio de nós. É certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança».
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Dan 3,52-256
Refrão: Digno é o Senhor de louvor e de glória para sempre.
 
Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito o vosso nome glorioso e santo:
digno de louvor e de glória para sempre.
 
Bendito sejais no templo santo da vossa glória:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no trono da vossa realeza:
digno de louvor e de glória para sempre.
 
Bendito sejais, Vós que sondais os abismos
e estais sentados sobre os Querubins:
digno de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no firmamento dos céus:
digno de louvor e de glória para sempre.
 
 
Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
(2 Cor 13,11-13)
Irmãos: Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 3,16-18)
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita n’Ele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus».
 
 
BOA NOTÍCIA
Um Abraço Divino
 
«Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele». Muitas vezes imaginamos o mistério da Santíssima Trindade como um frio enigma matemático: três pessoas num único Deus. Mas as palavras do evangelista revelam-nos que a Trindade não é um conceito abstracto a decifrar, mas sim um abraço divino no qual nos podemos envolver. Deus não é solidão majestosa, mas comunhão infinita.
 
O Evangelho revela-nos a sua dinâmica: há um PAI que ama o mundo tão profundamente que faz o dom supremo do Filho.
 
Há o FILHO que desce até nós não para proferir sentenças de condenação sobre as nossas fragilidades, mas para nos oferecer a salvação.
 
E, implicitamente, há o ESPÍRITO SANTO, o sopro vital e o amor inesgotável que os une e se derrama sobre nós.
 
Acreditar significa precisamente mergulhar nesta relação. Na origem da Criação não encontramos um tribunal severo, mas um vórtice de amor divino que deseja apenas expandir-se e acolher-nos.
 
A Trindade não é um mistério distante a explicar, mas uma vida a acolher. Deus é amor que se doa, relação que gera vida, misericórdia que procura o homem mesmo quando o homem se perde.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.05.31



 
 

sábado, 23 de maio de 2026

SOLENIDADE DE PENTECOSTES – ANO A

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 2,1-11)
Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 103 (104)
Refrão: Mandai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a terra.
 
Bendiz, ó minha alma, o Senhor.
Senhor, meu Deus, como sois grande!
Como são grandes, Senhor, as vossas obras!
A terra está cheia das vossas criaturas.
 
Se lhes tirais o alento, morrem
e voltam ao pó donde vieram.
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida
e renovais a face da terra.
 
Glória a Deus para sempre!
Rejubile o Senhor nas suas obras.
Grato Lhe seja o meu canto
e eu terei alegria no Senhor.
 
 
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
(1 Cor 12,3b-7.12-13)
Irmãos: Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela acção do Espírito Santo. De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós - judeus e gregos, escravos e homens livres - fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 20,19-23)
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
 
 
BOA NOTÍCIA
Parabéns a você, nesta data querida…
Cinquenta dias depois da Páscoa, a Igreja celebra o seu aniversário: a solenidade de Pentecostes. Neste dia recordamos o dom do Espírito Santo e o nascimento da Igreja, que, animada pelo Paráclito, começa a anunciar ao mundo a grande notícia da Páscoa: Jesus Cristo ressuscitou! No Evangelho, é o próprio Ressuscitado quem se aproxima dos discípulos e lhes confia a missão: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Depois, sopra sobre eles e diz: «Recebei o Espírito Santo».
 
Este sopro de Jesus recorda o gesto de Deus Pai na Criação, quando deu ao homem o sopro da vida. Agora, o Filho dá à Igreja uma vida nova. E o Espírito Santo é o vento de Deus que renova tudo, como cantamos no salmo: «Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovai a face da terra».
 
No dia de Pentecostes começa este grande renovamento: começa o tempo da Igreja. Uma Igreja frágil, porque feita de pobres pecadores, mas capaz de maravilhas quando escuta e segue o Espírito Santo.
 
P. Carlos Caetano, cs
in LusoJornal 2026.05.24



sábado, 16 de maio de 2026

ASCENSÃO DO SENHOR – ANO A

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 1,1-11)
No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «do Qual - disse Ele - Me ouvistes falar. Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 46 (47)
Refrão: Por entre aclamações e ao som da trombeta, ergue-Se Deus, o Senhor.
 
Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra.
 
Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai.
 
Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios
(Ef 1,17-23)
Irmãos: O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória que encerra a sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza que representa o seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há de vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-1'O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.
 
 
Conclusão do santo Evangelho segundo São Mateus.
(Mt 28,16-20)
Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».
 
 
BOA NOTÍCIA
Deus tem fé no Homem
A Festa da Ascensão (celebrada em França no dia 14 de Maio e em Portugal no dia 17) assinala o fim de um capítulo: terminaram os anos da presença histórica de Jesus Cristo entre nós. Na semana seguinte, com a solenidade de Pentecostes, recordaremos a vinda do Espírito Santo e a entrada definitiva no tempo da Igreja. «Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Com estas palavras, Jesus confia aos apóstolos a missão de anunciar ao mundo tudo aquilo que Ele revelou.
 
Não acham estranha esta decisão? Colocar uma missão tão importante nas mãos de pessoas que, durante a Páscoa, demonstraram ser frágeis e incoerentes?
 
Existe apenas uma explicação: Deus tem fé no Homem! Ele ama-nos e acredita que podemos mudar; que podemos ser a melhor versão possível de nós mesmos. Por incrível que pareça, Ele escolheu-nos (a ti e a mim, querido leitor!) para anunciarmos ao mundo a Palavra. Somos os melhores? Não. Os mais inteligentes e sábios? Não. Os mais bonitos e fascinantes? Não. Somos tal e qual como os apóstolos. Somos Pedro, Tiago, João... e às vezes, até Judas. Uma comunidade, não de gente perfeita, mas de gente perdoada. Uma Igreja em caminho, confortada pelo Espírito e à procura de respostas para as perguntas que a História lhe coloca.
 
Deus ama-nos e quer que alcancemos a maturidade; que sejamos cristãos adultos. Ama-nos e por isso teve que esconder a sua presença, limitar a sua influência, para que pudéssemos ser livres nas nossas escolhas. Ama-nos! E confia que conseguiremos construir o Reino, purificar a nossa fé e anunciar o Seu amor.
 
P. Carlos Caetano
in Lusojornal 16.05.2026
 
NB - No que diz respeito às Festas de Guarda, o calendário litúrgico pode apresentar algumas diferenças consoante o país. Normalmente, o blog "Liturgia da Palavra" segue a agenda prevista pela Conferência Episcopal Portuguesa. Por este motivo, coloco à vossa disposição as leituras da Festa da Ascensão e não aquelas do 7º Domingo da Páscoa.



 
 
 

sábado, 9 de maio de 2026

6º DOMINGO DE PÁSCOA – ANO A

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 8,5-8.14-17)
Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia. De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. E houve muita alegria naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus enviaram-lhes Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 65 (66)
Refrão: A terra inteira aclame o Senhor.
 
Aclamai a Deus, terra inteira,
cantai a glória do seu nome,
celebrai os seus louvores,
dizei a Deus: «Maravilhosas são as vossas obras».
 
«A terra inteira Vos adore e celebre,
entoe hinos ao vosso nome».
Vinde contemplar as obras de Deus,
admirável na sua acção pelos homens.
 
Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi,
vou narrar-vos quanto Ele fez por mim.
Bendito seja Deus que não rejeitou a minha prece,
nem me retirou a sua misericórdia.
 
 
Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
(1 Pe 3,15-18)
Caríssimos: Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder, a quem quer que seja, sobre a razão da vossa esperança. Mas seja com brandura e respeito, conservando uma boa consciência, para que, naquilo mesmo em que fordes caluniados, sejam confundidos os que dizem mal do vosso bom procedimento em Cristo. Mais vale padecer por fazer o bem, se for essa a vontade de Deus, do que por fazer o mal. Na verdade, Cristo morreu uma só vez pelos nossos pecados, o Justo pelos injustos, para nos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 14,15-21)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Defensor, para estar sempre convosco: o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós. Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós. Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis. Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós. Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele».
 
 
BOA NOTÍCIA
«Não vos deixarei órfãos»
Quando nasceu a Igreja? Será que surgiu em Belém, quando os pastores e os reis adoraram o Menino na manjedoura? Ou talvez, quando Jesus chamou os primeiros discípulos? Ou possivelmente, na última ceia, quando Ele consagrou e partilhou o pão (corpo) e o vinho (sangue)?
 
Em toda a narrativa da salvação, desde Génesis até aos Evangelhos, encontramos sinais (autênticas sementes) que indicam a presença germinal da futura comunidade cristã. Mas é na solenidade de Pentecostes, celebrada cinquenta dias após a Páscoa, que a Igreja nasce definitivamente, acolhe o dom do Espírito Santo e inicia a sua missão de anúncio e testemunho.
 
É em vista dessa grande celebração que a liturgia do próximo domingo nos propõe um trecho do “testamento” de Jesus: numa noite de quinta-feira do ano trinta, na véspera da Sua morte na cruz, Jesus reuniu-Se com os seus discípulos numa ceia. No decurso dessa ceia, Ele despediu-Se e convidou-os a seguir o Seu caminho de entrega a Deus e de amor radical aos irmãos. Mas os discípulos estão inquietos: como manterão a comunhão com Jesus e como receberão d’Ele a força para doar, dia após dia, a própria vida?
 
Jesus promete que não (n)os deixará órfãos: «Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Defensor, para estar sempre convosco: o Espírito da verdade».
 
Irmãos e irmãs, a grande solenidade de Pentecostes aproxima-se. Peçamos a Deus que nos ajude a eliminar da nossa vida, todos os obstáculos que impedem a acção do Espírito Santo, para que possamos ser testemunhas credíveis, missionários corajosos e membros dignos da família de Deus: a Igreja una, santa, católica e apostólica.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.05.10



 
 

sábado, 2 de maio de 2026

5º DOMINGO DE PÁSCOA – ANO A

 Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 6,1-7)
Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deu para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e submetia-se à fé também grande número de sacerdotes.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33)
Refrão: Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.
 
Justos, aclamai o Senhor,
os corações rectos devem louvá-1’O.
Louvai o Senhor com a cítara,
Cantai-Lhe salmos ao som da harpa.
 
A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.
 
Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.
 
 
Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
(1 Pe 2,4-9)
Caríssimos: Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso se lê na Escritura: «Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido» Honra, portanto, a vós que acreditais. Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular», «pedra de tropeço e pedra de escândalo». Tropeçaram por não acreditarem na palavra, à qual foram destinados. Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores» d’Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 14,1-12)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos um lugar e virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho? Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores que estas, porque Eu vou para o Pai».
 
 
BOA NOTÍCIA
Ou é ou não é.
Para muitos, Jesus é apenas (mais) um homem sábio. O Evangelho do próximo domingo recorda-nos que negar a divindade de Jesus sem renunciar à doutrina é possível, mas apenas se permanecemos a um nível superficial da Sua mensagem: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida». Sócrates, Aristóteles e Ghandi eram sem dúvida homens sábios, porém nenhum deles ousou uma tal declaração!
 
EU SOU. Já esta expressão (“egô eimi”) é em si uma identificação que nos leva ao nome revelado por Deus a Moisés no livro do Êxodo: «Assim dirás aos filhos de Israel: “Eu Sou” enviou-me a vós!» (Ex 3,14). Jesus não pretende ser “mais um profeta”, mas arroga-Se a condição de Filho de Deus: «Quem Me vê, vê o Pai» (Jo 14,9).
 
O CAMINHO. O Evangelho diz-nos que seguir Jesus não é apenas seguir um guia que indica uma estrada. Ele não só caminha connosco, mas é o Caminho em si: «Ninguém vai ao Pai senão por Mim» (Jo 14,6).
 
A VERDADE. Revelando Deus Pai, Jesus não diz apenas a verdade, mas é a verdade incarnada «e a verdade vos libertará» (Jo 8,32).
 
E A VIDA. Ninguém é a causa da própria existência; todos somos contingentes, criaturas, que não possuem a vida em sim. Deus, no entanto, é (como se diz em filosofia) a causa primeira, o Ser necessário, a vida com “V” maiúsculo. Jesus identifica-se com a fonte da vida: «assim como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, também o Filho faz viver aqueles que quer» (Jo 5,21).
 
Como podemos conciliar estas afirmações com a visão de um mero homem sábio e sensato? Tal como dizia o grande físico e matemático francês Blaise Pascal, cada um deve arriscar uma posição clara: se aceitamos Jesus na nossa vida, aceitamo-Lo na totalidade. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.05.02



 
 

domingo, 26 de abril de 2026

4º DOMINGO DE PÁSCOA – ANO A

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Act 2,14a.36-41)
No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» Pedro respondeu lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo, e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 22 (23)
Refrão: O Senhor é meu pastor: nada me faltará.
 
O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.
 
Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
 
Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda.
 
A bondade e a graça hão de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.
 
 
Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
(1 Pe 2,20b-25)
Caríssimos: Se vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência, isto é uma graça aos olhos de Deus. Para isto é que fostes chamados, porque Cristo sofreu também por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos. Ele não cometeu pecado algum e na sua boca não se encontrou mentira. Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-Se Àquele que julga com justiça. Ele suportou os nossos pecados no seu Corpo, no madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados. Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 10,1-10)
Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».
 
 
BOA NOTÍCIA
A voz do Pastor
Há uma coerência extraordinária entre as leituras que escutamos na missa de hoje. Seja o salmo, a segunda leitura ou o Evangelho, os três textos convidam-nos a meditar as tradicionais dinâmicas entre um pastor e as suas ovelhas e transportam-nos até um ambiente campestre e rural.
 
O salmo compara a relação entre Deus e Israel com o cuidado e a atenção dados por um pastor ao seu rebanho: «O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados».
 
Na segunda leitura, São Pedro compara os homens sem fé às ovelhas perdidas: «Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas».
 
E no Evangelho de São João, Jesus desenvolve o Seu longo discurso sobre o Bom Pastor: «Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora (...) e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz».
 
No Evangelho encontramos ainda uma outra imagem que Jesus aplica a si mesmo: «Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo». É uma outra maneira de afirmar que Ele é o Messias, o Salvador. Graças a Ele o rebanho alcançará a verdadeira vida.
 
Mas a lição que me parece mais importante é a seguinte: Jesus explica que as ovelhas seguem o Pastor porque conhecem a Sua voz. Por detrás desta imagem pastoral encontramos uma importante realidade da nossa vida de fé: para seguir o Messias é necessário conhecer a Sua voz, a Sua Palavra.
 
Que tal se terminarmos com um pequeno exame de consciência?
Caro amigo(a), a tua Bíblia tem tido algum uso, ou está numa prateleira a encher-se de pó?
 
Coragem!
Vamos ler mais a Palavra do Senhor!
Vamos dar tempo, na nossa vida, à Sua Voz!
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.04.26



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