sábado, 3 de outubro de 2026

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro de Isaías
(Is 5,1-7)
Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina. Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, Mas ela só produziu agraços. E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e a minha vinha: Que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito? Quando eu esperava que viesse a dar uvas, porque é que apenas produziu agraços? Agora vos direi o que vou fazer à minha vinha: vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada. Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei-de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva. A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel, e os homens de Judá são a plantação escolhida. Ele esperava rectidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 79 (80)
Refrão: A vinha do Senhor é a casa de Israel.
 
Arrancastes uma videira do Egipto,
expulsastes as nações para a transplantar.
Estendia até ao mar as suas vergônteas
e até ao rio os seus rebentos.
 
Porque lhe destruístes a vedação,
de modo que a vindime quem quer que passe pelo caminho?
Devastou-a o javali da selva
e serviu de pasto aos animais do campo.
 
Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.
Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.
 
Não mais nos apartaremos de Vós:
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.
Senhor, Deus dos Exércitos, fazei-nos voltar,
iluminai o vosso rosto e seremos salvos.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 4,6-9)
Irmãos: Não vos inquieteis com coisa alguma. Mas, em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor é o que deveis ter no pensamento. O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim é o que deveis praticar. E o Deus da paz estará convosco.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 21,33-43)
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?». Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».
 
 
BOA NOTÍCIA
A “trilogia das vinhas” chega ao fim
Depois dos operários da última hora e dos dois filhos chamados ao trabalho, a liturgia do próximo Domingo propõe-nos uma terceira parábola onde a vindima e a vinha são colocadas no centro da atenção. No evangelho do dia 4 de Outubro escutaremos Jesus que conta a história de uma vinha, cujos rendeiros se rebelam e negam ao proprietário a parte dos frutos que lhe pertence. Não satisfeitos, os vinhateiros vão mais longe: agridem os servos do proprietário e matam o seu próprio filho. Para terminar, Jesus lança aos fariseus que O escutam esta pergunta: «Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».
 
Bem diz a nossa gente que pela boca morre o peixe! Os fariseus não se reconheceram na descrição dos vinhateiros homicidas e por isso, sem suspeitarem, condenaram as próprias acções ao responderem severamente: «é preciso matar esses malvados!». Jesus já sabia quem conspirava para o assassinar… Contou esta parábola na esperança de que os seus inimigos reconhecessem os próprios erros e abandonassem a decisão de O eliminar. Era uma esperança vã? Talvez. No entanto, Deus Pai não abandona a humanidade, não desiste de acreditar e confia na nossa generosidade em partilhar os “frutos da vinha”. No fundo, é a grande questão por detrás desta e de outras páginas do Evangelho: como receberemos o herdeiro do Senhor quando Ele nos visitar? Com frutos abundantes? Ou com paus e pedras…? Bom domingo e bom exame de consciência!
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.10.03



 
 

sábado, 26 de setembro de 2026

26º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura da Profecia de Ezequiel
(Ez 18,25-28)
Eis o que diz o Senhor: «Vós dizeis: ‘A maneira de proceder do Senhor não é justa’. Escutai, casa de Israel: Será a minha maneira de proceder que não é justa? Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto? Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal o vier a morrer, morrerá por causa do mal cometido. Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida. Se abris os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há-de viver e não morrerá».
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 24 (25)
Refrão: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa misericórdia.
 
Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador:
em vós espero sempre.
 
Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Não recordeis as minhas faltas
e os pecados da minha juventude.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.
 
O Senhor é bom e recto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 2,1-11)
Irmãos: Se há em Cristo alguma consolação, algum conforto na caridade, se existe alguma consolação nos dons do Espírito Santo, alguns sentimentos de ternura e misericórdia, então, completai a minha alegria, tendo entre vós os mesmos sentimentos e a mesma caridade, numa só alma e num só coração. Não façais nada por rivalidade nem por vanglória; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos, sem olhar cada um aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros.Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte, e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem, no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 21,28-32)
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».
 
 
BOA NOTÍCIA
Não é um dizer: é um fazer.
Depois de termos escutado, na missa da semana passada, uma parábola que falava de uma vinha, no próximo domingo, dia 27, encontramos uma outra onde Jesus conta a história de um homem que tinha pedido aos seus dois filhos que fossem vindimar. O filho que disse «Eu vou!», acabou por não ir e o que tinha dito «Não quero!», mais tarde arrependeu-se e foi. Para terminar, Jesus surpreende-nos com esta afirmação: «Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus».
 
Obviamente, não se está a querer insinuar que o pecado seja um atalho que nos leva direitinhos às portas do céu! Se os publicanos, os pecadores, as prostitutas e os adúlteros entram antes de muitos no reino de Deus, isso não se deve aos pecados que cometeram, mas sim, ao arrependimento e conversão de vida que mostraram. Esta parábola é como um grito de alerta: ai daquele que acha que basta dizer «Eu sou cristão» para encontrar a salvação! É muito perigosa a ilusão de viver uma vida cristã… Um pecador pode sempre arrepender-se, mudar de vida, caminhar na direcção do amor do Pai. No entanto, uma pessoa que diz a si própria «Estou bem!», nunca irá procurar mais nada. Quem acredita que não precisa de mudar está condenado à imobilidade. E a nossa fé é Caminho! A nossa fé, para usar uma expressão do grande poeta mexicano Octavio Paz, «não é um dizer: é um fazer. É um fazer que é dizer».
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.09.26



 
 

sábado, 19 de setembro de 2026

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro de Isaías
(Is 55,6-9)
Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos. Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele, ao nosso Deus, que é generoso em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –. Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos e acima dos vossos estão os meus pensamentos.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145)
Refrão: O Senhor está perto de quantos O invocam.
 
Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e digno de todo o louvor,
insondável é a sua grandeza.
 
O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.
 
O Senhor é justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
(Filip 1,20c-24.27ª)
Irmãos: Cristo será glorificado no meu corpo, quer eu viva quer eu morra. Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Mas, se viver neste corpo mortal é útil para o meu trabalho, não sei o que escolher. Sinto-me constrangido por este dilema: desejaria partir e estar com Cristo, que seria muito melhor; mas é mais necessário para vós que eu permaneça neste corpo mortal. Procurai somente viver de maneira digna do Evangelho de Cristo.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 20,1-16ª)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. Saiu a meio da manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’. E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’ Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’. Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’. Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um. Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: ‘Estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor’. Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que eu quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’ Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos».
 
 
BOA NOTÍCIA
Mais vale tarde que nunca
Como nos sentiríamos se tivéssemos vindimado um dia inteiro ao Sol e víssemos outros, que apenas trabalharam uma horinha, receberem um salário igual ao nosso? Provavelmente ficávamos de mau humor e até nos sentíamos um pouco injustiçados. Pois bem, no Evangelho do próximo domingo, dia 20, escutaremos o que Jesus tem a dizer sobre esta situação e, provavelmente, ficaremos bem surpreendidos com o que Ele diz: «Se o patrão não faltou à palavra com o que vos prometeu, que vos importa se depois decide ser generoso com os outros?». Com esta parábola da vinha, Jesus quer mostrar-nos a nova lógica do Reino de Deus e, para sublinhar o quanto ela é diferente da lógica dos homens, ainda acrescenta: «os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos».
 
Quem trabalha na vinha (no Reino, na Igreja…) não pode invejar os trabalhadores da última hora! Não pode pensar assim: «se eu soubesse, também só aparecia no final do dia». Isso seria sermos hipócritas, pois um cristão não pode secretamente cobiçar uma vida sem Deus. Ou será que a nossa fé é apenas um peso necessário, que suportamos com fadiga, para que o paraíso não nos escape? Que coisa tão triste…
 
Trabalhar na vinha do Senhor é um projecto exigente (sem dúvida!) mas é um compromisso que enche o coração, transforma a própria mente e dá sentido às nossas vidas. E quando alguém descobre a beleza da vocação cristã (mesmo que seja à última hora…) não podemos não nos alegrar. É como diz a nossa gente: mais vale tarde que nunca.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.09.19



 

sábado, 12 de setembro de 2026

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

(Sir 27,33-28,9)
O rancor e a ira são coisas detestáveis, e o pecador é mestre nelas. Quem se vinga sofrerá a vingança do Senhor, que pedirá minuciosa conta de seus pecados. Perdoa a ofensa do teu próximo e, quando o pedires, as tuas ofensas serão perdoadas. Um homem guarda rancor contra outro e pede a Deus que o cure? Não tem compaixão do seu semelhante e pede perdão para os seus próprios pecados? Se ele, que é um ser de carne, guarda rancor, quem lhe alcançará o perdão das suas faltas? Lembra-te do teu fim e deixa de ter ódio; pensa na corrupção e na morte, e guarda os mandamentos. Recorda os mandamentos e não tenhas rancor ao próximo; pensa na Aliança do Altíssimo e não repares nas ofensas que te fazem.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 102 (103)
Refrão: O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade.
 
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
 
Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.
 
Não está sempre a repreender
nem guarda ressentimento.
Não nos tratou segundo os nossos pecados
nem nos castigou segundo as nossas culpas.
 
Como a distância da terra aos céus,
assim e grande a sua misericórdia para os que O temem.
Como o oriente dista do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 14,7-9)
Irmãos: Nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor. Portanto, quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. Na verdade, Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos vivos e dos mortos.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 18,21-35)
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. Ele, porém, não conseguiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».
 
 
BOA NOTÍCIA
Perdoar sem contar
No Evangelho deste domingo, Jesus não nos pede para contar as ofensas perdoadas. Pede-nos algo muito mais radical: fazer do perdão um estilo de vida.
 
«Quantas vezes deverei perdoar? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete».
 
Como podemos viver concretamente esta passagem do Evangelho? Em primeiro lugar, temos de renunciar à vingança, mesmo a mais subtil: falar mal pelas costas, desejar humilhar, continuar a lembrar ao outro os seus erros. Também implica não alimentar rancores e não transformar uma ferida numa condenação definitiva da pessoa.
 
Porém, perdoar não é fingir que o mal não conta, nem aceitar injustiças ou abusos. Por vezes, será necessário distanciarmo-nos, exigir verdade, justiça e respeito. Mesmo assim, o Evangelho convida-nos a não deixar que o ódio se apodere do nosso coração. Perdoar significa não deixar que o mal recebido se transforme em mal retribuído.
 
O perdão cristão pode ser difícil e demorar tempo, mas sempre que optamos por não retribuir o mal recebido, quebramos um elo na cadeia do rancor e abrimos espaço para a graça. É assim que o Evangelho se torna vida.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.09.12



 
 
 

sábado, 5 de setembro de 2026

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura da Profecia de Ezequiel
(Ez 33,7-9)
Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás-de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».
 
 
SALMO 94 (95) – 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8)
Refrão: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.
 
Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.
 
Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.
 
Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 13, 8-10)
Irmãos: Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros, pois, quem ama o próximo, cumpre a lei. De facto, os mandamentos que dizem: «Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás», e todos os outros mandamentos, resumem-se nestas palavras: «Amarás ao próximo como a ti mesmo». A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 18, 15-20)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».
 
 
BOA NOTÍCIA
«Vai ter com ele»
A primeira parte do Evangelho do próximo domingo é quase um manual para resolver conflitos. Recorda-nos que a Igreja não é perfeita: já no tempo de Jesus havia tensões e desentendimentos.
 
Jesus apresenta quatro passos de diálogo e correcção fraterna, numa ordem crescente, para procurar a reconciliação quando alguém erra e não reconhece o erro. É uma orientação simples e sensata. Infelizmente, o primeiro passo (o mais importante!) é muitas vezes ignorado: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós».
 
Quantas vezes, diante de um problema, fazemos precisamente o contrário: criticamos pelas costas e falamos com todos, menos com a pessoa envolvida. Porquê? Talvez por cobardia: falar com franqueza exige coragem (e um coração misericordioso). Mas a cobardia não é a única explicação. Infelizmente, também há quem fale dos erros alheios por prazer, alimentando críticas e coscuvilhices.
 
Irmãos e irmãs, sejamos construtores de paz. Abandonemos o maldizer e a difamação. Corrijamos com discrição, respeito e caridade. Só assim seremos parte da solução. Caso contrário, seremos parte do problema.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.09.05



domingo, 30 de agosto de 2026

22º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura da Profecia de Jeremias
(Jer 20,7-9)
Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me dominastes e vencestes. Em todo o tempo sou objecto de escárnio, toda a gente se ri de mim; porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!» E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 62 (63)
Refrão: A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.
 
Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.
A minha alma tem sede de Vós.
Por Vós suspiro,
como terra árida, sequiosa, sem água.
 
Quero contemplar-Vos no santuário,
para ver o vosso poder e a vossa glória.
A vossa graça vale mais do que a vida;
por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.
 
Assim Vos bendirei toda a minha vida
e em vosso louvor levantarei as mãos.
Serei saciado com saborosos manjares,
e com vozes de júbilo Vos louvarei.
 
Porque Vos tornastes o meu refúgio,
exulto à sombra das vossas asas.
Unido a Vós estou, Senhor,
a vossa mão me serve de amparo.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 12,1-2)
Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que vos ofereçais a vós mesmos como vítima santa, viva, agradável a Deus, como culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, pela renovação espiritual da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 16,21-27)
Naquele tempo, Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!» Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». Jesus disse então aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras».
 
 
BOA NOTÍCIA
Uma vida que vale a pena
O primeiro discurso de Simão Pedro como “Papa” fica para a história como um verdadeiro desastre. Depois de termos escutado na semana passada como Jesus o escolheu para ser a primeira pedra da sua Igreja, no Domingo seguinte o Messias compara-o a um demónio! «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». E se para nós passou uma semana inteira entre as duas leituras, não nos podemos esquecer que na Bíblia elas são separadas só por algumas linhas.
 
Pedro quer o melhor para a “sua” Igreja. Quer que ela cresça, que se encha de gente, que se torne mais forte. Por isso mesmo, quando o seu Mestre começa a fazer discursos estranhos sobre perseguições, torturas e uma morte violenta que o espera em Jerusalém, Pedro chama-o à parte e protesta: «Mas o que é que estás a dizer? Isso nunca vai acontecer. Não digas essas coisas que assustas e confundes as pessoas». Simão Pedro não era um homem culto, mas conhecia bem o coração da sua gente. Sejamos sinceros, um coração que passados dois mil anos de história, não mudou assim tanto. Ninguém quer ouvir falar de pegar em cruzes, de renunciar ao que quer que seja ou de ter de perder a própria vida. O que as pessoas querem são soluções fáceis, mágicas! Querem que Jesus diga: «Vou libertar-vos dos romanos! Vou eliminar as vossas cruzes, os vossos problemas, as vossas doenças!».
 
Mas Jesus não pode anunciar um deus ex machina, um “deus-mágico-cura-tudo”, simplesmente porque esse não é o rosto do seu Pai. Quase que consigo ouvir Simão Pedro que me manda calar a mim também... Mas esta é a verdade: mesmo que consigamos vencer uma doença grave, não podemos confundir essa cura (essa graça...) com a verdadeira salvação. Até porque, inevitavelmente, por muito que nos custe enfrentar esta realidade, para todos nós há-de chegar esse dia em que os nossos olhos vão fechar-se, a nossa pele ficará fria... e morreremos.
 
«(...) mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la». A salvação não está em viver muito. Noventa anos... cem anos... cento e dez anos... Não é isso que realmente importa. A salvação está em viver uma vida que valha a pena. É essa a prenda que Cristo nos quer dar. Ele quer mostrar-nos como podemos dar sentido à nossa vida. E essa prenda é tão formidável que até a morte perde a sua fealdade e, tal como Francisco de Assis, também nós conseguiremos chamá-la “sorella”, ou seja, irmã.
 
E o que é uma vida que vale a pena?
Uma vida cheia de amor.
Parece simples, mas não o é, porque aqui estamos a falar do "verdadeiro" amor. Aquele que faz com que realmente renunciemos a nós próprios; com que não sejamos o centro do nosso mundo; com que estejamos dispostos a perdermo-nos por alguém. É o amor que Jesus Cristo nos mostrou. E se conseguirmos segui-Lo, se conseguirmos viver desta forma, podemos confiar que Aquele que nos amou ainda antes que nós nascêssemos, igualmente não se vai esquecer de nós quando chegarmos ao fim dos nossos dias. E há-de querer que fiquemos junto a Ele para sempre. Porque nos ama.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.08.30



 

domingo, 23 de agosto de 2026

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro de Isaías
(Is 22,19-23)
Eis o que diz o Senhor a Chebna, administrador do palácio: «Vou expulsar-te do teu cargo, remover-te-ei do teu posto. E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Elcias. Hei-de revesti-lo com a tua túnica, hei-de pôr-lhe à cintura a tua faixa, entregar-lhe nas mãos os teus poderes. E ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei aos seus ombros a chave da casa de David: há-de abrir, sem que ninguém possa fechar; há-de fechar, sem que ninguém possa abrir. Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme e ele será um trono de glória para a casa de seu pai».
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 137 (138)
Refrão: Senhor, a vossa misericórdia é eterna: não abandoneis a obra das vossas mãos.
 
De todo o coração, senhor, eu Vos dou graças
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar
e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.
 
Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
Quando Vos invoquei, me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma.
 
O Senhor é excelso e olha para o humilde,
ao soberbo conhece-o de longe.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 11,33-36)
Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis os seus desígnios e incompreensíveis os seus caminhos! Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro? Quem Lhe deu primeiro, para que tenha de receber retribuição? D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Deus para sempre. Amen.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 16,13-20)
Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus». Então, Jesus ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias.
 
 
BOA NOTÍCIA
Deus sim. Igreja não?
Não seria nada estranho se, após a proclamação do Evangelho deste domingo, a homilia começasse com esta pergunta: «Quem é Cristo para ti?» De facto, a primeira parte do texto, de carácter mais cristológico, centra-se precisamente em Jesus e na definição da sua identidade.
 
«Vós, quem dizeis que Eu sou? (…) Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias”».
 
No entanto, prefiro abordar a segunda metade do Evangelho, de carácter mais eclesiológico, e lançar uma outra questão, também ela difícil de responder: «O que é a Igreja para ti?»
 
«Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (…) Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus ».
 
O que vos digo agora não se aplica obviamente a todos os jovens, mas acreditem que tenho encontrado muitos que, basicamente, vivem a própria fé segundo este “credo”: Deus sim. Igreja não. No entanto, ninguém pode ignorar este Evangelho, que nos diz claramente que é Jesus quem convoca a Igreja à volta de Pedro. Ainda assim, permanece a dificuldade de tantos em aceitar a Igreja. Mas porquê?
 
Antes de resolvermos esta questão, procuremos a resposta a uma outra pergunta: porque foi que os judeus decidiram matar Jesus? Qual a razão que os impedia de O aceitar como Messias, como Filho de Deus? A resposta obviamente é muito complexa, mas podemos responder brevemente dizendo o seguinte: os fariseus, sacerdotes e escribas não podiam aceitar o rosto (demasiado) humano de Jesus. Não podiam aceitar que Deus se tivesse incarnado num pobre galileu. Ainda se fosse um príncipe! Ou um grande general! Mas um carpinteiro de uma pequena aldeia, que ninguém conhecia, chamada Nazaré…? Não! É demasiado humano este suposto messias! Demasiado banal!
 
A razão que, hoje em dia, leva muitos a rejeitar a Igreja não está longe dos sentimentos que animaram a condenação de Jesus. A Igreja tem um rosto demasiado humano! É frágil, imperfeita e pecadora. E todos queriam que fosse irrepreensível, pura e sem mácula! Ainda assim, esta é a Igreja escolhida por Jesus. Pedro não era o mais corajoso, o mais coerente ou o mais erudito dos Doze apóstolos. Mas Jesus ama a humanidade (a de Pedro e a nossa também) e confia que a Igreja, apesar dos limites, possa anunciar o Evangelho e testemunhar o Amor. E nós devemos confiar também.
 
É por isso que te digo, caro leitor: não abandones a vinha, não rejeites a Igreja, não repudies a comunidade. Pois sem ti ela fica mais pobre e o caminho de conversão (o teu e o dela) torna-se bem mais difícil.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.08.23



 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

20º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro de Isaías
(Is 56,1.6-7)
Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, hei-de conduzi-los ao meu santo nome, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos».
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 66 (67)
Refrão: Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.
 
Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,
resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.
Na terra se conhecerão os vossos caminhos
e entre os povos a vossa salvação.
 
Alegrem-se e exultem as nações,
porque julgais os povos com justiça
e governais as nações sobre a terra.
 
Os povos Vos louvem, ó Deus,
todos os povos Vos louvem.
Deus nos dê a sua bênção
e chegue o seu temor aos confins da terra.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 11,13-15.29-32)
Irmãos: É a vós, os gentios, que eu falo: Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis. Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus. Assim também eles desobedeceram agora, devido à misericórdia que alcançastes, para que, por sua vez, também eles alcancem agora misericórdia. Efectivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 15,21-28)
Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela replicou: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.
 
 
BOA NOTÍCIA
Confia no Senhor!
O Evangelho deste domingo é muito difícil. É quase embaraçante, pois propõe-nos um Jesus a que não estamos habituados: um Jesus desagradável e antipático. A Sua atitude é tão inesperada, tão contrastante com tudo o que conhecemos d’Ele, que dificilmente encontramos uma homilia ou um comentário bíblico que não tente confortar os próprios leitores, dando uma explicação plausível do Seu comportamento rude. No entanto, entre os vários estudiosos, não há consenso: alguns dizem que tudo era uma estratégia pedagógica, destinada a mostrar aos discípulos o absurdo dos preconceitos judaicos contra os pagãos. Outros vão mais longe e dizem que este episódio é uma espécie de “conversão” de Jesus à universalidade da salvação. E será que podemos excluir completamente esta terceira hipótese: de que Jesus (verdadeiro Deus, mas também verdadeiro homem) estivesse simplesmente a ter um mau dia, quando foi abordado pela cananeia?
 
Aliás, o que mais me interessa não é tanto explicar a conduta de Jesus, quanto convidar-vos a meditar sobre o comportamento da mulher. Sabemos que ela era uma estrangeira de fé pagã. Sabemos também que era mãe e que a sua filha estava doente. Provavelmente tinha ouvido falar de Jesus, dos Seus milagres e, portanto, decide procurá-l’O para Lhe suplicar a graça da salvação da filha. Inicialmente, Jesus nem sequer lhe responde: ignora-a completamente. Mas ela não desiste e continua a sua súplica. Depois, após a intercessão dos discípulos (que estavam fartos de a ouvir gritar) Jesus faz saber, sem nunca lhe dirigir directamente a palavra, que não acolherá o seu pedido. A cananeia, em vez de desistir, vai mais longe e joga-se aos Seus pés. E eis que chega a terceiro ofensa: Jesus nega o pedido e compara-a a um cachorro…
 
«Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos».
 
Eu ter-me-ia levantado e, provavelmente, não iria para casa sem primeiro gritar duas ou três “coisas” ao messias mal-educado. Mas ela, apesar da humilhação, manteve a calma e pediu uma última vez: «Salva a minha filha».
 
Diante da fé, da coragem e do amor desta mãe, quem não se sente pequenino? Ela acredita que só Jesus a pode ajudar; que apenas Ele pode salvar. E por isso não desiste. Apesar do silêncio, do repúdio, da humilhação, ela permanece firme na própria convicção. Por isso é exaltada por Jesus e apresentada aos discípulos (e a nós também) como modelo de fé.
 
Se a nossa fé tivesse esta força…! Mas infelizmente não. Somos demasiado fracos. Demasiado orgulhosos. E à primeira contrariedade, ou momento de silêncio, ou episódio em que achámos que Deus foi injusto connosco, “salta tudo”, zangamo-nos com Ele, com a Igreja, com a paróquia… E perdemos a fé.
 
No fundo este episódio é uma lição de confiança e humildade, muito semelhante à exortação que encontramos no salmo 27: «Confia no Senhor! Sê forte e corajoso, e confia no Senhor!». Nem sempre conseguimos entender a vontade de Deus (ou os seus silêncios), no entanto, não vacile o nosso coração, pois o Senhor é o Pai misericordioso! Ele não nos abandona nunca! Nem mesmo quando está a ter um dia mau…
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.08.15



 
 

domingo, 9 de agosto de 2026

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Primeiro Livro dos Reis
(1 Rs 19,9a.11-13a)
Naqueles dias, o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando o ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 84 (85)
Refrão: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.
 
Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis
e a quantos de coração a Ele se convertem.
A sua salvação está perto dos que O temem
e a sua glória habitará na nossa terra.
 
Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai germinar da terra
e a justiça descerá do Céu.
 
O Senhor dará ainda o que é bom
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente
e a paz seguirá os seus passos.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 9,1-5)
Irmãos: Eu digo a verdade, não minto, e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo: Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração. Quisera eu próprio ser separado de Cristo por amor dos meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu, que são israelitas, a quem pertencem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas, a quem pertencem os Patriarcas e de quem procede Cristo segundo a carne, Ele que está acima de todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos. Amen.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 14,22-33)
Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!» Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» Logo que saíram para o barco, o ventou amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
 
 
BOA NOTÍCIA
Perseverar
Se alguém nos pedisse que resumíssemos brevemente o episódio que encontramos no Evangelho deste domingo, o que diríamos? Provavelmente faríamos uma síntese deste género: Jesus caminhou nas águas. Pedro tentou imitá-lo, mas não conseguiu. E teria morrido afogado se Jesus não o segurasse pela mão. Seria um bom sumário, se não omitisse um pequeno pormenor… Ora leiam lá de novo: «Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: “Salva-me, Senhor!”».
 
Quando Simão Pedro desce do barco (uma decisão louca, para ele que é um velho “lobo do mar”) não afunda imediatamente. De facto, o Evangelho diz-nos que ele também «caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus». São a dúvida e o medo da violência do vento que fazem com que Pedro, após os primeiros passos seguros, comece a afundar.
 
No fundo, o Evangelho deste domingo é uma catequese sobre a caminhada histórica da Igreja e sobre a caminhada de cada um de nós. Quantos projectos, comunitários e pessoais, começam com passos seguros, decididos, confiantes e mais tarde “afundam”, porque deixámos que os ventos, medos e dúvidas nos (dis)traíssem e nos desviassem do olhar tranquilizador de Jesus.
 
Não basta começar bem. Não basta celebrar um bonito matrimónio ou aceitar com voz sonante os compromissos que o sacramento do baptismo exige dos pais e padrinhos da criança. É necessário perseverar, acreditar, prosseguir, sem nunca desviar o próprio olhar do exemplo de Jesus e confiar sempre, um passo após o outro, nas Suas palavras. Porém, se a nossa fragilidade vier à tona e sentirmos que começamos a vacilar, não hesitemos: «Salva-me, Senhor!» Invoquemos o Seu nome, peçamos o Seu auxílio… pois, mesmo nos momentos de maior frustração, desânimo e desilusão, Ele lá estará para nos estender a Sua mão, sustentar com a Sua força e acalmar o nosso mar.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.08.09



 
 

domingo, 2 de agosto de 2026

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro de Isaías
(Is 55,1-3)
Eis o que diz o Senhor: “Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Prestai-Me atenção e vinde a Mim; escutai e a vossa alma viverá. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145)
Refrão: Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.
 
O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.
 
Todos têm os olhos postos em Vós
e a seu tempo lhes dais o alimento.
Abris as vossas mãos
e todos saciais generosamente.
 
O Senhor é justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 8,35.37-39)
Irmãos: Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas em tudo isto somos vencedores, graças Àquele que nos amou. Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro, nem as Potestades nem a altura nem a profundidade nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus, Nosso Senhor.
 
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 14,13-21)
Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O a pé. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: “Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento”. Mas Jesus respondeu-lhes: “Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”. Disseram-Lhe eles: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”. Disse Jesus: “Trazei-mos cá”. Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
 
 
BOA NOTÍCIA
«Dai-lhes vós de comer»
Ao ler o Evangelho deste domingo, recordei imediatamente um antigo slogan que ainda hoje acompanha várias campanhas de solidariedade: «se não podes fazer o milagre da multiplicação, faz o da divisão». Não podemos continuar a ignorar a lição que Jesus hoje nos propõe: diante do apelo dos pobres, a comunidade cristã tem de aprender a partilhar. Nenhum de nós pode dizer que não tem culpa pelo facto de 80 por cento da humanidade ser obrigada a viver com 20 por cento dos recursos disponíveis. Nenhum cristão pode “lavar as mãos” quando se gastam em armas e extravagâncias recursos que deviam estar ao serviço da saúde, da educação, da habitação, da construção de redes de saneamento básico…
 
Aliás, não é uma coincidência que o Evangelho deste domingo tenha um inegável contexto eucarístico (as palavras «ergueu os olhos ao céu e recitou a bênção, partiu os pães e deu-os aos discípulos» recordam a fórmula que usamos sempre que celebramos a Eucaristia). Na verdade, sentar-se à mesa com Jesus e receber o pão que Ele oferece (Eucaristia) é comprometer-se com a dinâmica do Reino e assumir, portanto, a lógica da partilha, do amor, do serviço. Na Eucaristia, todos somos convidados a lutar contra as desigualdades, os sistemas de exploração, os esquemas de açambarcamento dos bens, os esbanjamentos, a procura de bens supérfluos…
 
Quando unimos à celebração da Eucaristia esta lógica de partilha e de serviço, testemunhamos de forma credível a presença de Jesus no mundo e fazemos com que o Reino seja, cada vez mais, uma realidade viva na história dos homens.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.08.02



Arquivo do blogue