segunda-feira, 17 de agosto de 2026

20º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro de Isaías
(Is 56,1.6-7)
Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, hei-de conduzi-los ao meu santo nome, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos».
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 66 (67)
Refrão: Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.
 
Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,
resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.
Na terra se conhecerão os vossos caminhos
e entre os povos a vossa salvação.
 
Alegrem-se e exultem as nações,
porque julgais os povos com justiça
e governais as nações sobre a terra.
 
Os povos Vos louvem, ó Deus,
todos os povos Vos louvem.
Deus nos dê a sua bênção
e chegue o seu temor aos confins da terra.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 11,13-15.29-32)
Irmãos: É a vós, os gentios, que eu falo: Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis. Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus. Assim também eles desobedeceram agora, devido à misericórdia que alcançastes, para que, por sua vez, também eles alcancem agora misericórdia. Efectivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 15,21-28)
Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela replicou: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.
 
 
BOA NOTÍCIA
Confia no Senhor!
O Evangelho deste domingo é muito difícil. É quase embaraçante, pois propõe-nos um Jesus a que não estamos habituados: um Jesus desagradável e antipático. A Sua atitude é tão inesperada, tão contrastante com tudo o que conhecemos d’Ele, que dificilmente encontramos uma homilia ou um comentário bíblico que não tente confortar os próprios leitores, dando uma explicação plausível do Seu comportamento rude. No entanto, entre os vários estudiosos, não há consenso: alguns dizem que tudo era uma estratégia pedagógica, destinada a mostrar aos discípulos o absurdo dos preconceitos judaicos contra os pagãos. Outros vão mais longe e dizem que este episódio é uma espécie de “conversão” de Jesus à universalidade da salvação. E será que podemos excluir completamente esta terceira hipótese: de que Jesus (verdadeiro Deus, mas também verdadeiro homem) estivesse simplesmente a ter um mau dia, quando foi abordado pela cananeia?
 
Aliás, o que mais me interessa não é tanto explicar a conduta de Jesus, quanto convidar-vos a meditar sobre o comportamento da mulher. Sabemos que ela era uma estrangeira de fé pagã. Sabemos também que era mãe e que a sua filha estava doente. Provavelmente tinha ouvido falar de Jesus, dos Seus milagres e, portanto, decide procurá-l’O para Lhe suplicar a graça da salvação da filha. Inicialmente, Jesus nem sequer lhe responde: ignora-a completamente. Mas ela não desiste e continua a sua súplica. Depois, após a intercessão dos discípulos (que estavam fartos de a ouvir gritar) Jesus faz saber, sem nunca lhe dirigir directamente a palavra, que não acolherá o seu pedido. A cananeia, em vez de desistir, vai mais longe e joga-se aos Seus pés. E eis que chega a terceiro ofensa: Jesus nega o pedido e compara-a a um cachorro…
 
«Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos».
 
Eu ter-me-ia levantado e, provavelmente, não iria para casa sem primeiro gritar duas ou três “coisas” ao messias mal-educado. Mas ela, apesar da humilhação, manteve a calma e pediu uma última vez: «Salva a minha filha».
 
Diante da fé, da coragem e do amor desta mãe, quem não se sente pequenino? Ela acredita que só Jesus a pode ajudar; que apenas Ele pode salvar. E por isso não desiste. Apesar do silêncio, do repúdio, da humilhação, ela permanece firme na própria convicção. Por isso é exaltada por Jesus e apresentada aos discípulos (e a nós também) como modelo de fé.
 
Se a nossa fé tivesse esta força…! Mas infelizmente não. Somos demasiado fracos. Demasiado orgulhosos. E à primeira contrariedade, ou momento de silêncio, ou episódio em que achámos que Deus foi injusto connosco, “salta tudo”, zangamo-nos com Ele, com a Igreja, com a paróquia… E perdemos a fé.
 
No fundo este episódio é uma lição de confiança e humildade, muito semelhante à exortação que encontramos no salmo 27: «Confia no Senhor! Sê forte e corajoso, e confia no Senhor!». Nem sempre conseguimos entender a vontade de Deus (ou os seus silêncios), no entanto, não vacile o nosso coração, pois o Senhor é o Pai misericordioso! Ele não nos abandona nunca! Nem mesmo quando está a ter um dia mau…
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.08.15



 
 

domingo, 9 de agosto de 2026

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Primeiro Livro dos Reis
(1 Rs 19,9a.11-13a)
Naqueles dias, o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta. O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: «Sai e permanece no monte à espera do Senhor». Então, o Senhor passou. Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, sentiu-se um terramoto; mas o Senhor não estava no terramoto. Depois do terramoto, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando o ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 84 (85)
Refrão: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.
 
Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis
e a quantos de coração a Ele se convertem.
A sua salvação está perto dos que O temem
e a sua glória habitará na nossa terra.
 
Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai germinar da terra
e a justiça descerá do Céu.
 
O Senhor dará ainda o que é bom
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente
e a paz seguirá os seus passos.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 9,1-5)
Irmãos: Eu digo a verdade, não minto, e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo: Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração. Quisera eu próprio ser separado de Cristo por amor dos meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu, que são israelitas, a quem pertencem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas, a quem pertencem os Patriarcas e de quem procede Cristo segundo a carne, Ele que está acima de todas as coisas, Deus bendito por todos os séculos. Amen.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 14,22-33)
Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!» Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» Logo que saíram para o barco, o ventou amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
 
 
BOA NOTÍCIA
Perseverar
Se alguém nos pedisse que resumíssemos brevemente o episódio que encontramos no Evangelho deste domingo, o que diríamos? Provavelmente faríamos uma síntese deste género: Jesus caminhou nas águas. Pedro tentou imitá-lo, mas não conseguiu. E teria morrido afogado se Jesus não o segurasse pela mão. Seria um bom sumário, se não omitisse um pequeno pormenor… Ora leiam lá de novo: «Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: “Salva-me, Senhor!”».
 
Quando Simão Pedro desce do barco (uma decisão louca, para ele que é um velho “lobo do mar”) não afunda imediatamente. De facto, o Evangelho diz-nos que ele também «caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus». São a dúvida e o medo da violência do vento que fazem com que Pedro, após os primeiros passos seguros, comece a afundar.
 
No fundo, o Evangelho deste domingo é uma catequese sobre a caminhada histórica da Igreja e sobre a caminhada de cada um de nós. Quantos projectos, comunitários e pessoais, começam com passos seguros, decididos, confiantes e mais tarde “afundam”, porque deixámos que os ventos, medos e dúvidas nos (dis)traíssem e nos desviassem do olhar tranquilizador de Jesus.
 
Não basta começar bem. Não basta celebrar um bonito matrimónio ou aceitar com voz sonante os compromissos que o sacramento do baptismo exige dos pais e padrinhos da criança. É necessário perseverar, acreditar, prosseguir, sem nunca desviar o próprio olhar do exemplo de Jesus e confiar sempre, um passo após o outro, nas Suas palavras. Porém, se a nossa fragilidade vier à tona e sentirmos que começamos a vacilar, não hesitemos: «Salva-me, Senhor!» Invoquemos o Seu nome, peçamos o Seu auxílio… pois, mesmo nos momentos de maior frustração, desânimo e desilusão, Ele lá estará para nos estender a Sua mão, sustentar com a Sua força e acalmar o nosso mar.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.08.09



 
 

domingo, 2 de agosto de 2026

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro de Isaías
(Is 55,1-3)
Eis o que diz o Senhor: “Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia? Prestai-Me atenção e vinde a Mim; escutai e a vossa alma viverá. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145)
Refrão: Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.
 
O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.
 
Todos têm os olhos postos em Vós
e a seu tempo lhes dais o alimento.
Abris as vossas mãos
e todos saciais generosamente.
 
O Senhor é justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 8,35.37-39)
Irmãos: Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas em tudo isto somos vencedores, graças Àquele que nos amou. Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro, nem as Potestades nem a altura nem a profundidade nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus, Nosso Senhor.
 
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 14,13-21)
Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O a pé. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: “Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento”. Mas Jesus respondeu-lhes: “Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”. Disseram-Lhe eles: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”. Disse Jesus: “Trazei-mos cá”. Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
 
 
BOA NOTÍCIA
«Dai-lhes vós de comer»
Ao ler o Evangelho deste domingo, recordei imediatamente um antigo slogan que ainda hoje acompanha várias campanhas de solidariedade: «se não podes fazer o milagre da multiplicação, faz o da divisão». Não podemos continuar a ignorar a lição que Jesus hoje nos propõe: diante do apelo dos pobres, a comunidade cristã tem de aprender a partilhar. Nenhum de nós pode dizer que não tem culpa pelo facto de 80 por cento da humanidade ser obrigada a viver com 20 por cento dos recursos disponíveis. Nenhum cristão pode “lavar as mãos” quando se gastam em armas e extravagâncias recursos que deviam estar ao serviço da saúde, da educação, da habitação, da construção de redes de saneamento básico…
 
Aliás, não é uma coincidência que o Evangelho deste domingo tenha um inegável contexto eucarístico (as palavras «ergueu os olhos ao céu e recitou a bênção, partiu os pães e deu-os aos discípulos» recordam a fórmula que usamos sempre que celebramos a Eucaristia). Na verdade, sentar-se à mesa com Jesus e receber o pão que Ele oferece (Eucaristia) é comprometer-se com a dinâmica do Reino e assumir, portanto, a lógica da partilha, do amor, do serviço. Na Eucaristia, todos somos convidados a lutar contra as desigualdades, os sistemas de exploração, os esquemas de açambarcamento dos bens, os esbanjamentos, a procura de bens supérfluos…
 
Quando unimos à celebração da Eucaristia esta lógica de partilha e de serviço, testemunhamos de forma credível a presença de Jesus no mundo e fazemos com que o Reino seja, cada vez mais, uma realidade viva na história dos homens.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.08.02



sábado, 25 de julho de 2026

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Primeiro Livro dos Reis
(1 Rs 3,5.7-12)
Naqueles dias, O Senhor apareceu em sonhos a Salomão durante a noite e disse-lhe: "Pede o que quiseres". Salomão respondeu: "Senhor, meu Deus, Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David e eu sou muito novo e não sei como proceder. Este vosso servo está no meio do povo escolhido, um povo imenso, inumerável, que não se pode contar nem calcular. Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para saber distinguir o bem do mal; pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?" Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão e disse-lhe: "Porque foi este o teu pedido, e já que não pediste longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu desejo. Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti".
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 118 (119)
Refrão: Quanto amo, Senhor, a vossa lei!
 
Senhor, eu disse: A minha herança
é cumprir as vossas palavras.
Para mim vale mais a lei da vossa boca
do que milhões em ouro e prata.
 
Console-me a vossa bondade,
segundo a promessa feita ao vosso servo.
Desçam sobre mim as vossas misericórdias e viverei,
porque a vossa lei faz as minhas delícias.
 
Por isso, eu amo os vossos mandamentos,
mais que o ouro, o ouro mais fino.
Por isso, eu sigo todos os vossos preceitos
e detesto todo o caminho da mentira.
 
São admiráveis as vossas ordens,
por isso, a minha alma as observa.
A manifestação das vossas palavras ilumina
e dá inteligência aos simples.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 8,28-30)
Irmãos: Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. E àqueles que predestinou, também os chamou; àqueles que chamou, também os justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 13,44-52)
Naquele tempo, disse Jesus às multidões: «O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?» Eles responderam-Lhe: «Entendemos». Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas».
 
 
BOA NOTÍCIA
Caça ao tesouro
Das três parábolas que escutaremos no próximo domingo, a última (a da rede e dos peixes) propõe uma lição semelhante à da parábola do domingo passado, do trigo e do joio: ela diz-nos que o Reino não é um condomínio fechado, onde só há gente escolhida e santa, mas é uma realidade onde o mal e o bem crescem simultaneamente («o reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes»). Diz-nos também que Deus não quer condenar ou destruir o pecador. Por isso, dá ao homem o tempo necessário para amadurecer as suas opções e para fazer as suas escolhas.
 
Por sua vez, a primeira e a segunda (as parábolas do tesouro e da pérola) falam-nos da experiência de encontrar algo tão precioso, que a própria vida é radicalmente transformada por essa descoberta: um homem encontra um tesouro enquanto está a cavar, cobre de novo tudo e compra esse terreno... um negociante descobre uma pérola tão rara que decide vender tudo o que tem para a adquirir...
 
Em ambas as parábolas a ideia de fundo é a mesma: a vida é uma autêntica “caça ao tesouro”, onde procuramos felicidade. Jesus garante-nos que apenas Deus pode apaziguar completamente essa nossa sede. No entanto, há uma lição a aprender: quem escolher o Reino (o tesouro!) não poderá “agradar a Deus e ao diabo” e pactuar com realidades que mutuamente se excluem, mas terá de ter como prioridade o Evangelho. Tudo o resto será colocado em segundo plano, pois o Caminho que Deus nos propõe merece o melhor de nós mesmos, das nossas forças e do nosso tempo. A alternativa significa arriscar a perda do tesouro, ou seja, viver uma vida incoerente, superficial e ambígua. E quem poderia ser feliz com uma vida assim?
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.07.25



 
 

sábado, 18 de julho de 2026

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro da Sabedoria
(Sab 12,13.16-19)
Não há Deus, além de Vós, que tenha cuidado de todas as coisas; a ninguém tendes de mostrar que não julgais injustamente. O vosso poder é o princípio da justiça e o vosso domínio soberano torna-Vos indulgente para com todos. Mostrais a vossa força aos que não acreditam na vossa omnipotência e confundis a audácia daqueles que a conhecem. Mas Vós, o Senhor da força, julgais com bondade e governais-nos com muita indulgência, porque sempre podeis usar da força quando quiserdes. Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo que o justo deve ser humano e aos vossos filhos destes a esperança feliz de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 85 (86)
Refrão: Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.
 
Vós, Senhor, sois bom e indulgente,
cheio de misericórdia para com todos os que Vos invocam.
Ouvi, Senhor, a minha oração,
atendei a voz da minha súplica.
 
Todos os povos que criastes virão adorar-vos, Senhor,
e glorificar o vosso nome,
porque Vós sois grande e operais maravilhas,
Vós sois o único Deus.
 
Senhor, sois um Deus bondoso e compassivo,
paciente e cheio de misericórdia e fidelidade.
Voltai para mim os vossos olhos
e tende piedade de mim.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 8,26-27)
Irmãos: O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, sabe que Ele intercede pelos santos em conformidade com Deus.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 13,24-43)
Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio? Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ ‘Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’“. Jesus disse-lhes outra parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos”. Disse-lhes outra parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado”. Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: “Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo”. Jesus deixou então as multidões e foi para casa. Os discípulos aproximaram-se d’Ele e disseram-Lhe: “Explica-nos a parábola do joio no campo”. Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o Demónio. A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos. Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus Anjos, que tirarão do seu reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. Então, os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, oiça”.
 
 
BOA NOTÍCIA
Joio e trigo
O Evangelho do próximo domingo propõe-nos três parábolas que nos falam do “Reino”. Uma delas é a do trigo e do joio, onde Jesus nos explica que o projecto de Deus não prevê a destruição do pecador ou a segregação dos maus: «disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ ‘Não! – disse Ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa».
 
É uma parábola que nos recorda que Deus é amor: amor que dá aos homens “todo o tempo do mundo” para crescerem, para descobrirem o Evangelho e para fazerem as suas escolhas.
 
A paciência de Deus com o joio convida-nos também a rejeitarmos as atitudes de rigidez, de intolerância e de vingança nas nossas relações com os outros. O “senhor” da parábola não aceita a impaciência e o radicalismo dos servos que pretendem “cortar o mal pela raiz”, correndo o risco de serem injustos, de se enganarem, de meterem mal e bem no mesmo saco. A Palavra de Deus convida-nos a moderar a nossa dureza, a nossa intolerância, a nossa intransigência e a contemplar os irmãos (e as suas falhas e defeitos) com os olhos benevolentes, compreensivos e pacientes de Deus.
 
No mundo dificilmente encontramos o mal puro de um lado e o bem puro do outro. Mal e bem misturam-se na sociedade e no coração de cada um de nós. Dividir os indivíduos em bons (os amigos, aqueles que estão sempre de acordo connosco) e maus (aqueles que nos fazem frente e que não pensam da mesma maneira) é uma atitude simplista, que nos leva frequentemente a assumir atitudes injustas. Saibamos olhar para o mundo e para as pessoas sem preconceitos, com a mesma bondade e tolerância que Deus manifesta face a cada homem e a cada mulher!
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.07.19



 

sábado, 11 de julho de 2026

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro de Isaías
(Is 55,10-11)
Eis o que diz o Senhor: “Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão”.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 64 (65)
Refrão: A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.
 
Visitastes a terra e a regastes,
enchendo-a de fertilidade.
As fontes do céu transbordam em água
e fazeis brotar o trigo.
 
Assim preparais a terra;
regais os seus sulcos e aplanais as leivas,
Vós a inundais de chuva
e abençoais as sementes.
 
Coroastes o ano com os vossos benefícios,
por onde passastes brotou a abundância.
Vicejam as pastagens do deserto
e os outeiros vestem-se de festa.
 
Os prados cobrem-se de rebanhos
e os vales enchem-se de trigo.
Tudo canta e grita de alegria.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 8,18-23)
Irmãos: Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há-de manifestar em nós. Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus. Elas estão sujeitas à vã situação do mundo, não por sua vontade, mas por vontade d’Aquele que as submeteu, com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza, para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 13,1-23)
Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: “Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça”. Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: “Porque lhes falas em parábolas?” Jesus respondeu-lhes: “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não. Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas, porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: ‘Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas não vereis. Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure’. Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem! Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. Vós, portanto, escutai o que significa a parábola do semeador: Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto, produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um”.
 
 
BOA NOTÍCIA
«Saiu o semeador a semear»
Caíram algumas sementes ao longo do caminho… em sítios pedregosos… entre espinhos… e outras caíram em boa terra...
 
Com a famosa parábola do semeador, Jesus descreve várias atitudes possíveis diante do anúncio do Reino... Há aqueles que têm um coração duro como o chão de terra batida dos caminhos: a semente da Palavra não poderá penetrar nesse terreno e dar fruto. Depois, há aqueles que têm um coração inconstante, capaz de se entusiasmar instantaneamente, mas também de desanimar perante as primeiras dificuldades: a Palavra não poderá criar raízes. Também há aqueles que têm um coração materialista, que dá sempre prioridade à riqueza e aos bens deste mundo: a Palavra será facilmente sufocada por esses espinhos. Por fim, há também aqueles que têm um coração disponível e bom, aberto aos desafios de Deus: nesse terreno a Palavra será acolhida e dará muito fruto!
 
Mas esta parábola também nos revela que Deus é desajeitado quando se trata de semear…! Quem semeia desta forma? Desperdiçando a semente a torto e a direito? Esbanjando semente boa em terrenos áridos e pedregosos, onde todos sabemos que dificilmente algo poderá frutificar?
 
Porém este é o Deus que Jesus Cristo nos revela e que a parábola insiste em descrever. Ele esbanja com generosidade a própria Palavra e Amor. Ele ama, mesmo quando é altamente improvável que esse amor encontre correspondência. Ele doa-Se, mesmo onde o bom senso diz que ninguém acolherá o Seu dom. Ele semeia, mesmo nos terrenos que parecem mais estéreis. Deus Pai é o semeador confiante, cujas mãos, guiadas pela esperança, esbanjam e distribuem amor em todas as direcções!
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.07.11



 

sábado, 4 de julho de 2026

14º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura da Profecia de Zacarias
(Zac 9,9-10)
Eis o que diz o Senhor: “Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra.
 
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145)
Refrão: Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei.
 
Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei,
e bendizer o vosso nome para sempre.
Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
 
O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.
 
Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.
 
O Senhor é fiel à sua palavra
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor ampara os que vacilam
e levanta todos os oprimidos.
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 8,9.11-13)
Irmãos: Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. Assim, irmãos, não somos devedores à carne, para vivermos segundo a carne. Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 11,25-30)
Naquele tempo, Jesus exclamou: “Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Tudo me foi dado por meu Pai. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.
 
 
BOA NOTÍCIA
Jugo ou libertação?
O Evangelho do próximo domingo, dia 5, propõe-nos uma oração («Eu Te bendigo, ó Pai…»), uma declaração («Tudo me foi dado por meu Pai…») e um convite («Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos…»). Ao escutar o último trecho (a convocação de Jesus) é difícil não recordar o famoso soneto de Emma Lazarus, “The New Colossus”, cujos versos foram gravados em 1903, numa laje de bronze, no interior da Estátua da Liberdade, como que a sugerir que ela mesma os declamasse, ao saudar os milhões de emigrantes que desembarcavam, naqueles anos, nos portos do estado de Nova Iorque: Give me your tired, your poor, / Your huddled masses yearning to breathe free, (Dai-me os vossos cansados, os vossos pobres, / As vossas multidões que anseiam por um ar de liberdade).
 
É bem possível que o Evangelho tenha inspirado estes versos; no fundo, ambos os textos evocam o mesmo desejo de liberdade. No caso de Jesus, o cansaço e a opressão de que Ele promete libertar-nos são o fruto de uma interpretação idolátrica da Lei: muitos crentes, incapazes de respeitar diariamente os 613 mandamentos da Lei judaica, sentiam-se indignos e condenados. A Lei aprisionava, em lugar de libertar e afastava os homens de Deus, em lugar de os conduzir à Salvação. Jesus anuncia que veio libertar o Homem da escravidão da Lei!
 
Mas hoje, os pobres e os marginalizados continuam a encontrar nas nossas comunidades essa promessa de liberdade e emancipação? Ou será que perdemos de vista a novidade cristã e caímos de novo no erro de absolutizar a Lei? Vemos o Evangelho como um jugo pesado ou como uma alegre libertação? As respostas que dermos serão o “termómetro” da nossa fé…
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.07.04



 
 
 

sábado, 27 de junho de 2026

13° DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Segundo Livro dos Reis
(2 Reis 4, 8-11.14-16a)
Certo dia, o profeta Eliseu passou por Sunam. Vivia lá uma distinta senhora, que o convidou com insistência a comer em sua casa. A partir de então, sempre que por ali passava, era em sua casa que ia tomar a refeição. A senhora disse ao marido: «Estou convencida de que este homem, que passa frequentemente pela nossa casa, é um santo homem de Deus. Mandemos-lhe fazer no terraço um pequeno quarto com paredes de tijolo, com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada. Quando ele vier a nossa casa, poderá lá ficar». Um dia, chegou Eliseu e recolheu-se ao quarto para descansar. Depois perguntou ao seu servo Giezi: «Que podemos fazer por esta senhora?». Giezi respondeu: «Na verdade, ela não tem filhos e o seu marido é de idade avançada». «Chama-a» – disse Eliseu. O servo foi chamá-la e ela apareceu à porta. Disse-lhe o profeta: «No próximo ano, por esta época, terás um filho nos braços».
 
 
Salmo 88 (89), 2-3.16-17.18-19 (R. 2a)
Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.
 
Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
e para sempre proclamarei a sua fidelidade.
Vós dissestes:
«A bondade está estabelecida para sempre»,
no céu permanece firme a vossa fidelidade. Refrão
 
Feliz do povo que sabe aclamar-Vos
e caminha, Senhor, à luz do vosso rosto.
Todos os dias aclama o vosso nome
e se gloria com a vossa justiça. Refrão
 
Vós sois a sua força,
com o vosso favor se exalta a nossa valentia.
Do Senhor é o nosso escudo
e do Santo de Israel o nosso rei. Refrão
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 6, 3-4.8-11)
Irmãos: Todos nós que fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos; sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele. Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida, é uma vida para Deus. Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 37-42)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: Não perderá a sua recompensa».
 
 
BOA NOTÍCIA
Missionários full-time
No Evangelho do próximo Domingo escutaremos a parte final do “discurso da missão” (já iniciado na semana passada). Neste texto o evangelista Mateus recolheu uma série de “ditos” de Jesus sobre os temas do envio e da missão: podemos quase considerá-lo uma espécie de “manual do missionário cristão”.
 
«Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la».
 
Entre os vários ensinamentos propostos, esta página recorda-nos que uma preocupação exagerada em proteger os próprios esquemas e interesses pode fechar-nos num egoísmo estéril e afastar-nos definitivamente da vida verdadeira, que é abertura, relação e dom de si. Aliás, a “missão” não deve ser compreendida apenas na perspectiva clássica (mas limitada) do deixar tudo e partir para evangelizar uma terra distante. A Missão é um estilo de vida; é uma relação de amor cultivada diariamente com Cristo, que se deve traduzir no reconhecimento da fraternidade que nos une e no testemunho generoso do amor e misericórdia de Deus Pai.
 
Este ideal de vida é muito belo, mas também é muito exigente. O Evangelho não admite “meias-tintas” e o verdadeiro discípulo de Jesus é apresentado sem descontos: é alguém que percebe e aceita que a Missão é "a" prioridade e que devemos dedicar-lhe, não apenas o tempo que sobra, mas uma boa parte do nosso dia, da nossa semana, do nosso mês... enfim, da nossa vida!
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.06.27



 
 

sábado, 20 de junho de 2026

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro do profeta Jeremias
(Jer 20, 10-13)
Disse Jeremias: «Eu ouvia as invectivas da multidão: ‘Terror por toda a parte! Denunciai-o, vamos denunciá-lo!’. Todos os meus amigos esperavam que eu desse um passo em falso: ‘Talvez ele se deixe enganar e assim o poderemos dominar e nos vingaremos dele’. Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos. Ficarão cheios de vergonha pelo seu fracasso, ignomínia eterna que não será esquecida. Senhor do Universo, que sondais o justo e perscrutais os rins e o coração, possa eu ver o castigo que dareis a essa gente, pois a Vós confiei a minha causa. Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, que salvou a vida do pobre das mãos dos perversos».
 
 
SALMO RESPONSORIAL - Salmo 68 (69), 8-10.14.17. 33-35
Refrão: Pela vossa grande misericórdia, atendei-me, Senhor.
 
Por Vós tenho suportado afrontas,
cobrindo-se meu rosto de confusão.
Tornei-me um estranho para os meus irmãos,
um desconhecido para a minha família.
Devorou-me o zelo pela vossa casa
e recaíram sobre mim os insultos contra Vós. Refrão
 
A Vós, Senhor, elevo a minha súplica,
no momento propício, meu Deus.
Pela vossa grande bondade, respondei-me,
em prova da vossa salvação.
Tirai-me do lamaçal, para que não me afunde,
livrai-me dos que me odeiam e do abismo das águas. Refrão
 
Vós, humildes, olhai e alegrai-vos,
buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará.
O Senhor ouve os pobres
e não despreza os cativos.
Louvem-n’O o céu e a terra,
os mares e quanto neles se move. Refrão
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 5, 12-15)
Irmãos: Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei. Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado por uma transgressão à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir. Mas o dom gratuito não é como a falta. Se pelo pecado de um só todos pereceram, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a todos os homens.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 26-33)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos. A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus».
 
 
BOA NOTÍCIA
Deus não se esquece de ninguém
Depois de eleger os Doze apóstolos, Jesus deu aos seus discípulos uma série de instruções, antes de enviá-los a proclamar a Boa Nova. O Evangelho que escutaremos no próximo domingo é um trecho desse "discurso missionário", onde o tema central é sugerido pela expressão «Não temais!», que se repete por três vezes ao longo do texto:
 
«Não tenhais medo dos homens (...) Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma (...) Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais».
 
O Evangelho convida-nos a não nos deixarmos paralisar pelo medo. Jesus não promete aos seus discípulos uma vida sem oposições, incompreensões ou feridas. Promete algo ainda maior: Deus não se esquece de ninguém. Se o Pai vela por «todos os passarinhos», vela ainda mais por nós.
 
«Não tenhais medo»: não é um convite à arrogância, mas à confiança. O cristão não é alguém que nunca treme: é alguém que, mesmo tremendo, sabe que está nas mãos de Deus. Peçamos ao Senhor um coração que não se esconda por trás do medo, mas que saiba confiar no Pai e testemunhar Cristo com humildade, coragem e amor.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.06.20



 
 

sábado, 13 de junho de 2026

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Leitura do Livro do Êxodo
(Ex 19, 2-6a)
Naqueles dias, os filhos de Israel partiram de Refidim e chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam, em frente da montanha. Moisés subiu à presença de Deus. O Senhor chamou-o da montanha e disse-lhe: «Assim falarás à casa de Jacob, isto dirás aos filhos de Israel: ‘Vistes o que Eu fiz ao Egito, como vos transportei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim. Agora, se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos. Porque toda a terra Me pertence; mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa’».
 
 
SALMO RESPONSORIAL Salmo 99 (100), 2.3.5 (R. 3c)
Refrão: Nós somos o povo de Deus, as ovelhas do seu rebanho.
 
Aclamai o Senhor, terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo. Refrão
 
Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho. Refrão
Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração. Refrão
 
 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
(Rom 5, 6-11)
Irmãos: Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. E agora, que fomos justificados pelo seu sangue, com muito mais razão seremos por Ele salvos da ira divina. Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, depois de reconci­liados, seremos salvos pela sua vida. Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 9, 36 – 10, 8)
Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça».
 
 
BOA NOTÍCIA
A missão nasce da oração
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos». Diante da imensidão das necessidades humanas, Jesus não diz primeiro “fazei”, mas “orai”. Não apela, antes de tudo, a que nos organizemos melhor, multipliquemos atividades ou enchamos ainda mais as nossas agendas. Cristo convida à oração: «Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores».
 
É um convite que purifica a nossa ideia de missão. Por vezes pensamos que o Reino de Deus depende apenas das nossas forças, da nossa generosidade, da nossa eficiência. Mas os trabalhadores do Evangelho não se fabricam em laboratório e não se escolhem só porque há muito para fazer. São um dom de Deus. Nascem de um coração chamado, moldado, convertido. Nascem da oração.
 
Rezar pelos «trabalhadores da seara» significa reconhecer que a missão pertence, acima de tudo, ao Senhor. A colheita é Sua. A Igreja é Sua. O mundo ferido que espera consolo é Seu. Nós somos enviados, não proprietários; servos, não senhores; instrumentos, não protagonistas. Por isso, a oração não é uma pausa na missão: é a sua fonte. Peçamos, então, ao Senhor da seara que não nos deixe prisioneiros da ânsia de fazer, mas que nos eduque na confiança da oração.
 
P. Carlos Caetano, cs
in LusoJornal 2026.06.13



 
 

sábado, 6 de junho de 2026

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO – ANO A

NB: Tradicionalmente a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo celebra-se na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade. Todavia, nalgumas nações, tais como França e Itália, onde foi eliminado o feriado nacional, esta solenidade é adiada para o domingo sucessivo.
 
Leitura do Livro do Deuteronómio
(Deut 8, 2-3.14b-16a)
Moisés falou ao povo, dizendo: «Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa de escravidão, e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».
 
 
SALMO RESPONSORIAL - Salmo 147, 12-13.14-15.19-20
Refrão: Jerusalém, louva o teu Senhor.
 
Glorifica, Jerusalém, o Senhor,
louva, Sião, o teu Deus.
Ele reforçou as tuas portas
e abençoou os teus filhos.
 
Estabeleceu a paz nas tuas fronteiras
e saciou-te com a flor da farinha.
Envia à terra a sua palavra,
corre veloz a sua mensagem.
 
Revelou a sua palavra a Jacob,
suas leis e preceitos a Israel.
Não fez assim com nenhum outro povo,
a nenhum outro manifestou os seus juízos.
 
 
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios
(1 Cor 10, 16-17)
Irmãos: Não é o cálice de bênção que abençoamos a comunhão com o Sangue de Cristo? Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo? Visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do mesmo pão.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 6, 51-58)
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo». Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?». Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».
 
 
BOA NOTÍCIA
O sabor da eternidade
«Quem comer este pão viverá eternamente». No dia do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, estas palavras lembram-nos que a Eucaristia não é um ritual a cumprir, mas uma vida a receber. Cristo não nos oferece uma ideia, um símbolo vazio, um consolo passageiro: Ele dá-nos a si mesmo. O Pão eucarístico é a forma humilde e concreta com que Deus entra na nossa fome mais profunda: fome de sentido, de perdão, de amor, de eternidade.
 
Comer este Pão significa deixar-se transformar por Cristo. Não podemos aproximar-nos do altar e ficar fechados em nós mesmos; não podemos receber o Corpo do Senhor e ignorar o corpo ferido dos nossos irmãos. A Eucaristia faz de nós Igreja, educa-nos para a comunhão, empurra-nos para fora de todo o egoísmo.
 
«Viverá para sempre» não significa apenas viver depois da morte. Significa começar já agora uma vida nova, habitada por Deus, mais forte do que o medo, maior do que o pecado, mais tenaz do que a morte. Hoje adoramos o Corpo de Cristo, mas deixamos também que Ele molde o nosso corpo, as nossas mãos, as nossas palavras, as nossas escolhas. Quem come este Pão leva ao mundo o sabor da eternidade.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.06.06



 
 

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