quarta-feira, 20 de abril de 2016

5º DOMINGO DA PÁSCOA (ano C)

Leitura dos Actos dos Apóstolos
(Actos 14,21b-27)
Naqueles dias, Paulo e Barnabé voltaram a Listra, a Icónio e a Antioquia. Iam fortalecendo as almas dos discípulos e exortavam-nos a permanecerem firmes na fé, «porque – diziam eles – temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no reino de Deus». Estabeleceram anciãos em cada Igreja, depois de terem feito orações acompanhadas de jejum, e encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham acreditado. Atravessaram então a Pisídia e chegaram à Panfília; depois, anunciaram a palavra em Perga e desceram até Atalia. De lá embarcaram para Antioquia, de onde tinham partido, confiados na graça de Deus, para a obra que acabavam de realizar. À chegada, convocaram a Igreja, contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144
Refrão: Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei.

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

Graças Vos dêem, senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.

Para darem a conhecer aos homens o vosso poder,
a glória e o esplendor do vosso reino.
O vosso reino é um reino eterno,
o vosso domínio estende-se por todas as gerações.


Leitura do Livro do Apocalipse
(Ap 21,1-5ª)
Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido e o mar já não existia. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, bela como noiva adornada para o seu esposo. Do trono ouvi uma voz forte que dizia: «Eis a morada de Deus com os homens. Deus habitará com os homens: eles serão o seu povo e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; nunca mais haverá morte nem luto, nem gemidos nem dor, porque o mundo antigo desapareceu». Disse então Aquele que estava sentado no trono: «Vou renovar todas as coisas».


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 13,31-33a.34-35)
Quando Judas saiu do cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».


BOA NOTÍCIA
Dou-vos um mandamento “novo”
No próximo domingo, o Evangelho propõe-nos a última instrução que Jesus deu aos seus discípulos, antes da traição de Judas: «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros».

Curiosamente, no Levítico (o terceiro livro da Bíblia, escrito entre o sexto e o quinto século antes do nascimento de Cristo) encontramos este versículo: «Não te vingarás nem guardarás rancor aos filhos do teu povo, mas amarás o teu próximo como a ti mesmo». Afinal, o mandamento é novo ou é antigo?

«Não penseis que vim anular a Lei ou os Profetas. Não vim anulá-los, mas levá-los à perfeição» (Mt 5,17). Com estas palavras, Jesus convida-nos a não abandonar a sabedoria do Antigo Testamento, mas a reler tudo à luz da Sua vida e do Seu testemunho. Em Jesus Cristo, o mandamento do amor é revolucionado totalmente, adquirindo uma dimensão e profundidade até então inéditas.

O primeiro conceito a ser transformado é a noção de “próximo”. Para os antigos judeus, o preceito do amor abrangia apenas os filhos do povo hebraico. Jesus supera a noção tribal da lei e, com a parábola do bom samaritano, reescreve a definição de “próximo”. Ele ensina-nos a ultrapassar fronteiras raciais, linguísticas, culturais ou religiosas, e dilata a extensão do mandamento do amor até alcançar todos os homens e mulheres, sem excepção.

Mas o que realmente transforma a antiga lei não é tanto a universalidade do “novo” mandamento, quanto a profundidade, a intensidade com que ele deve ser vivido. A medida do amor já não é o amor que provamos por nós mesmos, mas sim, o amor que Jesus Cristo revelou com a sua vida e morte. É o amor total, o amor que «tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta» (1Cor 13,13).

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2016.04.20






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