sábado, 6 de junho de 2026

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO – ANO A

NB: Tradicionalmente a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo celebra-se na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade. Todavia, nalgumas nações, tais como França e Itália, onde foi eliminado o feriado nacional, esta solenidade é adiada para o domingo sucessivo.
 
Leitura do Livro do Deuteronómio
(Deut 8, 2-3.14b-16a)
Moisés falou ao povo, dizendo: «Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa de escravidão, e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».
 
 
SALMO RESPONSORIAL - Salmo 147, 12-13.14-15.19-20
Refrão: Jerusalém, louva o teu Senhor.
 
Glorifica, Jerusalém, o Senhor,
louva, Sião, o teu Deus.
Ele reforçou as tuas portas
e abençoou os teus filhos.
 
Estabeleceu a paz nas tuas fronteiras
e saciou-te com a flor da farinha.
Envia à terra a sua palavra,
corre veloz a sua mensagem.
 
Revelou a sua palavra a Jacob,
suas leis e preceitos a Israel.
Não fez assim com nenhum outro povo,
a nenhum outro manifestou os seus juízos.
 
 
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios
(1 Cor 10, 16-17)
Irmãos: Não é o cálice de bênção que abençoamos a comunhão com o Sangue de Cristo? Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo? Visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do mesmo pão.
 
 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 6, 51-58)
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo». Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?». Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».
 
 
BOA NOTÍCIA
O sabor da eternidade
«Quem comer este pão viverá eternamente». No dia do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, estas palavras lembram-nos que a Eucaristia não é um ritual a cumprir, mas uma vida a receber. Cristo não nos oferece uma ideia, um símbolo vazio, um consolo passageiro: Ele dá-nos a si mesmo. O Pão eucarístico é a forma humilde e concreta com que Deus entra na nossa fome mais profunda: fome de sentido, de perdão, de amor, de eternidade.
 
Comer este Pão significa deixar-se transformar por Cristo. Não podemos aproximar-nos do altar e ficar fechados em nós mesmos; não podemos receber o Corpo do Senhor e ignorar o corpo ferido dos nossos irmãos. A Eucaristia faz de nós Igreja, educa-nos para a comunhão, empurra-nos para fora de todo o egoísmo.
 
«Viverá para sempre» não significa apenas viver depois da morte. Significa começar já agora uma vida nova, habitada por Deus, mais forte do que o medo, maior do que o pecado, mais tenaz do que a morte. Hoje adoramos o Corpo de Cristo, mas deixamos também que Ele molde o nosso corpo, as nossas mãos, as nossas palavras, as nossas escolhas. Quem come este Pão leva ao mundo o sabor da eternidade.
 
P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2026.06.06



 
 

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