sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA (ano B)

Em vez destas leituras, poderão ser proclamadas as duas primeiras do ano A.

Leitura do Livro do Génesis
(Gen 15, 1-6; 21, 1-3)
Naqueles dias, foi dirigida a Abrão a palavra do Senhor numa visão: «Não temas, Abrão: Eu sou o teu escudo; será grande a tua recompensa». Abrão respondeu: «Senhor, meu Deus, que me dareis? Vou partir desta vida sem descendência, e o herdeiro da minha casa é Eliezer de Damasco». E continuou: «Vós não me destes descendência, e um servo nascido na minha casa é que será o meu herdeiro». Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos: «Não é ele que será o teu herdeiro; o teu herdeiro vai ser alguém nascido do teu sangue». Deus levou Abrão para fora de casa e disse-lhe: «Levanta os olhos para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar». E acrescentou: «Assim será a tua descendência». Abrão acreditou no Senhor, o que lhe foi atribuído como justiça. O Senhor visitou Sara, como lhe tinha dito, e realizou nela o que prometera. Sara concebeu e deu um filho a Abraão, apesar da sua velhice, na data marcada por Deus. Ao filho que lhe nasceu de Sara deu Abraão o nome de Isaac.


SALMO RESPONSORIAL Salmo 104 (105), 1b-2.3-4.5-6.8-9
Refrão: O Senhor, nosso Deus, recorda sempre a sua aliança.

Aclamai o nome do Senhor,
anunciai entre os povos as suas obras.
Cantai-Lhe salmos e hinos,
proclamai todas as suas maravilhas.

Gloriai-vos no seu santo nome,
exulte o coração dos que procuram o Senhor.
Considerai o Senhor e o seu poder,
procurai sempre a sua face.

Recordai as maravilhas que Ele operou,
os seus prodígios e os oráculos da sua boca,
vós, descendentes de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu eleito.

Ele recorda sempre a sua aliança,
a palavra que empenhou para mil gerações,
o pacto que estabeleceu com Abraão,
o juramento que fez a Isaac.


Leitura da Epístola aos Hebreus
(Hebr 11, 8.11-12.17-19)
Irmãos: Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento e partiu para uma terra que viria a receber como herança; e partiu sem saber para onde ia. Pela fé, também Sara recebeu o poder de ser mãe já depois de passada a idade, porque acreditou na fidelidade d’Aquele que lho prometeu. Por isso, de um só homem – um homem que a morte já espreitava – nasceram descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e inumeráveis como a areia que há na praia do mar. Pela fé, Abraão, submetido à prova, ofereceu o seu filho único, Isaac, que era o depositário das promessas, como lhe tinha sido dito: «É por Isaac que terás uma descendência com o teu nome». Ele considerava que Deus pode ressuscitar os mortos; por isso ele recuperou o filho como uma figura.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 2, 22-40)
Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia, tornava-Se robusto e enchia-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.


BOA NOTÍCIA
O Cântico de Simeão
No próximo domingo celebraremos a Festa da Sagrada Família. O Evangelho que vamos escutar nesse dia descreve a Apresentação do Senhor: quarenta dias após o nascimento de Jesus, em obediência à lei de Moisés, Maria levou o menino ao templo, para que fosse consagrado a Deus. Aí encontrou um velhinho chamado Simeão, que ao ver a criança, não conseguiu conter a própria alegria…

Só Deus sabe o que terá pensado Maria quando Simeão, cheio de entusiasmo, pegou Jesus nos seus braços e começou a cantar. Será que se assustou? Eu imagino-a, com uma olhada discreta, a encorajar José para que retire o bebé das mãos daquele excêntrico velhinho... Imagino-a também, muitos anos mais tarde, quando a Igreja já move os primeiros passos, a contar este episódio a um jovem médico - chamado Lucas - que coloca por escrito a história de Jesus. Passaram muitos anos desde aquele encontro no templo, mas a memória de Maria vê sempre mais claramente os eventos do passado. Recorda bem o Cântico de Simeão e repete-o a Lucas, palavra por palavra, para que ele o escreva no seu Evangelho: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

Dois milénios passaram. As palavras de Simeão foram traduzidas em todas as línguas. São proclamadas nas nossas igrejas e repetidas antes de adormecer por cristãos em tudo o mundo. São poucas linhas, mas a mensagem que contêm é clara: a vida e a morte não nos podem assustar. O encontro com Deus vence todos os medos, todos os receios. Não temam! Jesus Cristo é “Emanuel”, o “Deus-connosco”.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2017.12.29





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