sexta-feira, 16 de março de 2018

5º DOMINGO DA QUARESMA (ano B)

Leitura do Livro de Jeremias
(Jer 31,31-34)
Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova. Não será como a aliança que firmei com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egipto, aliança que eles violaram, embora Eu exercesse o meu domínio sobre eles, diz o Senhor. Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, naqueles dias, diz o senhor: Hei-de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Não terão já de se instruir uns aos outros, nem de dizer cada um a seu irmão: «Aprendei a conhecer o Senhor». Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 50 (51)
Refrão: Dai-me, Senhor, um coração puro.

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas.

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos
e os transviados hão-de voltar para Vós.


Leitura da Epístola aos Hebreus
(Heb 5,7-9)
Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 12,20-33)
Naquele tempo, alguns gregos que tinha vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.


BOA NOTÍCIA
O grão de trigo
Encontramos no Evangelho do próximo domingo, dia 18, um Jesus angustiado e triste: «Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome». Apesar de três anos de pregação e ensinamento, Jesus sabe que poucos compreenderam o sentido profundo da sua mensagem. Sabe também que a sua hora está próxima. Na pergunta «Que hei-de dizer?» podemos intuir a tentação de fugir à morte horrível que o espera no monte Gólgota (quanto é humano o Deus que nasceu em Belém!). Mas Jesus enfrenta esse medo recordando a missão e o projecto de salvação que lhe foi confiado pelo Pai.

Quando entrou em Jerusalém, muitos saudaram-n’O com o título de “rei de Israel”… Ele aproveita essa deixa e propõe uma metáfora, que explica a “glória” e a redenção escondidas no destino da cruz, que brevemente enfrentará: Eu sou o grão de trigo que cai na terra e morre! E a minha glória é dar a vida para que os frutos possam germinar. Para que uma nova vida (mais bela, mais “abundante”) possa nascer.

Jesus não é um suicida. A sua morte é um verdadeiro homicídio, consequência da sua luta sem trégua contra as forças de ódio e de pecado que oprimiam a Palestina do seu tempo. Tentaram silenciá-l’O e dispersar os seus discípulos com uma morte escandalosa e humilhante na cruz. Mas Jesus redime a violência da crucificação e transforma aquele momento de aniquilamento na sua suprema lição. Durante três anos Jesus falou. Na Páscoa as palavras transformam-se em vida: vida que se doa. O Verbo faz-se carne… e morre por nós.

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 2018.03.16






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