quinta-feira, 27 de agosto de 2015

22º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)

Leitura do Livro do Deuteronómio
(Dt 4,1-2.6-8)
Moisés falou ao povo, dizendo: «Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. Não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma, mas guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, tal como eu vo-los prescrevo. Observai-os e ponde-os em prática: eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos, que, ao ouvirem falar de todas estas leis, dirão: ‘Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!’ Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?»


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 14 (15)
Refrão: Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?

O que vive sem mancha e pratica a justiça
e diz a verdade que tem no seu coração
e guarda a sua língua da calúnia.

O que não faz mal ao seu próximo nem ultraja o seu semelhante,
o que tem por desprezível o ímpio,
mas estima os que temem o Senhor.

O que não falta ao juramento, mesmo em seu prejuízo,
e não empresta dinheiro com usura,
nem aceita presentes para condenar o inocente.
Quem assim proceder jamais será abalado.


Leitura da Epístola de São Tiago
(Tg 1,17-18.21-22.27)
Caríssimos irmãos: Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descem do Pai das luzes, no qual não há variação nem sombra de mudança. Foi Ele que nos gerou pela palavra da verdade, para sermos como primícias das suas criaturas. Acolhei docilmente a palavra em vós plantada, que pode salvar as vossas almas. Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, pois seria enganar-vos a vós mesmos. A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 7,1-8.14-15.21-23)
Naquele tempo, reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. – Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem terem lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre –. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?» Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Ouvi-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior dos homens é que saem os maus pensamentos: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem lá de dentro e tornam o homem impuro».


BOA NOTÍCIA
Encontro, comunhão e conversão
Terminadas as férias, começamos bem o novo ano (laboral, escolar ou pastoral) com uma página do Evangelho que nos convida a redescobrir a essência da nossa fé e interroga-nos sobre o que é realmente decisivo na experiência religiosa… Será o estrito cumprimento das leis definidas pela Igreja? Serão as manifestações exteriores de religiosidade? Ou será outra coisa?

No Evangelho do próximo domingo, dia 30, Jesus critica a religiosidade hipócrita dos fariseus e recorda-nos que leis e ritos não têm sentido se não nos ajudam (e eis o que realmente é essencial…) a aprofundar a nossa comunhão com Deus e com os outros homens: «Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos».

Naturalmente, algumas normas têm o seu lugar na experiência religiosa, mas apenas enquanto sinais indicadores de um caminho a percorrer. Se as absolutizamos, tornam-se para nós um fim e não um caminho. Tornam-se uma forma de nos julgarmos em regra com Deus; de sentirmos que Deus nos deve algo porque cumprimos as leis estabelecidas. Nesse caso, o culto torna-se um processo egoísta de compra e venda de favores e não uma manifestação do amor que une o Pai e os seus filhos. A nossa religião torna-se um negócio, uma mentira.

Só abandonando as máscaras do ritualismo artificial (que esvazia a celebração e a transforma em cerimónia) e do moralismo estéril (que corrompe o Evangelho e o reduz a uma legislação) poderemos redescobrir a essência da nossa fé, que é encontro (pessoal), comunhão (total) e conversão (radical).

P. Carlos Caetano




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