quarta-feira, 14 de outubro de 2015

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)

Leitura do Livro de Isaías
(Is 53,10-11)
Aprouve ao Senhor esmagar o seu Servo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como vítima de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado. Pela sua sabedoria, o Justo, meu Servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33)
Refrão: Desça sobre nós a vossa misericórdia, porque em Vós esperamos, Senhor.

A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.

Leitura da Epístola aos Hebreus
(Heb 4,14-16)
Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 10,35-45)
Naquele tempo, Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir». Jesus respondeu-lhes: «Que quereis que vos faça?» Eles responderam: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». Disse-lhes Jesus: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o baptismo com que Eu vou ser baptizado?» Eles responderam-Lhe: «Podemos». Então Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que Eu vou beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado. Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado». Os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós: Quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».


BOA NOTÍCIA
«Não vim para ser servido, mas para servir»
O Evangelho do próximo domingo surpreende pela sua brutal honestidade. Quando o Evangelista São Marcos escreve esta página, já São Tiago tinha sido assassinado (decapitado em Jerusalém por volta do ano 44) e São João tinha sobrevivido à prisão e a várias perseguições. No entanto, o Evangelho não faz “descontos” a estes grandes santos e descreve o embaraçante privilégio que os dois irmãos exigiram de Jesus…

«Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir». Jesus respondeu-lhes: «Que quereis que vos faça?» Eles responderam: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda».

Que triste figura! Mas o Evangelho conta a Verdade e não tenta esconder os defeitos e os limites dos apóstolos. Aliás, Marcos ainda nos diz que os outros dez discípulos ficaram indignados com os dois irmãos… provavelmente, porque também queriam pedir a mesma coisa!

Este Evangelho é uma página sincera que nos obriga a olhar para o nosso modo de ser Igreja. Felizmente, não é raro encontrarmos nas nossas comunidades pessoas extraordinárias, capazes de servir o Reino com discrição e humildade. Lamentavelmente, também vemos (e por vezes até sentimos) a tentação do aplauso e da glória, dos títulos e das homenagens, do poder e do autoritarismo.

Neste Domingo, Jesus Cristo (que limpou os pés dos discípulos, curou doentes e visitou ladrões e prostitutas) recorda-nos que, na Igreja, quem quiser tornar-se grande, será servo e quem quiser ser o primeiro, será escravo de todos. E os “títulos” (bispo, padre, catequista, animador…) se os há, são nomes de serviços, não motivos de vã glória! Na comunidade cristã, só o Amor ocupa o primeiro lugar!

P. Carlos Caetano
in LusoJornal 10.14.2015



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